Limpopo: Se recordar é viver... (4)   (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

O PROFESSOR Marcolino já tinha cerca de um mês de convívio com a nova realidade ecom o seu primeiro emprego. Ou seja, já lhe tinham sido atribuídasturmas, todas elas da 5.ª classe, alegadamente porque, sendo um professor novo, não teria “estofo” para ligar com classes finalistas, algumas das quais com veteranos da mesma geração que os seus docentes. Havia até casos de outras turmas em que tínhamos colegas mais velhos que nós e que, por não haver condições para frequentarem o curso nocturno, a título excepcional, haviam sido integrados nas turmas do curso diurno, para fazerem a 6.ª classe e se habilitarem a frequentar os estabelecimentos de ensino vocacionados para a formação de professores.

À semelhança do professor Marcolino, também estava o professor Francisco Saveca, formado na EFEP de Chibututuine, no distrito da Manhiça, província de Maputo. Ele era professor de Matemática e também tinha cinco turmas, todas da 5.ª classe, devido às mesmas razões (suposta falta de “estofo”), ficando as classes de exame com os professores antigos, entre eles o professor Alfredo Mazive, que também chefiava a comissão directiva, já que o director Lourenço Matsumane estava de saída, em cumprimento de uma ordem de serviço.

Formado para o ensino de língua portuguesa, completei o quarteto do grupo de disciplina, do qual faziam parte os veteranos professores Cristiano Adriano e Manuela Jaime Cossa, director pedagógico e delegada, respectivamente. Estes dois é que trabalhavam com as turmas de exames, mas com cargas horárias excessivas.

Com a chegada de novos professores, começaram a ver a possibilidade de se aliviarem um pouco da pressão de trabalho. Aliás, o nível de intervenções nas reuniões do grupo de disciplina ajudou aos colegas mais velhos a perceber que a nossa formação era para lidar com todas as classes deste nível e, modéstia à parte, com alguns furos acima que os “decanos”, pois pertencemos a uma geração formada com muito rigor. Fiz referência, semana passada, do facto de termos produzido o material didáctico ao longo da formação, que nos ajudou a fazer diferença, no início da actividade profissional. Isto só para dar um exemplo.

Mas o chefe da comissão directiva, o professor Alfredo Mazive, não acolheu de ânimo leve a possibilidade de termos, também, algumas turmas da 6.ª classe, para aliviarmos a carga horária do director pedagógico e delegada de disciplina. A mesma carga que também pesava sobre ele, pois sendo o responsável máximo pela gestão da escola, também dava aulas de Matemática a algumas turmas de 6.ª classe, tendo o professor Saveca relativamente folgado com as suas quintas classes.

Mesmo assim, acabou se rendendo às evidências, condicionando, paras o efeito, a assistência às aulas dos professores caloiros. O que se podia esperar de um trio de jovens acabados de sair da formação, cheios de energia para dar e vender, com metodologias, pedagogias e psicologias bem fresquinhas?! Feitas as assistências aos três, na companhia do seu pedagógico, o chefe da comissão directiva (não sei por onde anda) até se escusou de fazer a tradicional análise de aulas. Para o meu caso, lembro-me de ele ter dito algo como: “Agora é que aprendi como se faz a análise sintática de uma oração e, particularmente, a diferença entre os complementos directo e indirecto.”

O chefe da comissão directiva estava, simplesmemte, a jogar liumpo(po)...

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