Limpopo: Se recordar é viver... (1)  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

Há momentos, na vida, em que passamos por enormes dificuldades, valendo a pena lutar por superá-las. Aliás, como bem diz um ditado popular, “o importante, na vida, não é não cair, mas saber levantar-se após a queda”.

Quando estes momentos difíceis cruzam os percursos das pessoas, algumas chegam a pensar que o mundo tenha chegado ao fim e caem em desenganos. Conheço situações de pessoas que se conformaram com o (efémero) momento de dificuldade e desistiram, passando a levar a vida de vagabundo, deambulando pelas cidades sem eira nem beira. Os extremistas, como foi o caso do meu avô, recorrem ao suicídio. A estes considero cobardes e por isso não será com eles que vou perder o meu tempo.

Valentões são os que fazem de dificuldades fonte de inspiração para lutar pelo futuro melhor e, mesmo sabendo-se que o ideal nunca se atinge, quando dão um determinado salto na vida, também têm tempo e lugar para falarem das suas venturas e desventuras, com todo o orgulho e prazer. Porque a evolução é isto mesmo.

Nos tempos da minha infância, até mesmo nos finais da década de 80, os meus pais reservavam todo o dia para a viagem de Mandlakaze a Maputo, mas com a evolução, que passa pela melhoria das estradas e a cilindrada das viaturas, o mesmo percurso é feito em muito pouco tempo. As distâncias que eram percorridas a pé, hoje em dia são, indiscutivelmente, feitas com recurso a meios de transporte. E quando nos lembramos disso, contando às novas gerações, questiona-se como isso era possível, tal como os meus filhos não entendem como nos acotovelávamos nas sedes dos grupos dinamizadores, para vermos televisão, na altura um minúsculo écranapreto e branco. Mas conseguíamos ser felizes.

Foi neste rol de pensamentos sobre o passado que minha mãe contou o dilema que viveu no dia do seu casamento. A cerimónia religiosa foi na Missão de S. Benedito, em Mangundze, mas depois teve de percorrer cerca de 10 quilómetros a pé, para Chilumbele! Mas era tudo normal, para aqueles tempos e simplesmente lenda, para as gerações actuais. Os cânticos da ocasião, entoados pelos convidados para a cerimónia eram a fonte de inspiração. Hoje é impensável sair de Chilumbele para Mangundze a pé, percurso que era feito diariamente pelos nossos pais, assim que terminassem a terceira classe elementar, pois as classes seguintes só eram leccionadas na Missão.

Mas há paradoxos curiosos. Hoje, em menos de quatro horas, é possível sair-se de Maputo para Mangundze, num percurso de cerca de 300 quilómetros. Entretanto, para fazer os 10 quilómetros de Mangundze a Chilumbele, no mesmo “chapa”, chega-se a levar as mesmas quatro horas, em satisfação dos diferentes caprichos dos passageiros. Paradoxal! O mesmo sucede no sentido inverso, pois quando se chega ao Zimpeto é preciso pensar noutras penosas três/quatro horas para chegar à Cidade de Maputo, em razão do congestionamento do tráfego.

São dificuldades de hoje e que delas, futuramente, falaremos em forma de nos vangloriar por as ter superado. Afinal, jogando limpo(po), vale a pena transformar dificuldades em desafios.

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