Consonâncias: Djuba no advento da boa nova - Sauzande Jeque

 

COM moradores que já vivem há mais de duas décadas neste cantinho de Boane, que se chama Djuba, tenho conversado para partilhar o lamento da escassez de água potável.

Quando a empresa Mozal veio plantar aqui uma aldeia, que se chama Nkala, muitas pessoas de classe média vieram ocupar também largos terrenos com a construção de edifícios imponentes, mas principalmente espaçosas quintas, devidamente protegidas por altos muros.

Na altura, ainda não se previa a crise de água que veio a surgir depois. Fala-se que houve gente com iniciativa e dinheiro que tentou abrir furos. Mas o resultado foi nulo, porque o nosso subsolo só fornece água salgada por influência do rio Matola, que se alimenta das marés da nossa baía. Mas fui descobrir que este rio é um pouco segregacionista, como se fosse um mau padrasto para os moradores desta margem pertencente a Boane. Do lado da antiga Texlom, há quem tenha furos com água potável ao longo de todo o ano.

Mas contra as desventuras dum rio, não há nada a fazer. Há quem defenda que o problema está nas técnicas aplicadas no processo de abertura dum furo. Que existem locais onde a água potável prefere morar no fundo das profundezas do subsolo, depois de ultrapassar dois ou mais lençóis de água imprópria para o consumo humano. E quando é assim, o investimento é robusto e não atingível para qualquer aventureiro.

Pressupunha que todos os moradores da aldeia Nkala e seus vizinhos mais próximos fossem beneficiar eternamente desta água, por terem vindo cá parar pela mão portentosa da empresa que ostenta o símbolo de elefante. Só a sombra do paquiderme dar-nos-ia guarida que baste para que não passássemos meia década sem água por estas bandas.

Mas, infelizmente, aconteceu. As mudanças climáticas fizeram das suas e os rios secaram. Hoje, graças à generosidade do eSwatini, os “Libombos” já conseguem bombar um pouco mais de água para a região do Grande Maputo. Como não se pode esperar que a sorte venha apenas dum lado, por sinal fora do país, abraçou-se, de forma inteligente, o rio Incomáti, que também passará a abastecer água à capital do país.

Alimentados por esse advento, as esperanças começam a ganhar corpo, quando, pelas ruas e ruelas de Djuba, já estão em fase conclusiva os trabalhos de instalação da tubagem mais volumosa para receber e distribuir a água pelas residências. Os incrédulos ainda vão aguardando, ao estilo de São Tomé, até ao dia em que a água vai desenferrujar as suas torneiras secas, carcomidas pelo tempo.

Nestes anos sem água canalizada, as alternativas têm sido, até agora, o trabalho incansável dos camiões aguadeiros que, usando tanques, vão abastecendo os moradores, aos preços que oscilam entre mil e oitocentos a dois mil meticais, por cada cinco mil litros de água potável.

Por isso, o advento desta boa nova já enche de ansiedade a todos os moradores desta parcela pertencente a Boane e muito próxima da cidade da Matola.

Forte abraço.

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