PERCEPÇÕES: “Si vis pacem, para bellum” (Se queres a paz, prepara-te para a guerra)  (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

ESTÁ em curso, desde o passado dia 2 de Janeiro, a campanha de recenseamento para a obrigatoriedade do serviço militar edição-2019.

Estava eu sentado à beira mar, levado pela canícula de assar passarinhos que enferma a cidade de Maputo, de há uns meses a esta parte, quando passa por mim um grupo de jovens discutindo sobre a necessidade ou não de se inscreverem para a obrigatoriedade do serviço militar. Uns diziam não haver necessidade para tal, uma vez que o país desfruta da paz resultante do diálogo político entre o Governo e a Renamo. Defendiam ainda que o enterrar do machado da guerra seria com a conclusão do processo de Desarmamento, Desmilitarização e Reintegração dos homens residuais da Renamo, ora em curso. Outros defendiam a pertinência da inscrição, socorrendo-se do provérbio latino segundo o qual “si vis pacem, para bellum”, ou seja, “se queres a paz, prepara-te para a guerra”.

É verdade que o ditado latino encerra em si uma aparente contradição. Porém, dá para entender que a paz é o fim último que se pretende e que a guerra, o meio que se usa para alcançar aquele fim. Tudo bem. Deixemos de filosofias e vamos ao que mais interessa.

Ora, custou-me interpelar aqueles jovens para lhes dar o meu contributo em torno da matéria em discussão. O pouco que sei sobre a prestação do serviço militar resulta de experiências acumuladas ao longo de anos de trabalho, em ligação com o Ministério da Defesa Nacional, nos sucessivos consulados de Aguiar Mazula, Tobias Dai, Filipe Nyusi e Agostinho Mondlane.

Com a cerveja correndo a rodos no seio do grupo, o debate tornou-se tenso demais, com cada uma das alas a defender acerrimamente a sua posição. Porém, ganhei coragem e meti a foice em seara alheia.

“ Eh pessoal! vamos ouvir o kota, vamos ouvir o kota” - gritava a rapaziada, enquanto reunia “de emergência” elementos para dar o meu contributo. E lá fui-lhes transmitindo o pouco do que sei sobre o assunto. Feito isso, de forma convincente, até porque arranquei aplausos do grupo e de outros curiosos, prometi dar mais subsídios, convidando-os a ler aquilo que seriam as “Percepções” desta semana. A ideia era abranger muitos outros jovens, cépticos ou não, sobre o serviço militar.

À matéria:

O Governo moçambicano materializa a sua agenda de defesa nacional através das Forças Armadas. Estas são constituídas exclusivamente por cidadãos moçambicanos e, através do serviço militar, assegura continuamente a reposição e o preenchimento do caudal da sua orgânica, o mesmo que dizer que sem o serviço militar as Forças Armadas “morrem” e torna-se nula e de nenhum efeito a agenda do Governo, no que tange à defesa nacional.

Entenda-se que um país sem agenda de defesa nacional torna-se vulnerável. Imaginemos, pois, o que seria de Moçambique sem essa agenda: as riquezas do mar, do solo e do subsolo, a flora e fauna, tantas outras, aguçam apetites externos que nos conduzem à necessidade de uma preparação constante e permanente para a sua defesa. E essa preparação é feita através da obrigatoriedade do serviço militar. Estamos em paz? Sim, estamos em paz, mas as ameaças a essa paz e a unidade nacional são permanentes e devemos estar, permanentemente, preparados para a sua defesa.

Os jovens devem, pois, saber que o serviço militar não é nenhum castigo para eles. Pelo contrário, devem perceber que durante o cumprimento desta obrigatoriedade, eles tornam-se líderes, aperfeiçoam a disciplina, a boa conduta, os bons costumes, o aprumo, a organização, higiene individual e colectiva e ainda o dever do trabalho. Devem perceber que durante esse período eles promovem e valorizam a bravura e o orgulho de servir o seu próprio país, desenvolvem a consciência patriótica, aprendem a saber ser, saber estar e saber fazer, convivem com pessoas de diferentes origens, enfim, promovem e assimilam os valores da unidade nacional.

Aqui, papel especial cabe aos pais e encarregados de educação, secretários dos bairros, líderes comunitários e a todos os outros intervenientes neste processo a missão de sensibilizar a juventude para o cumprimento deste dever de cidadania.

Pessoalmente, junto-me a todos esses intervenientes apelando aos jovens para que se desloquem em tempo útil aos postos de recenseamento militar a fim de regularizarem a sua situação.

Aos jovens que discutiam à beira mar, naquele dia quente de Verão, e aos demais que eventualmente tenham lido este artigo, julgo ter deixado o meu contributo para a necessidade do cumprimento desta obrigatoriedade, como porta para a afirmação patriótica.

“Si vis pacem, para bellum”.

Até para a semana!

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction