MUITAS levantam-se ao nascer do sol e só se deitam depois das 10 horas da noite. Mas mesmo assim, conseguem cuidar dos filhos e do lar, embora lhes seja difícil quando se encontram na situação de terem que dividir o tempo entre o emprego e as tarefas domésticas.
É assim como os nossos entrevistados descreveram a situação de uma mãe nos tempos que correm. Para alguns interlocutores, a luta que esta enfrenta para conseguir alimentos para a família, por vezes, se sobrepõe à atenção que se deveria ter para as crianças, sobretudo no que diz respeito ao acompanhamento diário do desempenho escolar. Outros, porém, são de opinião que nada justifica a falta de atenção da mãe para com os filhos, pois entendem que o pouco tempo de que ela dispõe é suficiente para educar e orientar a criança para o melhor.

Julieta Mabunda, cuja idade desconhece, vive esse dilema no seu quotidiano. Conta que, em tempos, ia à machamba às cinco da manhã e regressava à casa até a uma da tarde. Facilmente, conseguia conciliar as tarefas domésticas e verificar se os filhos realizaram os trabalhos de casa, os deveres da escola e ainda lhe sobrava tempo para dialogar com eles.
Contudo, segundo a nossa fonte, nos dias que correm a situação mudou. Aponta o custo de vida como sendo um dos principais factores que contribuem para que as mães tenham pouco tempo para se dedicar aos filhos. Têm que redobrar os esforços para conseguir mais e melhorar a renda familiar a fim de alimentar os filhos, o que acontece, muitas vezes, em detrimento da convivência com estes. Um outro aspecto por ela apontado tem a ver com a existência de mães que fazem filhos sem que estejam preparados para tal.
Mabunda diz que trocou a machamba pela actividade de limpeza num estabelecimento de ensino, facto que mudou a sua rotina, pois só consegue regressar à casa no final do dia, tal como acontece com muitas outras mulheres. Mesmo assim, a nossa fonte contou que não lhe falta tempo para dialogar com os filhos e os netos sobre as suas preocupações e o futuro destes.
“Mesmo em tempos, enquanto trabalhava na machamba, encarregava os filhos mais velhos para cuidarem dos mais novos. Hoje em dia, esta tarefa é desempenhada por empregadas domésticas. O que eu sinto é que as crianças já são mais exigentes, gostam de experimentar e questionam muito. E as mães devem estar preparadas para responder a todas inquietações dos filhos”, referiu.
INTERACTIVIDADE É FUNDAMENTAL

PARA Sebastião Magaia, 42 anos, professor, as mães desempenham um papel fundamental na educação dos filhos. Contudo, no seu entender, as responsabilidades devem ser repartidas entre mães e pais.
“Se a mãe não está disponível, o pai deve estar apto para ajudar. O contrário também serve. Actualmente, as mulheres vão ao serviço. Há aquelas que despegam às 17 horas e logo a seguir vão à escola e só regressam à casa depois das 20 horas. O importante é ter uma estratégia de compensar o tempo e contratar uma empregada para ajudar”, sugere Sebastião Magaia.
Magaia entende que os pais podem apostar nos fins-de-semana e feriados para dialogar abertamente com os filhos e sempre que voltarem do serviço verificar se os seus educandos têm algumas actividades a realizar e, se possível, ajudar a orienta-los.
“A interactividade é fundamental. A mãe e o pai não devem apenas dar tarefas aos filhos. Eles devem trabalhar juntos para que as crianças aprendam como fazer melhor. Se é para se fazer limpeza, é sempre bom que todos participem na actividade”, entende.


Para Magaia, uma mãe, mesmo que seja solteira, deve ser capaz de lidar com os filhos e nunca desistir de chama-los atenção e falar da realidade da vida.
Em relação a algumas atitudes reprováveis, Alexandre Mazive, um outro indivíduo a quem abordamos vai mais longe. “Assistimos com tristeza a situações de certas mães que quando solicitamos para conversar sobre o comportamento dos filhos, alegam estarem cansadas do comportamento da criança e que a escola deve decidir o que fazer”, lamentou Alexandre Mazive, um professor de 55 anos de idade.
PREOCUPAÇÃO É APENAS COM OS MAIS NOVOS

A Directora-adjunta Pedagógica da Escola Primária Completa das FPLM, Constância Cuna, diz que a maior parte das mães acompanham mais a educação dos filhos do primeiro ciclo, isto é, crianças de 1ª e 2ª classe. “No primeiro ciclo há uma boa participação dos encarregados. A partir da 3ª classe, os pais usam mais os irmãos das crianças. No terceiro ciclo, pior. Ai é que são poucos os encarregados que participam quando convocados para reuniões”, referiu.

Instada a comentar as razões para essa atitude, Constância Cuna fez saber que os pais alegam a falta de tempo devido à ocupação em outras actividades. “A mãe, no passado, dedicava-se inteiramente as lides domésticas. Tinha todo o tempo para as crianças, mas agora não, quem cuida da casa é empregada. Nós saímos de casa cedo e só voltamos à noite. Este comportamento influencia na educação dos filhos porque é normal uma mãe não saber da situação do filho na escola. Algumas mães não têm empregada ou alguém responsável para ver se a criança vai ou não à escola. Há casos de menores que terminam o ano sem que tenha aparecido algum encarregado de educação, na escola. Perdem o ano por faltas. O encarregado só aparece no ano seguinte quando quer matricular a criança”.
Para evitar situações de género, segundo a professora Ilda Bernardo, 48 anos, as mães devem continuar a incentivar as crianças a irem à escola e fazê-las perceber a importância da educação para o bem da acriança e desenvolvimento do país.
EVELINA MUCHANGA


