Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

Timbilando: Haja vergonha!  (Alfredo DacalaEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

ESTA semana noticiámos aqui que o Gabinete de Combate à Corrupção de Cabo Delgado está agora atrás de uma denúncia sobre uma alegada venda de 80 vagas, para a contratação de professores na província, contratação relativa a 2018, ano em que também foi feita esta denúncia.

A ser provado ou não tal realidade pelos respectivos órgãos competentes da justiça, o simples facto da sua existência, coloca em xeque os que andam nestes meandros de venda de vagas, seja nas escolas ou em qualquer outro lugar do nosso aparelho de Estado ou ainda em outras organizações.

Já temos visto nos jornais, virem ao público empresas sérias de recrutamento ou de outra natureza, distanciarem-se de eventuais pagamentos de vagas por parte de quem de facto quer ser empregado. Têm também sido relatados imensos casos de burla nesta matéria, em que candidatos entregam avultadas somas em dinheiro a qualquer um que aparece na rua, a dizer que tem uma vaga à venda e é da empresa X.

Ainda, nesta semana, a ministra Carmelita Namashulua apareceu a dizer que de Janeiro a Setembro do ano passado haviam sido tramitados no Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) um total de 890 casos de corrupção no Estado, funcionários que são chamados, vezes sem conta, para responderem por actos desviantes por eles praticados.

É que, voltando ao caso semelhante ao de Cabo de Delgado, não percebemos como é que um professor despende 50 a 80 mil meticais, para pagar uma vaga e qual será o seu comportamento perante os alunos, que estiverem à sua frente?

 É que se despende tais somas, que nem sequer as tens, pede emprestado para ganhar ser professor, qual será a sua atitude, quando tiver em mão tal vaga? Será que vai trabalhar, normalmente, como professor ou a sua preocupação vai ser embolsar, rapidamente, dinheiro dos alunos, cobrando a tudo e todos, para ver a situação da sua dívida resolvida num ápice e continuando a cobrar pelo tempo todo aos seus educandos, pois, terá ganho o vício e ele também terá entrado por via de cobranças àquele lugar?

Num destes dias, uma senhora se lamentava, porque tinha que ir ter com um professor para lhe entregar 3.500,00 meticais, que ele exigira para fazer passar o filho de classe. Esta, preocupada em arranjar tal valor, que nem sequer tinha e nem conseguira arranjar nas amigas, estava bastante preocupada.

Quando se lhe perguntou porque não ia à direcção denunciar a atitude desse professor, mesmo com o receio de o filho chumbar de classe, achou que estava a perder tempo, porque aquilo não ia dar em nada.

Insistiu-se com a senhora, dizendo-se-lhe que ela tinha outras alternativas. Se a direcção da escola não levasse a peito a denúncia, podia ir para a direccão distrital, se falhasse, ainda tinha mais escalões por calcar acima, até que o assunto fosse resolvido. Ao que parece preferiu que o aluno chumbasse e ignorou a chantagem.

O que acontece é que tomamos atitudes torpes perante as coisas que precisam de ser resolvidas pela injustiça, e que muitas vezes, nos envolvemos e pouco reclamamos para ver a justiça feita nestes casos.

Não existe o senso de justiça e nem sequer de responsabilidade em nós. Todo o mundo quer ser bem visto por todo o mundo e assim se deixa o mal crescer.

Um amigo meu, estrangeiro, cansado de ser roubado num pequeno empreendimento que tinha, dizia que ia abandonar Moçambique, porque sempre que lhe roubavam as coisas, não apanhava o culpado. E achava que eles roubavam em grupo, em conluio, e se encobriam uns aos outros. Por isso, não podia apanhar ninguém e ninguém podia ser delator do outro. Acrescentava que isso era uma coisa impossível no seu país.

 

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