VAI ser assim de hoje em diante. O encontro está marcado para todas as quartas-feiras, para breves conversas. Temas? Não me vou amarrar a um só. Abordarei vários assuntos, desde vivências até actualidade política, social, económica e cultural.

Depois deste breve introito, em jeito de apresentação, eis a vivência que me proponho a partilhar, neste que é o primeiro encontro com o leitor neste espaço. Vou, por conseguinte, apresentar a Minha Óptica.

Quis a sorte que a meio da tarde de um dia de sol intenso fosse destacado pela chefia da Redacção para fazer a cobertura de um acordo de financiamento ao sector da Saúde. O acordo tinha como signatários os governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América (EUA).

Porque a cerimónia teria lugar num dos andares do prédio JAT, a uns passos da Redacção do “Notícias”, não foi preciso usar a viatura, desafiando o sol intenso que se fazia sentir naquela tarde. Peguei no meu bloco e esferográfica e, na companhia do colega da fotografia, fiz-me à estrada. Caminhei pela Avenida 25 de Setembro e em menos de 10 minutos cheguei ao local dos acontecimentos. A cerimónia estava prestes a acontecer e o pessoal do protocolo esmerava-se para que nada falhasse.

Exactamente à hora marcada, os signatários do protocolo fizeram-se à sala e sem delongas começaram a rabiscar aquele calhamaço de papéis, ante um silêncio sepulcral dos presentes. A papelada foi assinada pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Leonardo Simão, enquanto os Estados Unidos foram representados pelo embaixador deste país, cujo nome não me veio à memória no momento em que gatafunhava estas linhas.

Seguiram-se os discursos de praxe e o inevitável brinde augurando a fortificação das relações diplomáticas entre Moçambique e a “Terra do Tio Sam”, como também são conhecidos os Estados Unidos.

Porque o acordo era para ser implementado no sector da Saúde, era forçosa a presença do ministro do pelouro, na altura Francisco Songane, um tipo de trato muito simples, talvez a condizer com a sua estatura física de homem magro.

É esta simplicidade que o faz ou o fazia passar despercebido em muitos eventos. Terminou toda a parte formal e toda a gente começou a dispersar-se. Quando Songane estava prestes a entrar no elevador foi interpelado por dois homens que o barraram: “Este elevador está reservado para os ministros, pode usar as escadas”.

A ordem tinha sido dada por dois seguranças de uma robustez física invulgar. Fortes e altos e com cara de poucos amigos. O nosso ilustre não pronunciou uma única palavra e seguiu a orientação para usar as escadas.

Eu e o meu colega de imagem tratámos de chamar à razão os dois seguranças, explicando que acabavam de desrespeitar o ministro da Saúde. Seguiram-se momentos de grande preocupação. Ensaiaram uns passos atrás do ilustre, mas era tarde demais. O leite estava derramado.

Episódios destes acontecem muitas vezes e resultam do facto de as pessoas não se preocuparem em obter um mínimo de informação sobre os nossos dirigentes, por um lado, e, por outro, os organizadores de certos eventos cometerem algumas falhas protocolares de bradar aos céus.

Abraços e até a semana que vem.

António Mondlhane - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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