DORES de cabeça, lágrimas ressecadas, lamentações, raiva e vontade de mudar o tempo, alterar as horas, transformar as circunstâncias, mover os dados a seu favor. O sentimento de arrependimento tomava a jovem Carmelita. Olhando para o “flash”, visualizando os quadrados que substituíram as palavras que geometricamente escreveu na madrugada, lamentava.

Pausa, pausa, pausa… antes de continuar com a conclusão do texto “No joelho”, deixe-me dizer que este é o último da coluna “Docente Exemplar”. Não digo que não voltarei a escrever sobre o professor, mas este texto marca o final de um ciclo, de uma temporada. Ficam artigos por publicar, palavras por dizer, questões por responder, mas o facto é o facto.

Continuando, a Carmelita estava desesperada, sabia que tinha perdido o ano, que já não poderia voltar para casa, que faltavam 45 minutos para a aula terminar, mas não dispunha de tempo e poderes para voltar à sua residência, levar o trabalho no seu computador de mesa e voltar a faculdade para imprimir e entregar o trabalho. 

“Mas porquê deixou tudo para a última hora?”, questionava-se de, forma insistente, mas a resposta teimava a sair.

Deixa-me reconstituir os factos, como fiz com os outros textos. Vamos a este exercício:

NOITE INVULGAR

Faltava vontade, o desejo de sentar no computador, a força para usar os dedos e escrever o trabalho, que o professor exigiu há mais de um mês. Um sono profundo tomou Carmelita. Entrando em suposições, aposto que ela sonhou a entregar o trabalho em condições.

“Parabéns pelo trabalho, está bem estruturado, seguiste todas as regras, todos os procedimentos necessários. É prematuro dizer isso antes da entrega, mas tens a melhor nota”, aposto que ouvia no sono.

Acordou a Carmelita, eram 3.00 horas. Vamos trabalhar: digitava de forma incansável, procurava a todo o custo terminar a missão. Em alguns momentos os olhos se fechavam, pois o sono é mais forte, mas ela sobrevivia e continuava a escrever.

“Nnnnnnnnnn.iiiie etsdv c,nkcdv nfhkgfm”, palavras sem sentido foram escritas, pois o sono venceu um combate e ela deixou os dedos a navegarem nos teclados sem norte, sem intenção.

“Força! Vamos Carmelita, ainda vais terminar!”, gritava para si mesma, enquanto procurava da motivação certa. Mas será que um trabalho científico é feito apenas com motivação? Não, são necessárias horas de investigação.

“Quando temos de cumprir prazos, o importante é escrever”, justificava.

São 6.00 horas, o momento da preparação: banho, roupas, perfume, “flash” no computador e trabalho digitado no computador no “flash”.O carro está em movimento, por mais que reze, não existem palavras dividas que tele-transportem a viatura, que tem cerca de tonelada, para a faculdade.

“Tenho um trabalho por imprimir, não podes ser mais rápido? O docente é pontual, peço para acelerar”, dizia.

O motorista ouvia, mas dentro de si falava: “A culpa não é minha, que tivesses feito o trabalho a tempo”.

Desceu do carro, correu, procurou o centro de cópias, que no momento estava fechado. Olhou para o relógio, que marcava 7.20 horas. “Não se preocupe, o local abre daqui há 20 minutos”, disse uma das colegas, que também aguardava a abertura do espaço para a impressão do seu trabalho.

Ficou tranquila, tirou o celular e teclou, cumprimentou todos os seus amigos do Facebook e WhatsApp que estavam activos. Cansou-se. Abriu um “game”,jogou, mas antes de terminar a responsável pelo centro de cópias chegou.

Entregou o “flash”, abriu a carteira e seleccionou as moedas para a impressão.

“Não está a abrir, o documento está corrompido”, disse a responsável pelo centro de cópias. Carmelita escutou as palavras, aproximou-se ao computador, mas de nada valeu. Passaram 20 minutos e nada, realmente, o documento estava corrompido.

Entrou na sala, procurou justificar-se junto do docente, mas de nada valeu. Pensou em voltar para casa com um “flash” em melhores condições, mas já não havia tempo.

- Peço para enviar por “email”.

- Não! O trabalho deveria ser entregue na semana passada, mas alargamos o prazo para hoje e mesmo assim ainda me vem com estas histórias.

- Não são histórias prof. é o “flash”...

Enquanto Carmelita falava, o docente tirou uma nota de 500 meticais e disse:

- Compre um “flash” melhor, que no ano que vem voltarás a ser minha estudante e de novo terás de entregar o trabalho.

Glória Maria-Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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