Dialogando: Acabar com a indisciplina no troço Nampula-Malema  (Mouzinho de Albuquerque)

 

O TROÇO Nampula-Malema integra a estrada Nampula-Cuamba, com uma extensão de 348 quilómetros. Há muitos aspectos, sobretudo negativos, que se observam nesta via. Contudo, o mais importante é que o troço Nampula-Malema, com 234 quilómetros, encontra-se em óptimas condições de circulação, depois da conclusão das obras de asfaltagem há já alguns anos.

Talvez destacar também que é um troço que atravessa quatro distritos da província de Nampula, considerados como os mais produtivos no que diz respeito a culturas agrícolas, nomeadamente Rapale, Mecubúri, Ribáuè e Malema. Todavia, tais condições fazem com que o tráfego rodoviário promova o desenvolvimento social e económico das comunidades, não só atravessadas pela estrada, mas também das zonas do interior das províncias de Nampula e Niassa, incluindo Zambézia, enquanto via preferencial para o escoamento da sua produção agrícola. Aliás, estradas com condições daquelas estimulam o desenvolvimento.

Entretanto, o preocupante é que alguns automobilistas vêem essas condições como oportunidade de demonstrar a sua irresponsabilidade, abusando da velocidade e fazendo ultrapassagens perigosas, que um dia podem provocar acidentes fatais.

Já não parece ser tempo de pensarmos em caminhos alternativos no combate à condução irresponsável nas nossas estradas, que se sabe que para a polícia passa pela “montagem” de vários postos de controlo de trânsito ao longo das estradas. Porém, existem reguladores de trânsito que se limitam a receber “refresco”, uma prática a todos os níveis reprovada, pois, quando tal acontece, os motoristas assumem atitudes perigosas na condução alegando não temerem ser penalizados.

Nesta semana viajámos em serviço da cidade de Nampula à vila-sede distrital de Malema. Para o nosso “azar” calhámos com um “chapa” cujo motorista pareceu-nos ter-se “esquecido” de um dos princípios basilares que se aprende na escola de condução, segundo o qual circular dentro da velocidade permitida na estrada ajuda a evitar acidentes de viação, justamente pelo controlo das reacções do automobilista diante de obstáculos ou riscos. É que ele imprimiu uma velocidade ao ponto de os passageiros viajarem “com o coração na mão”, sabido que a infracção por excesso de velocidade é considerada uma das principais causas dos sinistros rodoviários em Moçambique.

No meio de gritos de socorro, assombro e espanto, os passageiros questionaram sobre o porquê daquele procedimento. O motorista respondeu de forma peremptória dizendo que o facto é que estávamos perante uma via onde os documentos legais exibidos pelos condutores não interessam aos agentes reguladores de trânsito, pois, com licença ou sem ela, eles exigem “refresco”, e sem ele (refresco) o automobilista é vítima de perseguição.

Segundo ele, tal como pode estar a acontecer noutras estradas do país, no caso do troço Nampula-Malema, o bom do “refresco” é que os motoristas podem conduzir à velocidade que quiserem, ou melhor dizendo, podem abusar da velocidade e fazerem ultrapassagens indevidas, por não terem medo de ser penalizados, pois, mesmo os chefes da corporação querem apenas “comer”, o resto que se lixe.

Acrescentou que a existência de muitos postos de controlo de trânsito naquele troço contribui para que os automobilistas, principalmente os transportes semi-colectivos de passageiros conduzam com excesso de velocidade, mesmo que estejam cientes do perigo que as suas atitudes representam para a segurança dos passageiros.

É verdade que esforços podem estar a ser feitos no seio da corporação no combate à condução irresponsável nas nossas estradas, mas entendemos ou insistimos que muito ainda deve ser feito, para se corrigir situações perigosas como aquelas que se verificam na estrada Nampula-Malema. Para tal, é preciso que a instalação de vários postos de controlo de trânsito nas estradas nacionais, se reflicta, efectivamente, na redução de acidentes rodoviários, e não se estar sempre a coagir automobilistas a pagarem “refrescos” aos agentes reguladores do trânsito.

De facto a vida é um bem sagrado, único, singular, individual e intransmissível, que exige conservação, cuidado e respeito. E isso não será possível enquanto existirem polícias de trânsito que incentivam práticas nocivas na estrada que igualmente lesam a imagem da própria corporação.

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