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FAMÍLIAS de raparigas vítimas de violação sexual e posterior assassinato no Bairro da Polana Caniço, cidade de Maputo, imploram pela aceleração da investigação, detenção e posterior condenação dos criminosos, receando o surgimento de mais casos uma vez acreditarem que os criminosos continuam a viver no bairro ou nas proximidades.

Desde o ano passado que aquele bairro, com pouco mais de 60 mil habitantes, vive momentos de incerteza quanto à vida das raparigas. É que os bandidos, segundo relatos dos familiares das vítimas, violam sexualmente meninas de 18 anos, para algumas, acabados de completar. Das histórias que nos contaram, as vítimas mortais para além de sofrerem violação sexual, foram alvos de agressão física.

“Isto não é normal. Vivemos na incerteza. Há três meses uma mulher foi abusada sexualmente e depois assassinada. Quando as nossas filhas vão à escola ficamos sem saber se voltam ou não. Não passam três meses sem que uma rapariga, em especial de 18 anos, seja violada sexualmente e depois assassinada. Isto deixa a entender que as vítimas conhecem os assassínios”, observa Cecília Domingos, residente do bairro e presidente da Associação das vítimas de violência doméstica.

Em menos de dois anos, a população da Polana Caniço aponta ter achado pelo menos seis corpos. Contudo, dados oficiais indicam o registo de mais de 25 casos de violação sexual de raparigas incluindo crianças, algumas das quais que culminaram em mortes, só em nove meses do ano passado, na cidade de Maputo. Esses são casos comunicados a polícia, prevendo-se a existência de mais que não chegaram às autoridades policiais.

 A nível mundial, aponta-se que a maior dos violadores ataca vítimas com idade inferior a quinze anos. Normalmente, os estupradores são pessoas conhecidas, e não desconhecidos por completo.

AINDA NÃO HÁ DETIDOS

A filha de C. Afonso, 56 anos, foi uma das primeiras vítimas dos bandidos em Junho do ano passado. O corpo foi achado a 200 metros de sua casa. “Não sei que erro a minha filha cometeu para merecer uma morte bárbara daquelas. Era tranquila, preocupada com a Escola. Daria tudo, até a casa venderia, para salvá-la”, indigna-se C. Afonso pela forma violenta como a filha de apenas 18 anos, acabados de completar, foi lhe tirada a vida.

Mais do que a tristeza pelo assassinato da menina, a C. Afonso lamenta também pelo facto da Polícia não estar a encontrar o (s) criminoso (s), mesmo havendo suspeitos.  

Conta que a filha frequentava a 10ª classe no curso nocturno. Numa sexta-feira, depois das aulas, teria sido convidada pelo namorado, que a família não o conhece, a irem a uma festa de aniversário do tio, por sinal vizinho da malograda, que se realizaria em uma estância turística distante de sua casa.

“Informaram-nos que na festa colocaram uma maçã na pasta da minha filha para fazer chegar a casa do aniversariante que já havia abandonado o local da festa. Ela (malograda) saiu do local da festa acompanhada pelo namorado. O namorado teria deixado a minha filha a poucos metros de casa, mas deu no que deu. O mais estranho é que ao amanhecer apareceu-nos o aniversariante a recomendar para que eu visse se todas as minhas filhas estavam em casa e foi-se embora”, desabafa C. Afonso.    

Estranhamente, segundo a família da vítima, até hoje a polícia de investigação criminal ainda não chegou aos assassínios da filha.

“O pior é que pedimos a polícia para aguardar pela perícia do corpo por parte da medicina legal ainda no terreno para a recolha de vestígios no corpo para se chegar aos autores do crime e a polícia não obedeceu. Removeu o corpo para a morgue. De lá para cá não tivemos mais informação”, refere Cecília Domingos.    

NECESSÁRIA EQUIPA MULTIDISCIPLINAR 

Remover o corpo antes de ser observado por uma equipa multidisciplinar constituída por legistas, perito de laboratório da Polícia de Investigação Criminal (PIC) e o agente da Polícia não é o ideal porque pode comprometer a produção de provas, avisa Eugénio Zacarias, médico legista.

“O médico legista deve deslocar-se ao local do corpo para observar o local, colher evidências, vestígios biológicos para analisar se são da vítima ou violador, determinar se a morte foi ou não traumática, a data da morte se estiver realmente morta porque há situações em que a pessoa é dada por morta, mas depois da análise feita pelo Legista chegar-se a conclusão de que ainda está viva. Infelizmente, essa equipa multidisciplinar não está a funcionar. Casos de violação sexual são de urgência médico-legal”, observa o legista Eugénio Zacarias.

C. Afonso não é a única mãe da Polana Caniço que chora pelo assassinato da filha. Espera ansiosa que a Polícia ache os criminosos para serem julgados e condenados. “Só assim é que ficarei tranquila e morrerei em paz”, disse C.Afonso.

Em Moçambique, o Código Penal, no artigo 351, prevê a pena de 20 a 24 anos por homicídio voluntário qualificado. “Porque o violador violou e matou será penalizado pelo crime de homicídio voluntário qualificado. A Lei prevê a pena de 20 a 24 anos”, explica a Juíza Osvalda Joana.   

FOI-SE O SONHO DE SER ELECTRICISTA

Com18 anos de idade, a filha de Elisa Cossa, saiu de casa para ir dar uma volta na praia da costa do sol na companhia do namorado e não mais voltou. “Disse-me que voltava para tirar água e cozinhar. Tinha amor pela escola e sonhava em ser electricista”, lembra Elisa.

Para conseguir os seus intentos, os bandidos em número de três, imobilizaram o namorado, colocaram-lhe panos na boca, violaram a menina e assassinaram, para além de se apoderarem das roupas e do celular do sobrevivente.

Inconformado com o que teria acontecido, o namorado da teria feito buscas na zona para ver se conseguia encontrar alguma pista dos criminosos. “Felizmente encontrou um dos bandidos enquanto trazia sua roupa e a tentar vender o celular numa zona próximo de Xiquelene (cidade de Maputo)”, aponta Elisa Cossa.

A polícia foi solicitada e conseguiu-se neutralizar o malfeitor. Já na Polícia o bandido confessou ter participado no acto e que há mandante do crime, que na altura era vizinho da malograda.

“Quando procuramos pelo vizinho, que havia arrendado a casa ao lado da minha, já havia abandonado a residência. Até hoje a Polícia diz não ter chegado ao sujeito. Sofremos muito com isso porque ainda não houve justiça. Há pessoas ainda por colocar na cadeia”, desabafa Elisa Cossa.

Entretanto, contactada pelo “Notícias”, a Polícia, a nível da cidade de Maputo, prometeu pronunciar-se sobre estes casos, nos próximos dias.

Evelina Muchanga

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