NUM'VAL PENA: Assalto à KaTembe!  (Leonel Abranches)

 

POR estes dias, o sol anda mal-educado. De repente deu-lhe para andar aos pinotes bem perto de nós. Madrugada e já está aí à janela às piruetas querendo brincar de “queima-queima”.

Andamos com os neurónios esquentados até descompassar as nossas consciências. “Juro palavra d´honra” não está a dar. Resultado: milhares de pessoas buscam alternativas e aos magotes procuram as praias mais à mão. Costa do Sol e KaTembe surgem na pole position. Os que decidem pela KaTembe, às primeiras horas de qualquer fim-de-semana, longo ou nem por isso, tartarugam em direcção ao cais, ou pela novalíssima ponte de onde se fazem à praia, carregados de espécimes alimentares, companhia carne, xima, feijoada com alguns, etc., com rubricas etílicas que vão desde a água a retemperadores vinhos e aos poucos simpáticos whiskies e brandies (“tentados” por double punch e gin). Enfim, a praia da KaTembe é literalmente obliterada por gente de todas as estirpes. Violentamente ocupada. Violada nas suas mais elementares marcas de ingenuidade e de pureza. Milhares de pessoas disputam o mesmo espaço. De repente, a calmaria que lhe era característica passou para o passado. Não dá para acreditar naquele espectáculo de meter dó. As ruas e ruelas tornaram-se em pistas de corrida, com marmanjos ao volante atestados de álcool. Mulheres, algumas de trajes da mais ínfima provocação, são ultrajadas e vilipendiadas por delinquentes asquerosos. As meninas bamboleiam-se de um canto para o outro mostrando-se para os rapazes, autênticos pescadores de inocências. Acho extremamente violento o que nos apresentam como sugestão para o lazer. O que mais intriga é que a mulher virou símbolo de degradação moral e social. E quanto menores trajes tiver melhor. Ela deverá servilmente bambolear-se e mostrar provocantemente as suas partes pudendas. Em poses de strip tease naturalmente obscenos e de um profundo desrespeito. Ora, na praia é também a “memacoisa”. As meninas que se fazem a lugares públicos desnudas nem sequer notam que com o tempo vão passar por um “desmerecimento social”, o que as levará a pulular por ruas interiores e estreitas em evangelização rameira e revendendo a sua competência massinguitizada.

Mas o perfil de uma iminente tragédia, bem dito, começa a desenhar-se às últimas horas da tarde. Homens, mulheres, idosos e crianças fazem-se de volta, quer pela ponte como pelas embarcações. E aí começa o caos. A balbúrdia. Centenas e centenas, e mais outras centenas, autênticos cogumelos, entopem o diminuto cais de acesso aos barcos. Jovens atestados das mais bizarras mixórdias alcoólicas, com os olhos estranhamente enviesados, em transe espírita, cantando estrofes carregadas de sacrilégios e com as almas profanadas, insultando e ululando imbecilidades, invadem os acessos à ponte.

Alguém duvida que aquelas imagens chocam com a nossa honestidade intelectual? Mais do que isso, porque assistimos impávidos e serenos e de camarote à iminência de uma tragédia?

Depois vão todos dizer: “aquele gajo avisou...”Como se um gajo fosse meteorologista social!

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