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SUSSUNDENGA, a vila-sede do distrito com o mesmo nome, celebrou, pela primeira vez, em evento público, o seu 51.º aniversário de elevação à categoria de vila.

Antigo povoado de Mavita, Sussundenga tornou-se vila a 14 de Maio de 1964, na altura com o nome de Vila Nova de Vidigueira, em homenagem a um arquitecto português que construiu os primeiros empreendimentos que constituíram o embrião do vilarejo. O então Centro Social e Recreativo de Sussundenga foi um desses edifícios.

A data nunca tinha sido celebrada. Outras vilas e cidades da província de Manica há vários anos festejam os seus aniversários, mas Sussundenga não. Ninguém sabia quando, como e quem decidiu elevar ao estatuto de vila, este que hoje constitui o território municipal de Sussundenga.

A história veio à superfície quando Sussundenga se tornou no quinto município, no âmbito do processo de autarcização das cidades e vilas, a ser criado ao nível da província de Manica, cujos primeiros órgãos municipais foram eleitos nas eleições autárquicas de 2013, em que a Frelimo e o seu candidato, Venâncio Chacai Veremo, saíram vitoriosos.

Segundo a mensagem da população, apresentada durante as festividades, a história da autarquia está registada em documentos que ninguém sabia onde estavam e encontrados em 2014, altura em que começou o processo de oficialização, visando a sua inclusão nas datas comemorativas. O evento coincidiu com a celebração do primeiro aniversário da municipalização da vila.

A população de Sussundenga manifestou, na mensagem, a sua imensa gratidão e satisfação ao comemorar pela primeira vez a data, afirmando que 14 de Maio de 1964 passará a constar nos anais da história do distrito e da sua população.

Os munícipes de Sussundenga dão mérito à edilidade, que tudo fez para descobrir e reconstituir a história. “Parabéns, Conselho Municipal da Vila de Sussundenga pelo trabalho feito no resgate da história da nossa vila e a preparação desta cerimónia, que a todos une na luta pela paz, desenvolvimento e progresso de um Moçambique unido e indivisível”, lia-se na mensagem.

Na ocasião, o presidente do Município de Sussundenga, Venâncio Chacai Veremo, lembrou que a vila era anteriormente denominada povoado de Mavita até por volta dos anos 1955-1958. Uma vez a circunscrição elevada à esta categoria, segundo Veremo, passou a designar-se Vila Nova de Vidigueira, na sequência de um trabalho realizado pela brigada técnica de povoamento do sul do Révuè, que visava a construção de novas urbes.

A referida brigada, de acordo com a fonte, era dirigida pelo engenheiro português conhecido por Vidigueira. A oficialização do nome de Vila Nova de Vidigueira ocorreu a 14 de Maio de 1964, aquando da inauguração da paróquia local da Igreja Católica. A outorga desta data como dia da vila foi feita pela nova Assembleia Municipal, depois de um aturado processo de consultas levadas a cabo a vários níveis. Os munícipes dizem que este facto constitui um dos ganhos da autarcização.

Entre outros feitos dos novos órgãos autárquicos de Sussundenga, os residentes locais dizem haver, um ano depois, sinais visíveis de desempenho, com particular incidência nas áreas de limpeza, reabilitação de vias de acesso, construção de pontecas, aquisição de viatura para os serviços funerários, reabilitação do parque infantil e encontros com os munícipes para a avaliação conjunta do grau de cumprimento do manifesto eleitoral.

A construção da casa mãe-espera, no Centro de Saúde de Sussundenga, a organização de feiras de negócio, permitindo o intercâmbio comercial entre os diferentes produtores e agentes económicos da vila, a massificação do desporto recreativo, em particular o futebol, a construção do balneário público no mercado central 1.º de Maio, bem como a edificação de um novo mercado, o “4 de Outubro”, foram outras realizações que se destacaram no desempenho da edilidade.

Na ocasião, os munícipes disseram que a viatura afecta aos serviços funerários tem aliviado sobremaneira o sofrimento por que passavam as famílias para o transporte dos seus entes queridos para a sua última morada, ao mesmo tempo que enalteceram a construção do parque infantil que proporciona um convívio fraternal à pequenada.

CORTES DE ENERGIA: O PESADELO

OS munícipes de Sussundenga lamentaram as frequentes restrições no fornecimento de energia eléctrica, a insuficiência de água potável e a disputa de espaço entre os automobilistas e os vendedores no terminal dos “chapas” na vila.

Em relação aos cortes de energia eléctrica, os munícipes disseram ser necessário que a EDM encontre soluções para o problema que tem estado a provocar danos irreparáveis, sobretudo aos electrodomésticos. Eles defenderam a responsabilização da empresa pelos prejuízos causados.

A EDM tem-se recusado a indemnizar os munícipes que perdem os seus bens devido aos cortes frequentes de energia, alegadamente porque se trata de acidentes em que a empresa não é culpada, justificação que não convence os munícipes que pedem à edilidade para interceder junto da empresa pública com vista a responsabilizar-se pelos danos.

“Não convencem a ninguém as interrupções de energia de cinco em cinco minutos, devido a alegados trabalhos de manutenção”, disseram na mensagem na qual exigem a EDM para oferecer serviços de qualidade aos utentes.

Na sua opinião, é obrigação da empresa pública assumir os prejuízos, na medida em que os cortes, alegadamente para a manutenção, ocorrem sem prévio aviso, apanhando os utentes desprevenidos. Eles dizem que se os cortes fossem avisados com alguma antecedência os riscos seriam minimizados, pois desligariam os electrodomésticos durante o intervalo indicado.

ÁGUA POTÁVEL, O “CALCANHAR DE AQUILES”

O OUTRO grande problema apresentado pelos munícipes de Sussundenga tem a ver com a falta de água potável. Disseram que a crise é séria de tal forma que exigem solução urgente.

Segundo referiram, a água que jorra nas torneiras diariamente não satisfaz as necessidades básicas de uma família, havendo por isso uma necessidade urgente da ampliação da capacidade do sistema existente. Para fazer face à situação, os munícipes recorrem à água dos rios Révuè e Munhinga.

A vila de Sussundenga tem 19.122 habitantes, os quais, na sua maioria, sem água canalizada. Queixaram-se de poucas fontes de abastecimento de água à população, considerando este fenómeno, um dos grandes desafios para os órgãos municipais.

Naquela que foi a primeira celebração da efeméride, 50 anos depois, os munícipes de Sussundenga disseram que, embora tenha sido tarde, valeu a pena.

Na missiva, os residentes de Sussundenga pediram também ao município no sentido de alargar a rede viária e a expansão de rede eléctrica, como consta no manifesto eleitoral.

No evento, marcado por actividades culturais, desportivas, recreativas, e exposição de produtos e de serviços prestados localmente, o presidente do município enumerou algumas realizações, tendo destacado, entre outras, a reabilitação de três vias de acesso, a aquisição de 50 carteiras, três secretárias e três cadeiras para a Escola Primária do 1.º Grau de Nhamawia, a construção do pontão que dá acesso ao aeródromo e a criação de um conselho consultivo municipal com 76 membros, no âmbito da planificação e governação participativa.

Na ocasião, o edil de Sussundenga reconheceu os problemas da falta de água, afirmando ser necessário trabalhar afincadamente no sentido de trazer o precioso líquido para as comunidades a partir dos rios que correm na região.

Sobre energia, Venâncio Chacai Veremo afirmou que o assunto vai debater o assunto com a EDM para ver até que ponto se pode encontrar a solução e afiançou que esta é também a preocupação do município.

A secretária permanente provincial de Manica, Francisca Maluana, discursando no evento em representação do governador provincial, disse que a municipalização garante o direito de participar activamente no processo de edificação do país.

Para o caso de Sussundenga, como disse, por ser novo tem muitos desafios, como o ordenamento territorial dos bairros, o saneamento do meio, a necessidade de expansão das redes viária, sanitária e escolar, e ainda do melhoramento da dieta alimentar da população, entre outros.

A medir pelas realizações enumeradas, Maluana afirmou que o município está na direcção correcta, fazendo votos para que esta celebração seja aproveitada para uma reflexão e de projecção de um futuro brilhante.

VICTOR MACHIRICA

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