Histórias e Reflexões: Quando tudo gira à volta de um aeroporto (Eliseu Bento)
PARA que a história registe:
Era uma vez um aeroporto, conhecido como Aeroporto Internacional da Beira, que no mês de Março de 2019 se tornou finalmente não apenas num aeroporto internacional, como numa enorme base de gestão, de tomada de decisões e de difusão de informação mundial.
Como sabemos, no passado dia 14 aconteceu um infame ciclone chamado “Idai” que ″varreu″ a cidade onde esse aeroporto está situado. ″Varreu″ tudo mesmo. As pessoas, as casas, as escolas, os hospitais tudo como nunca tinha acontecido em todo o Hemisfério Sul, conforme dizem aqueles que estudaram muito sobre essas coisas.
Eis pois, que de repente o dito aeroporto começa a receber pessoas vindas de todas as partes do mundo.
Mas antes dessas visitas todas, o dito aeroporto, tal como as outras infra-estruturas dessa cidade, ficou encerrado por pouco mais de 72 horas por causa desse desastre natural.
Já não se aterrava mais lá até que o infame ciclone e suas ″caudas″ se foram embora definitivamente para outras paragens.
Estavam então criadas as condições para o aeroporto reabrir os seus ″ares″ ao tráfego, mesmo com as suas mazelas, tipo armazéns, hangares e outras coisas destruídas, incluindo aeronaves.
Aí, começa uma avalanche de aviões, avionetas e helicópteros jamais vista na história do aeroporto.
Aviões, avionetas e helicópteros que transportam pessoas, como disse antes, de todos os cantos do globo, demandam o aeroporto transformando-o também num local turístico em que pais e mães levam os seus filhos para apreciarem o espectáculo de aeronaves que chegam e levantam voos a cada a minuto.
Manda a verdade, no entanto, dizer que os primeiros mesmo a provocarem toda esta celeuma foram os jornalistas. Não podia ser de outro modo! Os jornalistas moçambicanos que, com os seus parcos recursos, deram a conhecer ao país o que se tinha passado.
Pouco depois, juntam-se-lhes os colegas vindos de outros quadrantes. Estes sim, dispondo de tecnologia de ponta que acampam e montam equipamento sofisticado e ″estranho″ aos nossos olhos começando a enviar notícias para todo o mundo, menos, pasme-se, para os próprios residentes da Beira porque arredados de energia eléctrica.
As entidades nacionais, encimadas pelo próprio Presidente da República, Filipe Nyusi e pelo Primeiro-ministro, Agostinho do Rosário, orientam aqui neste aeroporto vários encontros como que transferindo os seus gabinetes de trabalho.
As notícias despertam então a curiosidade, o espanto e a solidariedade global que começa igualmente a desembarcar às catadupas no dito aeroporto em forma de organizações humanitárias ou personalizada em diplomatas e altos dignitários de organismos internacionais portando ajuda ou intenções.
Transforma-se, desta maneira, como digo, o dito aeroporto numa enorme base de gestão, de tomada de decisões e de difusão de informação mundial.
O aeroporto fica pequeno. Alguns dos seus próprios serviços são transferidos para outras áreas para ceder espaço. Empresas de prestação de serviços, como as telefonias móveis, também acampam no aeroporto para, naturalmente, venderem os seus produtos.
E assim se estabelece uma azáfama invulgar no Aeroporto Internacional da Beira que passa a centralizar tudo o que diga respeito ao ciclone. Tudo gira, então, à sua volta!
Resta-me apenas dizer que estas linhas estão a ser finalizadas no… Aeroporto Internacional da Beira ao som de aeronaves, aterrando e descolando e no intervalo dos ″briefings″, entrevistas e conferências de imprensa e enquanto aguardamos pela chegada do Presidente da República.


