Sigarowane: Amemo-nos sobre a areia branca  (Djenguenyenye Ndlovu)

 

MUITO se esforça, jura, mas não consegue ignorar de todo. Acaba mesmo se embebedando com os escritos nas redes sociais, com os escritos em certos periódicos da praça que, podendo ser verdadeiras as suas mensagens, produzem nele variegados sentimentos, de amargura, de dor e, claro, de medo. Medo de verdade. Medo de não saber afinal quem está ao seu lado, quem é a pessoa com quem está conversando, de celular pousado no tampo da mesa sem nenhum oleado que seja por cima. Olha-o e não consegue penetrar-lhe o fundo dos seus olhos. Sorri. Leva o copo aos lábios e lhe pergunta se quer mais uma água. Se diz farto da água, mas desejoso do que sabe que a tasca não tem. Nem é nada de especial, mas talvez seja por isso que não ocupa espaço nenhum nas prateleiras. O tipo de lado gargalha. Entendeu a saída de meio bandido, mas o da frente, o da conversa, mostra alguma preocupação (não se sabe se fingida ou não) e sugere mudança do tasco, do que recebe escusa. Fala. Fala e sempre atento à carga (supoem-se) do seu telemóvel que parece em funções, embora em posição de repouso. Adivinha a actividade, mas não mostra nada que possa despertar a atenção do dono do dispositivo. Não lhe quer criar embaraços no seu modo de viver. Vai-lhe sair um perfeito ingénuo. Uma inocente tilápia que ao tentar o isco é içado seguro pelo anzol. Então sorri. E permite que dê mais linha e já satisfeito e antevendo elogios e doações remuneratórias de dignidade percentual, pensa, escapa e pica ao fundo. Depois demando outra margem e no percurso vai buscando, e consegue, com que viver. Só para lhe aflitar um pouco e o tornar mais puxativo do cérebro e compreender que em ambiente de amor e paz, não parece razoável a existência de monopólios de intelectualidade. E é vileza ruim assustar, intimidar…

Não lhe entristece, tão-pouco lhe alegra a condição de sujeito destes vigiados viveres, mas para alguém tinha de ser, em tal mundo, e a vez é a dele. Pois que seja e, enquanto possível, viverás tónicas miguelais, cujo abandono está á espreita. Para continuar em espera no mesmo lugar, que a idade já não recomenda pulos em linhas de demarcação. Mas, também, e porque já vão anos e sempre de mãos dadas com ela, convém que quando chegar a vezela o tome aqui, para neste solo libertar os vermes estrumantes da futura sombra das tumbas e dos que a elas visitam, e dos que vão construir outras tumbas que produzirão outras sombas. Para elas e para os ainda peregrinos.

Confiemos: homens e mulheres hão-de se agigantar para derramarem o amor sobre este torrão de terra de sol e mar, de sorrisos e abraços, de mulheres calientes e de homens vigorosos. De amores ao luar, a chuva miudinha sentida no final funcionando como manta que cobre e reactiva o desejo. O desejo do processo de reprodução da vida, do amor. E aí. Aí não há região eleita. Não há nada que homens e mulheres feitos de material justo para não desejarem distanciamentos. Sim! Rolando na mesma uniformidade do colchão, da esteira, da capulana sobre a vegetação rasteira, sobretudo o resto que o leitor sabe e pratica. Isso mesmo.

 E se este fosse o foco? Ou se tudo tivesse como final este sentido? E isto é o que parece que todos fazem bem: amar. E quem não gosta! Então amemo-nos que o país só ganha com isso. Só cresce com isso. Mas nada. Pum, pum, pum. Mais nada.

Por estes dias desliga-se das redes sociais cada vez com mais criativos. Não compra periódicos nem diários. Quer ser feliz na ignorância desses meios, de tudo á volta de outros vindo.

E vai á missa. Hoje é sexta-feira Santa. E vou á missa as duas da tarde, mas duvida que consiga fazer a Via Sacra, o que em pequeno não se podia colocar. Arrastado pela sua mãe, bem seguro pela sua mão esquerda até á idade da catequese. Hoje vai á missa e ele não tem aquém arrastar. Os netos governam-se uns aos outros.

O resto é periférico. O foco? Amarmo-nos uns aos outros. Sobre as praias de areia branca, sobre as savanas, sobre os campos de pasto e de produção de alimentos. Amemo-nos simplesmente, que isso é superior a tudo o resto.

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