TANTO se fala, tanto se escreve sobre esta maldade. Mas pouco ou quase nada muda. É tudo ao contrário à máxima segundo a qual “água mole em pedra dura bate até que fura”.

Para o caso, a água dura em pedra mole bate e nunca fura. Refiro-me, pois, à problemática do transporte escolar. Aquelas carrinhas prenhes de problemas mecânicos, desde pneus carecas, passando pela falta de buzina e travões, até à falta de seguro do veículo e da ficha de inspecção, mas que teimam em transportar aquelas “flores que nunca murcham”, de casa para a escola e vice-versa.

Arrepia-me os cabelos quando vejo crianças ensardinhadas naquelas carrinhas, correndo riscos de vida. Às vezes me interrogo: será que nós, pais e encarregados de educação, não sabemos que perigos correm os meninos ao serem transportados em condições de insegurança rodoviária permanente? Por que razão arriscamos na celebração de contratos com transportadores cujas viaturas não oferecem mínimas condições para o exercício da actividade? Meia culpa para nós, meia culpa para os proprietários dessas viaturas e meia culpa também para os condutores que aceitam fazer-se à estrada em carrinhas com deficiências mecânicas graves e, nalguns casos, insanáveis.

Mas há ainda uma meia culpa, talvez não meia, mas grande culpa, para a Polícia Municipal que pouco ou nada faz para penalizar exemplarmente os refractários. Todos os dias deparamo-nos com estes agentes nas principais ruas e avenidas da cidade “fingindo” a prestação serviços. Digo fingindo porque se tais agentes estivessem a exercer, efectivamente, o seu mandato, o número de carrinhas com deficiências mecânicas teria reduzido, significativamente, nas estradas e as nossas crianças estariam a ser transportadas de casa para a escola e vice-versa em óptimas condições de segurança.

Nesta área, aqueles serviços assemelham-se ao mundo da selva. Ou seja, salve-se quem puder. Com a polícia todos se entendem, bastando, para o efeito, “ver o que fazer”.

Os proprietários das carrinhas rubricam contratos para o transporte de estudantes, uns vivendo no bairro Patrice Lumumba, outros em Mahlampswene e outros ainda em Khongoloti ou 1º de Maio, obrigando a rapaziada a levantar-se cedo e a deitar-se tarde demais, devido às voltas que a viatura faz. Triste e penoso. Que rendimento escolar se augura para estes meninos?

Eu tenho um despertador especial na zona. Uma das carrinhas que faz a recolha dos estudantes passa por volta das cinco horas. O condutor, ignorando o repouso dos outros, faz cada tipo de acelerações e buzinadas de despertar um defunto. Música muito alta como chamamento ao seu cliente. A partir daí, não há mais sono. Uma vez, isto no ano passado, interpelei-o cobrando respeito pelo descanso dos outros. A discussão foi tão acesa que o tal motorista, achando-se com toda a razão do mundo, continuou com a arruaça própria de barracas. Não quis ser igual ou pior que ele. Comparei-me à águia, aquela ave que voa lá nas alturas e que nada tem a ver com as moscas a baixo.

Tais são, entre outras, as diversas práticas que devem ser sancionadas sem contemplações porque, acredito, dispositivos que regulam o exercício de transporte em regime de aluguer existem em demasia, mau grado, guardados nas gavetas.

Salomao Muiambo-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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