Histórias e Reflexões:  Superações  (Eliseu Bento)

 

PASSA precisamente uma semana após a realização, na cidade da Beira, “capital” do ciclone “Idai”, da Conferência Internacional de Doadores, destinada a mobilizar recursos financeiros para reconstrução das infra-estruturas destruídas não só por este desastre, mas também pelo “Kenneth”, na região Norte do país.

Como já foi largamente divulgado, o encontro produziu 1.2 mil milhões de dólares, mais ou menos a terça parte dos 3.2 estimados como necessários para fazer face aos descalabros provocados pelos dois ciclones.

Mesmo assim, o Governo moçambicano não entrou em pânico e pela voz do Presidente Nyusi deixou claro que os próximos tempos trarão alternativas para a cobertura do défice prevalecente, prometendo mais trabalho com os parceiros de desenvolvimento de modo a identificarem-se outras soluções de financiamento.

Em geral, são contas de outro rosário. Até porque por estas alturas muitos afectados também já estão a fazer as contas à sua própria vida, reconstruindo como podem o que ficou danificado. E agora com um denominador comum: obras resilientes. Não vá o diabo tecê-las nas próximas épocas ciclónicas!

Venho hoje, no entanto, a terreiro, comentar duas intervenções à volta desta conferência.

A primeira, considero-a, desde já, um momento mágico, foi do presidente do Conselho Autárquico da Beira que afirmou mais ou menos o seguinte:

- “Ao organizar-se esta conferência na Beira, os moçambicanos mostraram a sua capacidade de superarem os interesses privados olhando para o bem comum: a vida”.

Achei, de facto, alguma magia nestas palavras vindas de quem vieram e dirigidas a quem se dirigiam, principalmente se nos recordarmos que nos dias que se seguiram ao ciclone o presidente da autarquia andou, por assim dizer, fugindo e a tentar enfrentar a situação “a solo”, o que era naturalmente difícil. Creio que a própria dinâmica lhe chamou à razão.

Lembro-me de ter ouvido Nyusi a questionar a ausência de Daviz Simango num dado momento da sessão do Conselho de Ministros, que teve lugar na Beira, mesmo tendo sido informado, segundo respondeu o governador da província, Alberto Mondlane.

Por outras palavras, diríamos que Simango se superou a ele próprio ao entender que estava do lado errado da história. E ainda bem que assim foi, porque só de mãos dadas poderemos enfrentar estes desastres e outros que virão.

Cabem aqui igualmente as palavras do Presidente da República segundo as quais “Moçambique é nosso país, a cidade da Beira é nossa e Sofala também é nossa província”.

A segunda intervenção veio de um entrevistado da Rádio Moçambique que, na contramão, se expressou nos seguintes termos:

- “A Conferência de Doadores está cheia de pessoas que vieram de Maputo. O que é que vieram fazer aqui? Quando estávamos a sofrer, estavam todos em Maputo e agora que  se está a falar de dinheiro já estão aqui. O que é que vieram fazer aqui?”

As declarações deste compatriota só podem nos ter deixado atónitos e incrédulos pelo nível de insuperação que demonstraram.

De qualquer modo, prefiro deixar que seja o tempo a ajudar este compatriota a superar-se, porque efectivamente sem ajuda dos outros a vida seria muito mais complicada depois do ciclone na Beira.

Aliás, com ou sem ciclones, todos somos poucos e precisamos de todos para então podermos superarmo-nos.

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