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PARECE cada vez mais evidente que o famigerado Estado Islâmico foi derrotado militarmente, principalmente no Iraque como na Líbia, sendo que por estes dias o grupo está reduzido a algumas forças dispersas, que encontram “sobrevivência” em pequenas regiões na Síria – onde a qualquer momento será anunciada a sua derrota definitiva. É o fim de um pesadelo que nasceu e cresceu graças, por um lado e principalmente, à existência e persistência de mentalidades que teimam em negar a evolução que o mundo alcançou, e, por outro, a existência de mentalidades que vivem da destruição de países para deles tirarem tudo quanto sejam riquezas.

Como se sabe, o famigerado Estado Islâmico nasceu e se desenvolveu imediatamente após a invasão e destruição do Iraque pelos Estados Unidos da América e na sequência da invasão e destruição da Líbia pela NATO-Estados Unidos da América e, mais recentemente, após o desencadeamento da guerra pela “democracia” na Síria, apoiada precisamente pelos Estados Unidos da América e seus aliados.

Tanto no Iraque como na Líbia o crescimento exponencial da organização, tanto do ponto de vista de recursos financeiros e humanos, assim como no capítulo militar, ficou a dever-se a factores tais como a existência de um contingente descontente de antigos militares, entretanto marginalizados após o derrube dos governos de Saddam Hussein e de Muhamar Kadhafi, respectivamente e, por outro, devido a fragilidade dos sistemas de governo entretanto instalados.

A política de terror instalada após a ocupação de vastas regiões, nos dois países, nomeadamente as execuções públicas de elementos que não apoiassem a causa, acabaria por servir de factor desencorajador perante quaisquer tentativas de deserção de quem lá estivesse. Foi neste clima que aquela organização terrorista foi crescendo, espalhando terror, não apenas nas regiões sob a sua dominação, como em praticamente todo o mundo.

Poder-se-á dizer que a rápida expansão, assim como a força com que se apresentou publicamente apanhou o mundo de surpresa. Eu acho que não. Pois, tanto Saddam Hussein como Muhamar Kadhafi, avisaram inúmeras vezes que existia, e era latente a possibilidade do surgimento de organizações extremistas nos seus países e que perante tal facto, a solução encontrada foi a de governar com mão dura… E que a introdução da democracia apregoada pelo Ocidente devia obedecer a critérios baseados no respeito da cultura dos povos da região. E que por isso nada devia ser imposto sem a observância dos modos e das formas de ser e estar dos povos daquelas zonas.

Infelizmente, e como já vem sendo habitual, os “donos” do mundo desconsideraram autenticamente os avisos. Para lograr os seus objectivos, trataram, primeiro, de mandar matar Saddam Hussein e Kadhafi. De seguida desestruturaram os países e finalmente instalaram os seus fantoches na liderança dos dois países. Como estamos lembrados, a desestruturação versus descaracterização dos dois países, incluiu a desmobilização total das chefias das forças armadas e das forças de segurança, abrindo-se brechas difíceis de fechar.

Como consequência escancaram-se as portas para a instalação de facto das bases do Estado Islâmico. Note-se aliás, que grande parte do equipamento militar com que com uma facilidade e simplicidade impressionantes tomaram vastos territórios, incluindo grandes cidades, forma “capturados” em quartéis liderados por militares acabados de ser (mal e apressadamente) formados e sem qualquer tipo de experiência. Ou seja, ao primeiro tiro, muitos desses militares fugiram ou renderam-se e obrigados a integrar as fileiras da organização extremista.

O que se seguiu é o que todo o mundo assistiu horrorizado, nomeadamente a instalação de um regime guiado por uma política de terror, com assassinatos de todos quantos se opuseram à sua política de regresso ao passado, as execuções públicas e horrorosas de jornalistas estrangeiros e de trabalhadores de algumas organizações internacionais, entre outras acções bárbaras, de negação de liberdades, igualdade de direitos e deveres entre o homem e a mulher, nomeadamente a liberdade de perante a lei, cidadãos sem distinção de sexo e/ou de confissões religiosas (católicas, protestantes, islâmicas, judeus, entre outras crenças), terem acesso ao mesmo tipo de ensino, ao mesmo tipo de emprego, ao mesmo tipo de formação técnica-profissional….

Marcelino Silva

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