Retalhos e Farrapos: Um parvo escondeu um joker na manga  (Hélio Nguane)

 

A VITÓRIA já tem marido. Casou-se, sem dúvidas, é infeliz. Alberto foi o culpado. Foi sua culpa, sua tão grande culpa. E hoje, de cada vez que vê o baralho, percebe que baralhou a vida da sua filha, tão querida, desejada, inteligente. Mas não há como voltar o jogo, desbaralhar, para que o resultado final seja outro.

O jogo

- Deixa-me baralhar isso - disse o Gomes, com a cara amarrada.

- O jogo é meu! Estou pronto para segurar todos os trunfos- lançou Estêvão, esfregando as palmas da mão.

Enquanto as cartas se lambiam, mudavam de posição, dançavam, flutuavam soltas a bordo das mãos de Gomes, os jogadores faziam jogos psicológicos: Uns falavam dos nhangas que abençoaram os seus dedos, outros invocavam a ciência, a técnica apreendida ao longo de infindáveis jogos.

Essa não é partida normal, não é um mero joguinho de cartas, há dinheiro envolvido. Ninguém admite a ideia de ofertar as notas. E se nota pela face raivosa de todos, que isso vai terminar mal.

Começa a distribuição. Gomes faz caras, as cartas conhecem os seus legítimos donos. As farsas podem ser usadas para alcançar o trono. Importa os fins, muitos ali estão acostumados a desgraçar filhos de dono.

Reparam para as cartas. Olha só as caras, bravas e alegres, parvas e alegres, eufóricas e alegres. No fingimento todas alegres. E ninguém percebe. Mas o que importa nem é perceber, isso é um jogo e alguém tem de vencer.

Todos prontos: começa a partida, Alberto, o parvo, tira uma carta sem valor, marca a partida. É boa a partida.

Alberto colecciona as cartas, começou bem. Tudo indica que vai mais além. “Esse Alberto hoje está a jogar bem. Mas é sempre assim, é como os Mambas, promete a vitória e depois prova que é minhoca”, era o Estêvão destilando veneno, o tipo é sereno, pequeno, astuto e armalhão.

Quem tem cartas na manga? Todos têm cartas na manga. Mas que chatice, o sistema está viciado, é só corrupção. Não é só um, é o grupo, a quadrilha, a corja que estraga o jogo.

Alberto está a vencer, tudo está a seu favor. E mais: ele tem uma carta na manga.

A última cartada

O parvo, os primeiros quatros jogos, sentiu a sorte na sua máxima potência, ganhou confiança, poderia sair com todo o valor no bolso, mas quis provar a Gomes e Estevão que é o mais poderoso.

O último jogo, o tipo quer dar a cartada final.

- Aposto tudo que ganhei. Porque sei que não vou perder, até entrego o meu maior tesouro.

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