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JÁ NÃO era sem tempo! Quem diria, que um dia o choro dos artistas seria ouvido? Mas finalmente este grupo social que trabalha no regime por conta própria “também” já pode contribuir para a sua reforma, de acordo com o seu rendimento. Agora ao descontar para a “Segurança Social”, eles vão “igualar-se” aos trabalhadores de “escritório/gabinete”! Os nossos artistas já precisavam! Há décadas que eles travavam essa luta que parecia inglória. Ninguém lhes dava ouvidos. E desse grupo especial, os músicos foram os mais penalizados: parece que eles só serviam para “tocarem uma musiquinha” em determinadas situações e depois recebiam um “bendix”, daqueles xutos no traseiro! Os músicos viram as suas vidas empurradas para o buraco da pobreza extrema. Numa altura em que o mercado de shows, elitizava-se e os produtores de espectáculos “davam pão” aos mesmos amiguinhos e afilhados “inscritos” num “circuito fechado”. E quem não fizesse parte desse “circuito/sistema” que se danasse…o problema seria dele e de sua família! Por conta disso, muitos músicos foram proibidos de viver. Uns desapareceram como músicos, viraram ajudantes de pedreiro... Quem não se reinventou, morreu desgraçado. Refiro-me a geração do “amor à camisola” e do patriotismo. Este grupo foi o mais penalizado, apesar de terem perdido toda a sua juventude a cantar Moçambique e toda a sua essência. Assim, com este feito alcançado com o INSS, pode ser visto como uma vitória e, uma homenagem àqueles que ao longo destes anos morreram na penúria.

A propósito de dificuldades da classe de músicos, vou lembrar alguns episódios tristes:

Pouco antes da morte do cantor Francisco Mahecuane, com 82, ele quis cumprir com uma promessa antiga: a de levar a sua mulher ao altar. Com alguns problemas de saúde, nomeadamente dificuldades de mobilidade, Mahecuane contraiu o matrimónio “upado” de um lado para o outro, em cadeiras plástica, simplesmente por falta de uma cadeira de rodas!… Diga-se, uma imagem revoltante e traumatizante! E aquele ali era o autor do hit “Modaskavalo”, cuja música era sinal que abria há décadas a emissão da Rádio Moçambique, no período em que as emissões eram interrompidas!

Outro músico da Zambézia, Dr. Mussa Rodrigues, um deficiente visual morreu no meio de dificuldades, curiosamente numa altura em que o governo provincial e o governo municipal disputavam “politicamente” quem seria o primeiro a levá-lo ao hospital! Quem seria o primeiro a indicar o melhor  médico da cidade! E enquanto discutia-se nos gabinetes, estratégias de como apoiar o cantor, a doença evolui impiedosamente. E Dr. Mussa não resistiu. Um mês antes da sua morte, fui entrevistá-lo na sua residência, no Bairro Sampene em Quelimane. Na ocasião estava só, a esposa, nas palavras dele, “tinha ido procurar djamo” (copito de farinha de milho). Queixava-se de fome! Falta de comida. Entretanto, ele era o autor da famosa música “Nós Somos Cantores”.

Outro cantor zambeziano João Júlio Patinho autor de “Mwana Mutxuabo Kankala Burutu” morreu de qualquer maneira, vítima de picada de uma serpente no início da década noventa em Mudi, distrito de Mocuba. Ele vivia só e com gritantes dificuldades financeiras. O seu corpo foi encontrado no interior da sua cabana dias depois em avançado estado de decomposição.

Apagava-se de forma estúpida uma das grandes referências da nossa música. Hoje os machuabos são conhecidos pelo epíteto de “Mwana mutxuabo”, por conta do tema que ele cantou da década 70.

Em Maputo, o músico Eugénio Mucavele tratado carinhosamente pelos seus fãs por “Mali ya Phepa”, um poeta social, quando faleceu por doença em casa, o seu corpo foi encontrado “de qualquer maneira”! Por falta de dinheiro, “por um tris” os seus restos mortais quase pararam na vala comum… o governo e a “associação dos músicos” disseram logo: não temos orçamento! Foi a editora J&B Recording que deu um funeral condigno!

Mas a máxima aconteceu aquando da morte da cantora Elsa Mangue. A transladação do corpo da artista para Zavala, sua terra natal província de Inhambane, foi antecedida por um velório na capela do Hospital Central de Maputo, local para onde acorreram amigos, familiares e fãs.

Na hora de colocar a urna na viatura de caixa aberta, uma parte da mesma ficou de fora. Ou seja, a urna não cabia! E para evitar que o caixão eventualmente tombasse por um descuido, foi amarrado com cordas! Não vou continuar a descrever esta cena, em respeito à malograda que tive o privilégio de conviver profissionalmente com ela, e que tornou-se na primeira artista moçambicana a ganhar um prémio internacional como “cantora revelação africana” pela Rádio France International (RFI). Aqui dentro arrecadou  prémios no “Ngoma Moçambique” e “Top Feminino”.

Alexandre Langa quando morreu o corpo foi transladado para sua terra natal Ndavene, em Mabunganine, distrito de Chibuto. O carro que transportou os seus restos mortais, ao deixar o labirintoso bairro “ka Vieira” (Maxaquene “B”) ao pegar o alcatrão, o motorista mostrou que tinha pé de tijolo… não sabia andar devagar… o carrosó faltava descolar e voar… aquele motorista parece que tinha andado na mesma escola de condução dos pilotos Michael Schumacher e Ayrton Senna. Mas que desrespeito para com os nossos mortos e, logo com um ídolo daquela dimensão! E não foi por acaso que Joaquim Chissano, na altura Presidente da República de visita privada a Maleice, fez questão de deslocar-se a Mabunganine para encurvar-se perante o corpo do músico. Chissano reconhecia a grandeza de “Kid Munhamana” e, a valiosa contribuição que deu ao país.

Agora com esta contribuição para o INSS, seguramente que a vida de muitos artistas nunca será como dantes! Será bem melhor! Afinal, de verdade, Moçambique está mesmo de volta!

Albino Moisés - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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