Limpopo: Benfica, George Dimitrov e KaMubukwana  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

QUISo destino que a minha chegada a este mundo tivesse acontecido no período em que os ostentadores do gentílico deste pedaço do Índico que dá pelo nome de Moçambique não tinham o controlo do seu próprio destino, mas nas garras do colono português, facto que forçou a busca da paz, para a qual a guerra foi preparada e organizada pelo arquitecto da Unidade Nacional, Eduardo Chivambo Mondlane, cujo corpo completará, dentro de pouco mais de uma semana, 50 anos jazendo no local mais sagrado para os heróis desta pátria.

Chegados à independência, já sob a direcção do saudoso presidente Samora Moisés Machel, os moçambicanos recuperaram a legitimidade de eles serem verdadeiros moçambicanos e não “portugueses”, através da política de assimilação, que tornou grande parte dos nossos compatriotas uns simples desenraizados, pois “não mais sendo moçambicanos”, também nunca foram “totalmente portugueses”, permanecendo na humilhante condição de portugueses de segundo ou de outros níveis.

Já com o país na gestão dos seus verdadeiros filhos, muitas mudanças tinham de ser operadas, com o objectivo único de formarmos a nossa identidade própria, bem longe de nomes e símbolos que nos mantivessem ligados ao carrasco da história da nossa existência por cerca de cinco séculos. Novos nomes foram introduzidos para as províncias, bairros, avenidas, estabelecimentos de ensino e outras instituições.

Nesta empreitada, o recurso foi a nomes que nos identificassem com a nossa própria história ou com os nossos parceiros, que nos ajudaram a fazer frente à diversas necessidades durante o período da luta armada de libertação nacional. Por esta via, a cidade de Lourenço Marques passou a chamar-se Maputo e, na mesma urbe, o bairro Choupal passou para 25 de Junho, enquanto Benfica se tornava bairro George Dimitrov.

Foi assim que estes dois bairros passaram a ser conhecidos durante muitos anos, à semelhança de outros que não foram, aqui, mencionados. Entretanto, por razões por mim desconhecidas, mas que prefiro considera-las saudosistas, por parte de alguns moçambicanos contrários ao processo de construção de um Moçambique verdadeiramente de moçambicanos, alguns nomes do passado colonial foram resgatados, a partir de uma determinada altura do processo da construção da nossa história como país soberano. “25 de Junho”, de novo, é Choupal, George Dimitrov retornou a Benfica.

Neste saudosismo, a minha vénia para a empresa Transportes Públicos de Maputo (TPM) que sempre manteve o nome de bairro George Dimitrov, na indicação das suas rotas, o mesmo em relação a “25 de Junho”. E assim percebo que o Estado moçambicano mantém a coerência, através das suas instituições

Entretanto, com o surgimento dos serviços de transporte semicolectivo de passageiro, o nome de Benfica voltou com toda a força como se movido por alguma praga! Curioso é que as instituições reguladoras destes serviços, como são os casos das direcções dos municípios, com a introdução da obrigatoriedade da colocação de faixas indicativas dos destinos de cada unidade circulante, também autorizam a inscrição “Benfica/Museu”. Mas entendo ainda que os conselhos municipais são o “Estado moçambicano em miniatura”, no âmbito de descentralização na gestão da “coisa pública”.

Tendo este poder legítimo, qual é a razão dos municípios ou as entidades que lidam directamednte com os operadores semicolectivos, em representação do Estado moçambicano admitirem que use nomes como Benfica e outros que foram trocados, com a implantação da nossa própria moçambicanidade? Escrevo estas linhas, porque ainda não li, em nenhum lugar, com respectivos argumentos, algo que revogue os bairros George Dimitrov, 25 de Junho e passar-se para os anteriores Benfica e Choupal, respectivamente.

Senhores representantes do Estado na gestão dos serviços semicolectivos de passageiros, por favor, defendam os interesses supremos da nossa soberania, ensinando e mostrando aos motoristas e cobradores que os bairros se chamam George Dimitrov, 25 de Junho, Luís Cabral e não Benfica, Choupal ou Chinhambanine, como forma de jogar limpo(po).

 

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