HISTÓRIAS E REFLEXOES: As escalas da vida  (Eliseu Bento)

 

AS dificuldades e contrariedades com que nos confrontamos no dia-a-dia têm quase sempre aquele condão de ensinar-nos a darmos as voltas necessárias para irmos sobrevivendo. Temos que nos virar, como enuncia a gíria.

Vem este pequeno intróito a propósito de uma ″descoberta″ que tive numa das minhas andanças pela cidade da Beira.

Pois, há dias parei num certo ponto da urbe para sorver um pouco de água de lanha. Trata-se de um dos muitos pontos estratégicos onde este produto é comercializado principalmente ao longo da marginal.

Enquanto me deliciava, percebi que os meus compatriotas vendedores estavam numa acesa discussão entre eles tudo porque uns haviam negligenciado a obrigação de fazer a limpeza do local.

No calor da discussão, acabei percebendo também que afinal o espaço é explorado por escalas.

Ou seja, cada dia está reservado a um certo grupo que, ao final do dia, tem a obrigação de deixar o local limpo para que os que entrarem no dia seguinte o encontrem aprazível.

Tudo porque se trata de locais identificados como estratégicos para comercialização de lanha onde muitos citadinos procuram mitigar os efeitos do muito calor que se faz sentir nos últimos dias.

Assim, os vendedores estacionam os seus ″tchopelas″ com o produto e respectivas palhetas e vão atendendo os clientes muitos dos quais cidadãos estrangeiros desejosos de deliciarem-se com mais esta riqueza moçambicana.

Achei absolutamente genial esta ideia de escalas para a venda de lanha o que me recordou que, realmente, as dificuldades da vida ensinam-nos a fazermos face a ela ou a contornarmos as vicissitudes que ela mesma nos vai impondo, volta e meia.

Ao que me pareceu, fora esse aspecto de indisciplina de alguns, mau grado, temo-los em todo o lado, o ambiente de trabalho é bom e as pessoas conseguem dali tirar rendimentos para a sua própria subsistência.

Interessante também notar que muitos destes praticantes desta actividade são jovens que, desta forma, procuram ganhar a vida de forma honesta e sem recorrerem ao alheio, como o fazem muitos por ai.

Tanto achei esta ″descoberta″ interessante que a comentei no meu círculo de amizades.

Ai, para meu maior espanto, fiquei a saber que afinal não era só com a venda de lanha que esta situação acontece.

Pois, tal também sucede na venda de muitos outros produtos mais ou menos de consumo imediato, ou rápido, conforme queiramos.

Exemplo: as famosas ″badgias″, não raras vezes vendidas nas proximidades das padarias. Escusado dizer que estamos a falar de um produto que resolve o problema de muitos compatriotas por este pais fora.

De facto, muitas das nossas titias vendedoras de ″badgias″ recorrem igualmente a este esquema de ocupação de espaços de venda de produtos por escalas. As escalas da vida.

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