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LOCALIZADA no extremo norte da província de Cabo Delgado, fazendo fronteira com a República Unida da Tanzânia, através do Rio Rovuma, Mocímboa da Praia é um distrito que ocupou, entre a primeira e a segunda semana de Outubro, as primeiras páginas de jornais, telejornais, noticiários de rádio, não apenas de Moçambique, como também da imprensa internacional. As razões para tal mediatismo são sobejamente conhecidas e, por isso, não irei “perder muito tempo” a falar delas.

Ao decidir abordar o tema move-me o interesse e a vontade de partilhar com os leitores, algumas inquietações que resultam da falta de informações relativas às motivações que levaram dezenas de jovens a rebelarem-se contra a autoridade instituída. Por outro lado, pretendo usar este espaço para levantar algumas questões que considero pertinentes, com a finalidade de contribuir para uma reflexão que se impõe, sobre o estágio actual da nossa sociedade, particularmente nos domínios das liberdades individuais…

Há pouco mais de um ano foram postas a circular informações apontando para a possível instalação, nas “bandas” da Mocímboa da Praia e em outras regiões de Cabo Delgado e de Niassa, de grupos integrados por extremistas islâmicos do Al Shabab. E que tais grupos tinham como objectivo desencadear acções de desinformação e ataques semelhantes àqueles que são realizados na Nigéria, Camarões, Somália, Iémen e noutras regiões do norte de África.

No primeiro momento não dei crédito a tais informações por achar impraticável que cidadãos estrangeiros possam “assentar arraiais” no território nacional sem a necessária autorização de quem de direito. O tempo foi passando e com ele o avolumar de mais notícias sobre o mesmo assunto. Entretanto, apesar do crescimento progressivo de tais informações, nenhuma voz das autoridades governamentais apareceu a desmentir ou a confirmar os dados. Mais preocupante ainda, as autoridades não apareciam a tranquilizar os cidadãos e informando-os sobre possíveis medidas que estariam a ser tomadas para eliminar o possível mal.

E chegou o dia fatídico. Pela manhã de sexta-feira, 6 de Outubro, Moçambique e o mundo são surpreendidos por relatos da comunicação social e das redes sociais dando conta da ocorrência de ataques contra instalações da Polícia. Ataques esses protagonizados por um grupo ainda não identificado. O povo, esse que muitos meses antes ouvira falar de Al-Shabab, apressa-se a “confirmar o que já se sabia”. Como é do domínio público, os ataques que duraram quase 24 horas resultaram na morte de dois agentes das autoridades e  de mais de dez membros do grupo atacante, e ferimento de muitos outros, para além da detenção de mais de cinquenta, segundo informações das autoridades policiais.

A forma como o ataque foi conduzido parece indicar que as Forças de Defesa e Segurança foram apanhadas de surpresa. Por outro lado, e pelos relatos da comunicação social, os atacantes demonstraram alguma destreza na condução dos ataques e no manuseio das armas, indicativo de que os tipos terão recebido alguma preparação militar ou pelo menos paramiliatar em algum lado. Este dado levanta a questão de se saber onde é que eles foram treinados e quem os treinou… Perante estas evidências, e sobretudo, considerando que os “boatos” sobre tais movimentações suspeitas já abundavam, não se pode (eu não posso) aceitar que as autoridades tenham sido apanhadas de facto de surpresa. Assim sendo, levantam-se várias questões:

1) Admitindo-se que as autoridades tiveram conhecimento (oficialmente sem fundamento – atenção: há informações que dizem que as autoridades foram comunicadas) da existência de grupos suspeitos a circularem livremente na região, porque é que não trataram de aprofundar as investigações para apurar a veracidade ou não dessas informações?

2) Admitindo-se que as informações (oficialmente sem fundamento) foram investigadas, a que conclusões chegaram as autoridades e porque é que não foram tomadas medidas preventivas?

3) Admitindo-se que os jovens são da região, o que significa que vivem nas comunidades, e por isso, filhos, sobrinhos, pais, enteados, tios, de “alguém”, portanto, são conhecidos, porque é que as autoridades não se aproximaram dos seus parentes, para aferirem sobre o que os jovens estavam a tramar?

4) Tendo demonstrado como as autoridades admitiram, alguma preparação de natureza militar, levanta-se a questão de se saber onde é que foram treinados e quem os treinou…

Marcelino Silva

 

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