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Há reportagens antigas  – nos jornais e televisões -  que já falaram disso: meninos de rua que deixaram de morar nos passeios e nas varandas, e ainda em prédios abandonados e outros edifícios, e estabeleceram a sua residência na lixeira do Hulene, na  capital do país. É isso mesmo: usam as grutas construídas pelos montes de lixo como suas casas, ou construiram abrigos com papelão e sacos encontrados no local. Instalaram-se, e aos poucos tornaram-se dali. Quer dizer, eles – os meninos – e o lixo, passaram a ser, juntamente com os detritos, elementos do mesmo corpo. Ou por outra, passaram a ser o mesmo corpo.

Contrariamente aos que construíram habitações nas imediações do depósito dos resíduos recolhidos na cidade de Maputo e arredores,  os meninos estabeleceram-se no coração da lixeira. Tranformando o lugar numa espécie de Sodoma e Gomorra. E aqueles que conhecem a história, sabem que é perigoso tentar qualquer aproximação àqueles indivíduos, alguns deles já adultos. Se fôr para perder, eles já perderam tudo, e nunca vão perder mais nada se espectarem uma navalha à qualquer estranho, ou violá-lo sexualmente.

Estes são os donos da lixeira, que pareciam não existir no dia em que houve o aluimento que matou e destruíu casas. Ninguém se lembrou deles. Mas eles estão lá, nas grutras ou em casas de papelão e sacos. São pessoas que se tornaram uma espécie de cães vadios. Porque entre eles e os cães vadios que andam na lixeira, a diferençaé que uns são quadrúpedes e outros – os meninos – são bípedes. Essa é aúnica diferença. Porque no resto eles são iguais: alimentam-se dos mesmos restos de comida putrefacta que é atirada para ali. Revolvem o mesmo lixo tóxico hospitalar. Respiram o  mesmo fumo. São varridos pelos mesmos ventos e molhados pela mesma chuva.

São muito unidos – os meninos. Os cães também. Quando é para atacar, atacam em grupo, e depois dividem o produto entre si, sendo que o maior quinhão será reservado ao chefe. Eles também têm um chefe, que é religiosamente respeitado. Os cães também têm o rei deles.

Ao que parece, os meninos não foram atingidos pela tragédia de Hulene. Porque eles fazem parte do lixo. Eles são o lixo humano, noutra dimensão. Controlam a situação, por isso escaparam. Provavelmente.

Apesar de toda essa marginalização, eles fazem parte da sociedade. Eles são produto da nossa indiferença. Do nosso cinismo. Olhamos para eles e o que vemos é lixo. O que é lixo, vai à lixeira. E os meninos estão lá, na lixeira, porque  a sociedade os atirou para aquele lugar imundo. Repugnante para uma pessoa normal. Signfica, por outro lado, que os próprios meninos já assumiram a sua condição.

É inaceitável termos uma Sodoma e Gomorra na capital do país, sem que ninguém mova palha. Deviamos nos sentir envergonhados todos nós, moçambicanos, perante esta situação.

E de todas as noticias nenhuma reportou a morte dos meninos da lixeira. É tão simples como isto: eles não morreram, porque são os donos da lixeira !

Alfredo Macaringue

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