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Categoria: Página da Mulher
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QUANDO a Organização da Mulher Moçambicana (OMM) foi fundada em 1973, a ideia era incluir a mulher na vida política, económica e social do país com vista à sua emancipação. Os resultados deste princípio são visíveis. Nos dias que correm a mulher já consegue por si discutir e propor soluções para os diferentes problemas que afectam, não só a ela própria, mas também a toda a sociedade.

É nesse espírito que representantes de diferentes órgãos sociais que constituem a OMM estão reunidos desde quarta-feira, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, na sua III sessão ordinária do Conselho Nacional para, entre outros assuntos, fortalecer a sua união e discutir os diferentes males que enfermam a sociedade moçambicana, em particular a mulher. Entre estes, está o HIV/Sida, a desnutrição crónica, a xenofobia, a problemática dos cancros do colo do útero, da mama e da próstata e o perigo das intrigas no desenvolvimento do país.

Durante as suas intervenções quase todas disseram estar comprometidas a tudo fazer para consolidar a emancipação da mulher, da unidade nacional e da paz no seio dos moçambicanos com vista ao alcance pleno da igualdade de género e de oportunidades entre homens e mulheres.

Maria de Fátima Pelembe, secretária-geral da OMM, enalteceu os esforços que o seu partido, a Frelimo, e o Governo têm levado a cabo para a consolidação da emancipação e a inclusão da mulher em diferentes esferas de actividade.

Apontou, a título de exemplo, que Moçambique tem pela primeira vez uma mulher a dirigir a Procuradoria da República e outra a comandar a Assembleia da República, para além de muitas outras que ocupam cargos de direcção em vários ministérios e envolvidas em diferentes actividades para o desenvolvimento do país.

Fez saber que a mulher está engajada na busca de soluções para a manutenção da paz. “A mulher moçambicana quer fazer do nosso país um lugar de paz, de solução dos nossos contenciosos com instrumentos da negociação política”, sublinhou Maria de Fátima Pelembe, reconhecendo, no entanto, que ainda há muito por se fazer para uma igualdade plena entre homens e mulheres.

“Estes números mostram o comprometimento do nosso partido em garantir a equidade de género. No entanto, estamos conscientes de que os números alcançados ainda não correspondem aos compromissos assumidos a nível da região (da África Austral) que prevê a participação de mulheres nos cargos de direcção e de chefia em 50 por cento”, recordou Maria de Fátima Pelembe.

Falando na ocasião, a esposa do Presidente da Repúblia, Isaura Nyusi, prometeu fazer tudo que estiver ao seu alcance para dignificar a mulher, bastando para tal ter apoio de toda a mulher, em especial a da OMM.

O “Notícias” falou com algumas mulheres que testemunharam os avanços alcançados em prol da igualdade de género e as barreiras por superar.

APOSTAR NA EDUCAÇÃO PARA QUEBRAR BARREIRAS

LINA OFIÇO, secretária provincial da OMM em Sofala, reconhece que só educada a mulher pode se envolver plenamente no desenvolvimento político e sócio-económico do país.

“Não podemos quebrar tantas barreiras que temos na área da mulher sem que ela se forme”, afirmou Ofiço, acrescentando haver ainda muito trabalho por fazer no sentido de sensibilizar a mulher a fim de encontrar espaço para se formar.

Porém, referiu que não há muito a lamentar porque em Moçambique, em particular na província de Sofala, exite um número considerável de mulheres a formar-se em diferentes áreas.

“Temos mulheres, tanto na área da Saúde, como na Educação, temos grandes mulheres a dirigir instituições a nível das províncias, mas isso não basta. Temos que ir à base porque é lá onde existe a mulher que tudo faz, tudo fez para que as outras hoje tivessem o que têm. Então, é a razão pela qual nós alimentamos essa mulher da base no sentido de ela encontrar esta parte fundamental para que consiga alcançar o desejado, que é o auto-sustento, auto-suficiência, poder estar livre e autónoma nesta vida que é difícil nestes dias”.   

A MULHER ESFORÇA-SE PARA COMBATER A POBREZA

GENEROSA Cossa, membro do Conselho Nacional da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), considera boa a situação da mulher na cidade de Maputo, embora reconheça que ela enfrenta dificuldades ligadas à conjuntura nacional e local.

“A mulher é lutadora, vai à frente, enfrenta os desafios do quotidiano e isso faz com que ela seja, em certa medida, vencedora. A mulher enfrenta dificuldades ligadas ao transporte para ir ao trabalho, à escola e aos seus negócios. A mulher enfrenta dificuldades para poder circular - em algum momento há insegurança - mas mesmo assim ela é batalhadora, faz um esforço muito grande para continuar a combater a pobreza”.

Segundo Generosa Cossa, a OMM tem trabalhado no sentido de encorajar a mulher para esta poder vencer os obstáculos do dia-a-dia.

“A expectativa é que saiamos desta reunião mais enriquecidas, mais inspiradas para podermos conduzir o trabalho que a nossa mulher tem que realizar para combater a pobreza, sobretudo para que seja empoderada do ponto de vista económico e social”, disse.

UNIDAS VAMOS LONGE

MAIS união entre as mulheres é o que Aida Maria Soares, secretária provincial da OMM na Zambézia, entende ser fundamental para que as mulheres consigam fazer frente aos desafios que retardam o desenvolvimento da classe, no país.

“Esparamos sair daqui mais galvonizadas e juntas para o desafio”, salientou, dando nota positiva ao trabalho que é feito pelas mulheres da sua província na luta contra a pobreza.

Por ser turno, Adelina Bernardo, do Conselho Fiscal Provincial da OMM em Gaza, disse que falar da mulher na província que representa é falar das conquistas que esta alcançou logo após a independência.

“Vemos mulheres que não sabiam ler e escrever e foram alfabetiuzadas e já sabem ler e escrever. Falar da mulher em Gaza é falar daquela mulher que luta dia-a-dia para poder ter o sustento da sua família”.

EVELINA MUCHANGA