Consonâncias: HERÓIS DO CICLONE IDAI  (Sauzande jeque)

 

 

NO meio da gigantesca tragédia que se abateu sobre a zona centro de Moçambique, ainda estão por contar, as inúmeras e incríveis histórias de heróis anónimos, muitas das quais, nunca chegarão aosouvidos de ninguém, porque os seus protagonistas, simplesmente sumiram. Falo de histórias de bravura que foram ocorrendo um pouco antes, durante e depois do ciclone Idai. Pessoas que ajudaram a salvar vidas e bens, ou simplesmente impediram que males bem maiores não acontecessem.

É para eles esta crónica em forma de agradecimento e singela homenagem.

Alguns desses actos de heroísmo vão sendo contados nos diversos órgãos de comunicação social, na medida do possível...

É o caso dum chefe de família que conseguiu salvar seus cinco filhos, içando-os para a copa das árvores ou na cobertura do edifício mais alto que ainda resistia. Infelizmente, quando chegou a sua vez, o último ramo de árvore escapou das suas mãos.

A água trazia entulhos  que, no revolver constante das ondas lamacentas, inutilizava qualquer tentativa de escape de um exímio nadador.  Sem achar qualquer pé de caniço no horizonte que agarrar, o homem foi violenta e fatalmente arrastado pela correnteza.

De cada vítima ouvimos relatos impressionantes de heroicidade que só a luta pela sobrevivência consegue explicar. Decisões corajosas que foram sendo tomadas em momentos extremos. Para muitos, não houve tempo que lhes permitisse fazer uma escolha sensata ou decisão iluminada.

Sabendo que o ser humano não consegue estar presente em dois lugares ao mesmo, para alguns, era preciso escolher entre, o salvar a familia em particular, ou apostar numa ação que não pusesse várias familias em perigo de vida.

Impressionou-me bastante, a coragem dos quarenta homens que, na fatídica noite de 14 a 15 de Março, aceitaram o sacrifício de permanecerem agachados ao relento, para guarnecer a vedação que alberga gigantescos tanques de criação de crocodilos, em Nhangau, cidade da Beira.

É verdade que colocaram na balança, a família e o emprego que iriam perder, caso o ciclone destruísse a empresa. Porém, o mais pesado dos pesos, veio-lhes do fundo da consciência: “ou sacrificamo-nos aqui, nós os quarenta, ou abandonamos, colocando em perigo todos os moradores da segunda capital do país, que correriam o risco de serem devorados  por uma turba composta de vinte seis mil crocodilos.

O espectáculo sanguinário destes predadores provocaria milhares de mortes e ferimentos, inviabilizando todos os esforços de recuperação da vida pós-ciclone, e a sua neutralização seria quase impossível.

De acordo com o testemunho dos protagonistas, naquela noite medonha, a fúria do vento destruiu uma parte do referido quintal, e os quarenta trabalhadores que estavam de alerta, trataram, imediatamente, de reconstruir aquela infraestrutura. Não existe recompensa para tamanha bravura. Só podemos dizer que sejam para sempre, homens abençoados.

Forte abraço

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