CADA uma tem a sua narrativa de vida, mas todas têm algo em comum: abraçaram a investigação agrária e florestal para contribuir na adopção de políticas que garantam uma melhor produção e produtividade agrária a nível comunitário assim como para o maneio florestal e preservação de algumas espécies florestais que são muito procuradas para a exploração de madeira tais como jambire, umbila e chanfuta.

Algumas dessas mulheres ganharam bolsas de estudo do Programa African Women in Agricultural Research and Development (AWARD), uma iniciativa que distingue mulheres africanas que lideram projectos de pesquisa e do desenvolvimento da agricultura no Continente Africano.

O programa oferece bolsas de estudo para dois anos e visa acelerar os ganhos ao nível da agricultura, através do reforço das competências de investigação e liderança destas mulheres. Recentemente, algumas das cientistas moçambicanas participaram no simpósio que decorreu sob o lema “Perspectivas de Desenvolvimento da Mulher no Sector Agrário, Após 40 Anos de Independência”, um evento que teve lugar na cidade de Maputo. É lá onde o “Notícias” teve a oportunidade de interagir com as investigadoras e colher alguns subsídios sobre as pesquisas que estão a desenvolver e a relevância dessa investigação no desenvolvimento do país.

Alda Tomo, 36 anos de idade, é uma investigadora socioeconómica desde 2005. Trabalha no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique e foi uma das bolseiras do programa Award em 2010. A jovem mulher fez saber que tem desenvolvido pesquisas tendo como base a procura, e identificação no terreno daquilo que são as necessidades dos agricultores para desenvolverem as suas actividades e avaliar a viabilidade dos produtos da investigação disponibilizados na comunidade. “Isto permite adaptar a pesquisa, caso seja necessário, a fim de torná-la útil à sociedade”, esclareceu.

Para Alda Tomo, os agricultores precisam de ser treinados e incentivados a fazer uso das tecnologias agrárias para abandonar o sistema de produção rudimentar, para além de lhes ser disponibilizado o acesso ao crédito de modo a aumentar a produção e a produtividade agrária. “Pessoas bem treinadas sabem como fazer para melhorar a sua produção e produtividade. A maior parte dos nossos agricultores tem o nível de educação baixa e precisam desses pequenos incentivos e treinamento”, sublinhou a jovem cientista.

APOSTAR EM CULTURAS RESISTENTES ÀS VARIAÇÕES DO CLIMA

Ana Lídia Gungulo é outra jovem mulher que decidiu abraçar o ramo de pesquisa. Actualmente está a fazer um estudo de adopção de variedades de culturas resistentes ao efeito das mudanças climáticas no distrito de Sussundenga, província de Manica.

“As mudanças climáticas estão a afectar o nível de vida do agregado familiar. Está-se a verificar baixo rendimento, então o agregado familiar tem de ser recomendado a recorrer a variedades adequadas a essas mudanças climáticas”, precisou.  

Para além desta investigação, a nossa fonte fez saber que já esteve envolvida numa outra pesquisa que procurou apurar o nível de participação dos pequenos produtores nos mercados.

Segundo Rosalina, da investigação verificou-se que as mulheres têm participado muito pouco nos mercados e explica porquê: “nós sabemos o duplo papel que as mulheres têm na sociedade, pois a mulher, primeiro, garante a alimentação em casa e só depois é que pensa em participar no mercado”.

Para inverter o cenário, a pesquisa sugere que se deve incentivar a mulher a aumentar a sua produção agrícola de modo a satisfazer o consumo familiar e ter um excedente para participar no mercado. “Nós estamos a tentar empoderar para ter altos rendimentos e excedentes para poder participar nos mercados a fim de melhorar a renda familiar. Tendo uma melhor renda, ela pode adoptar melhores tecnologias e sementes e assim ganhar mais para assistir ainda melhor a família”, sugeriu Rosalina.                                                                                                                                                                                                                                                                     

BAMBU PODE SER BOA ALTERNATIVA À MADEIRA

ESPERANÇA Chamba é engenheira florestal e cientista do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique. Há anos desenvolve estudos dos ecossistemas naturais para contribuir na definição dos sistemas de maneio para o uso sustentável dos recursos florestais. O trabalho é feito através de inventários, estabelecimento de parcelas de crescimento. São feitas medições e com base em modelos define-se quanto é que cresce a árvore por ano, trabalho que leva anos, sendo por isso, segundo a fonte, prematuro avançar com dados conclusivos.

“O que se pode dizer é que, realmente, o crescimento é muito lento. Há algumas espécies que crescem um pouco mais rápido, mas outras crescem muito devagar, sobretudo as que são usadas como madeira. Temos, por exemplo, umbila, chanfuta e jambire que são espécies muito procuradas. O jambire cresce um pouco mais rápido, mas a umbila e a chanfuta crescem mais lentamente”, observou.  

A pesquisadora revelou que, actualmente, o IIAM está a investigar novas espécies que possam substituir as que estão sobre pressão, isto é, espécies com propriedades adequadas, por exemplo, para o fabrico de mobiliário e construção.

Do trabalho feito, segundo a engenheira identificou-se como uma das alternativas o bambu, uma planta que cresce muito rápido, mais rápido que o eucalipto e o pinheiro. “Já estabelecemos um viveiro. Cá no sul muita gente não dá muita importância ao bambu, mas é um recurso que serve para alimentação, para a madeira, serve como lenha e para a produção do carvão. Em pouco tempo, provavelmente, vamos estar a incentivar o uso do bambu”, animou-se a cientista, acrescentando que em três a seis anos já se pode ter um bambu maduro para ser usado, dependo do sistema de gestão de produção, da rega, fertilização.

A nossa entrevistada referiu ainda que o IIAM importou algumas variedades de bambu que se mostram mais promissoras, uma vez que crescem mais e têm tamanho maior do que as nativas. Trata-se de Bambusa bambu e Bambusa tulda.

“Esperamos que daqui a alguns anos possamos usar essas espécies para a madeira, mas tudo isso parte de uma sensibilização para o uso dessas espécies e parte também do treinamento sobre as técnicas de preservação porque o problema que o bambu tem é de apodrecer rápido. Hoje, se colhermos o bambu e fizermos uma vedação, por exemplo, o que acontece é que em um ou dois anos temos de repor, mas tratado o bambu pode ficar 40 anos. Então, imagina um produto como esse que cresce em três, seis anos e tratado fica 40 anos. Não precisamos de cortar as árvores que ficam 100 anos para ter uma madeira consistente”, enalteceu a engenheira a importância do uso do bambu na preservação do ecossistema natural.

VERIFICAR ASPECTOS CULTURAIS PARA DIFUNDIR NOVAS TECNOLOGIAS

PARA difundir novas tecnologias agrárias há que ter em conta alguns aspectos culturais que podem influenciar de forma positiva ou negativa a implementação de novas tecnologias no seio das comunidades, entende Rosalina Chavana que há nove anos está envolvida em estudos socioeconómicos no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM)

“Quando se pretende estabelecer um projecto agrário numa certa comunidade é importante fazer-se antes um estudo de base para ver as características socioeconómicas dessa comunidade e avaliar se vale a pena ou não disseminar essa tecnologia”, notou Rosalina.

Para explicar o porquê da importância do estudo de base, Rosalina baseou-se numa pesquisa de novas tecnologias de produção de carvão, da qual fez parte. Disse que constataram que os produtores usam métodos tradicionais que consomem muita matéria-prima, o que pode estar a contribuir para a diminuição das florestas. “Então, para introduzir tecnologias melhoradas de produção de carvão, primeiro tivemos de auscultar as comunidades sobre a percepção que elas têm em relação ao uso de novas tecnologias porque isso implica mudanças nos hábitos das próprias comunidades. É preciso perceber mesmo os factores culturais que podem influenciar na adopção de novas tecnologias”.

Evelina Muchanga

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