Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

A HEROICIDADE conquista-se. Francisco Manyanga deu exemplo disso, como combatente da luta de libertação nacional, instrutor militar, agricultor e, em suma, homem de grande carácter e inteligência.

É assim que Francisco Cabo, discípulo de Francisco Manyanga, descreveu ontem, em palestra proferida em Maputo, o herói nacional, perecido há 40 anos no Hospital de Muimbiri, em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, vítima de doença prolongada.

Cabo foi convidado a falar aos estudantes da Escola Secundária Francisco Manyanga, em homenagem ao patrono da mesma, em plenas comemorações do 40º ano do seu desaparecimento físico.

Para Francisco Cabo, não é fácil falar de Francisco Manyanga, cujo nome de registo é Caetano Augusto Mendonça.

Manyanga é nome de guerra. Ao explicar esta mudança Francisco Cabo afirmou que a mesma ocorreu no contexto da luta armada de libertação nacional em que, à semelhança do que muitos nacionalistas o fizeram, mudaram de nome para fugir às perseguições, prisões e torturas perpetradas pela Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), bem como dos familiares.

Francisco Cabo conheceu Manyanga quando tinha precisamente 17 anos. Foi Francisco Manyanga que o recebeu em Dar-es-Salaam e com ele aprendeu a ser homem na verdadeira acepção da palavra. Ao integrar-se no grupo de Manyanga e de John Kachamila, ex-ministro dos Recursos Minerais e Energia, Francisco Cabo aprendeu as artes militares para melhor se integrar no processo da luta de libertação nacional. Paralelamente, aprendeu com Manyanga a desenvolver outras actividades, principalmente a actividade agrícola. O herói nacional Francisco Manyanga tinha uma paixão para com a actividade agro-pecuária, tendo inclusivamente feito do Centro de Treinamento Militar de Nachingweia, onde trabalhou, referência africana na produção agro-pecuária.

“Como agricultor, Francisco Manyanga transformou Nachingweia em centro de referência, tornando-o auto – suficiente. Manyanga interpretava fielmente as palavras de ordem da Frelimo, segundo as quais era preciso estudar, produzir e combater”, disse Francisco Cabo, acrescentando que tornando o centro modelo na produção alimentar, Manyanga contribuiu de forma significativa para a aplicação do princípio de ligação escola-produção.

Francisco Cabo, que pelas razoes acima descritas adoptou o nome de Akintola, pertença de um dirigente nigeriano da época, recomendou, neste sentido, aos estudantes da Escola Secundaria Francisco Manyanga no sentido de se inspirarem na vida e obra do herói nacional para melhor enfrentarem os desafios da luta pela melhoria da qualidade vida dos moçambicanos.

Cabo manifestou a esperança de que da escola em causa se produzam verdadeiros combatentes da luta contra a pobreza, nomeadamente, professores, médicos, engenheiros de todos os ramos, por forma a darem seguimento aos ideais da geração do 25 de Setembro.

“Mas tudo isto só será possível se os moçambicanos viverem em paz. E para vivermos em paz temos também que consolidar a independência nacional e fortificarmos a unidade nacional. Mas acima de tudo estarmos vigilantes contra aqueles que querem destruir as nossas conquistas”, disse Francisco Cabo pedindo aos jovens para que investiguem profundamente a vida e obra de Manyanga e de todos os heróis nacionais que morreram pela causa nacional.

É que, de acordo com Francisco Cabo, o herói Manyanga deixou um precioso legado que tem de ser encarado por cada estudante e por cada moçambicano como fonte permanente de inspiração na prossecução dos nobres propósitos como nação livre e independente, que aposta na construção de um país justo, harmoniosos e cada vez mais risonho.

Cabo lançou um apelo para que os estudantes da Escola Secundária Francisco Manyanga e para que todos os jovens do país não deixem de valorizar a vida e obra de todos os heróis nacionais pois é neles que, seguramente, irão se inspirar no futuro para fazerem face aos complexos desafios da época.

De acordo com Francisco Cabo, alguns desses desafios relacionam-se com a recente descoberta de recursos no país, os quais devem ser futuramente geridos pelos moçambicanos. E como se tal não bastasse, segundo Cabo, regista-se no país uma onde crescente de infra-estruturas tais como escolas, hospitais, pontes e estradas que aliado aos recursos naturais ora em descoberta impulsionam o desenvolvimento de Moçambique.

CONHECER O HERÓI NACIONAL

Francisco Cabo explicou aos estudantes que Francisco Manyanga nasceu a 27 de Marco de 1931, no povoado de Tchetcha, na localidade de Charre-Sede, distrito de Mutarara, na província de Tete, tendo feito os seus estudos primários na Escola Primária Baptista Coelho, em 1949.

Disse que inconformado com o sistema colonial português, Manyanga juntou-se à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em 1963, em Dar-es-Salaam de onde foi encaminhado para o Centro de Preparação Político Militar de Bagamoyo.

De Bagamoyo, segundo a fonte, Manyanga foi integrado e enviado juntamente com outros combatentes constituintes do III grupo para a Argélia. É assim que concluídos os treinos militares, regressou para a Tanzânia e foi destacado para o Centro de Preparação Político Militar de Kongwa onde assumiu as funções de instrutor.

Cabo afirmou que nesta tarefa, Francisco Manyanga, fazendo o uso das suas habilidades incutiu nos guerrilheiros o sentido de união, coragem, bravura, entrega e dedicação, como base para a transposição dos desafios que se impunham na ocasião, nomeadamente o avanço da luta armada de libertação nacional.

Lembrou que dada a sua clarividência quanto aos objectivos definidos pela direcção da Frelimo, a Francisco Manyanga foi confiada mais uma tarefa para na companhia de outros 40 instrutores participar na abertura do Campo de Preparação Político Militar de Nachingweia, visando a aptidão combativa para o inicio da insurreição armada, estrategicamente direccionada para as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Tete e Zambézia.

Nessa ordem, Manyanga foi destacado para exercer as funções de secretário provincial, cargo que acumulou com o de chefe de departamento de defesa provincial de Tete.

“O grupo foi crescendo gradualmente, com base na mobilização e recrutamento imprimidos por Francisco Manyanga. Ele dedicou todas as suas tarefas com zelo, dedicação, firmeza e abnegação”, referiu a fonte.

De acordo com Francisco Cabo, Francisco Manyanga veio a perder a vida a 29 de Julho de 1973 vitima de doença prolongada.

CURIOSIDADES DOS ESTUDANTES

Alguns estudantes questionaram ao orador sobre a vida e obra de Francisco Manyanga. Neyma, estudante da 8ª classe, turma-12, perguntou ao orador principal sobre as circunstancias da morte de Francisco Manyanga ao que prontamente lhe deram a resposta de 29 de Julho de 1973, passam já 40 anos.

Emídio, da 9ª – 3 perguntou em que ano a escola adoptou o nome de Francisco Manyanga, tendo lhe sido respondido que foi em 1976, na sequencia da política das nacionalizações. Explicaram-no que anteriormente a escola se chamava Liceu António Enes, nome de um militar português que, na sequencia da política de nacionalizações teve que ser alterado.

Uma outra estudante quis saber o que é feito dos restantes familiares de Francisco Manyanga, uma vez que o seu parente perdeu a vida pela causa nacional.

A esta pergunta, Francisco Cabo respondeu que dentro das dificuldades próprias de um país como Moçambique o Estado tem feito algo não só para os familiares dos heróis nacionais, mas também a bem das comunidades onde estes heróis nasceram e/ou viveram.

Lembrou a existência de um Estatuto do Combate e respectivo regulamento, onde estão plasmados os direitos e deveres do combatente.

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