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AS artes são o retrato de um tempo, uma geração e uma época. A música, obra de arte, não está alheia a isso. Entretanto, algumas obras de arte atravessam o tempo, perfuram as fronteiras geracionais e se tornam verdadeiros clássicos.

“Baila Maria”! Assim se confirmou quando a plateia “implorou”, em coro, que Mingas (mãe de Maria que baila) e Chico António a cantassem no concerto “Quem Sou Eu?”, realizado há dias no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).

“Baila Maria” é uma música já com 26 anos, gravou com Chico António – o compositor – quando ambos eram membros do Grupo RM. O concerto de sexta-feira ganhou vida quando o público “pediu”, quase solícito, fazendo um coro desafinado, mas em uníssono, “Baila Maria, Baila Maria, Baila Maria”.

Sem alternativa, Chico António (pai de Maria que Baila), que era um dos convidados, depois de já ter interpretado outra faixa, voltou e cantou com Mingas esse “hino” da música popular moçambicana.

A performance de ambos transmitia a sua cumplicidade de anos de convivência e de memórias dos tempos áureos em que foram colegas no Grupo RM.

Às vezes trocavam olhares, enquanto interpretavam essa faixa com influências de tufo, como se regressassem a 1990, quando gravaram a música. E de certeza não imaginavam que seria o sucesso que é até hoje. 

DO TRAJE FORMAL AO PÚBLICO EM ÊXTASE

O ESPECTÁCULO começou introspectivo, com o académico Nataniel Ngomane a despertar o público para a necessidade de peregrinar no questionamento filosófico de Mingas “Quem Sou Eu?”

Com a “casa” cheia, bilheteira esgotada, uma plateia heterogénea, onde podia se ver desde adolescentes e jovens aos adultos, inclusive, gente da terceira idade, a artista subiu ao palco que estava composto por cinco pilares e uma banda de luxo: Stélio Zoe (bateria), Figas e Thapelo Motsegwe (teclados), Carlos Gove (baixo), Dodó (guitarra), Simão Nhacule e Tony Paco (percussão), Sheila Jesuíta, Vequina Ferreira e Iva Laquene (coros). Porém, não é tudo: Mingas trajava uma blusa branca, uma saía azul comprida e uns sapatos pretos de salto alto. Tudo a condizer. Ou melhor, na sua indumentária, Mingas se realça como uma artista de gema e de respeito. O que é importante, sobretudo numa altura em que muitas cantoras brindam o público, por todos os cantos e corredores, com a vulgaridade do bamboleio e dos trajes menores que roçam ao insulto dos mais altos e nobres valores morais da moçambicanidade. Até porque ela nunca foi nada vulgar.

No início foi interpretando faixas calmas, cuja primeira foi “Rwadna”. Exibindo a sua abertura para as novas sugestões que a música oferece, as “páginas” introdutórias, encerraram com a entrada da “rapper” Iveth, para interpretar “Vuka África” (faixa que dá título ao seu primeiro álbum “2009”), recebida com aplausos por um público receptivo.

Mingas, que não tirava a mão dos auscultadores, trouxe no seu repertório uma mistura entre o “Vuka África” e “Vhumela” (2013), no seu incansável convite à emancipação da mulher, questionamento dos hábitos sociais e apelo para que a África desperte para ocupar um espaço digno no concerto das nações.

Entre momentos intimistas e de dança, animação, o concerto foi correndo. O jogo de luz a iluminar as estrelas em palco. E o público se extasiando com o “show” nada redundante.

A intemporalidade da intérprete que no seu acervo guarda os sucessos “Mamana”, composição de Zeca Tcheco, “A Va Saty Va Lomu”, recriação da música lendária, uma marrabenta do lendário Fany Pfumo, evidenciou-se na sua lista de convidados.

Aos primeiros arranhões nas cordas da guitarra solo, que se ouvia dos bastidores do palco da sala grande do “Franco”, a plateia já ovacionava.

A entrada de Jimmy Dludlu levou o público a aglomerar-se à frente com os seus “smartphones” para fazer fotos e vídeos.

“Seja bem-vindo meu irmão mais novo”, disse Mingas ao guitarrista. Com o seu instrumento de guerra, disparou alguns acordes, o que pôs o público com as mãos no ar, vibrando em apoteose. Desceu do palco e foi tocar no seu estilo característico de “levantar tudo e todos”, junto da plateia.

Depois de Jimmy, o concerto não foi o mesmo. A animação já estava distribuída ao público que nada mais fez para além de responder dançando e a cantar aos coros com Mingas.

AFINAL, QUEM É MINGAS? É DIVA!

MINGAS propôs-se a um questionamento filosófico: Quem sou eu? É uma pergunta com uma infinidade de respostas possíveis. Uma vez que tal não se resume ao seu nome, nem ao seu estatuto social. Até pode-se considerar que foi ousadia Mingas questionar “Quem Sou Eu?”.

Não obstante, não deixa de ser intrigante que tal seja feita por uma das maiores referências da música moçambicana e das vozes femininas mais completas que este país já ouviu. Mingas é, sim, diva, superior. Se não façamos uma romaria pelo seu percurso histórico:

De educação religiosa, seus primeiros passos para a música, de forma desinteressada, foi dando na Igreja Metodista Unida, fazendo coros nas missas, onde, inclusive, formou um trio com Safrão Navesse e Silva Zunguze.

Com o passar do tempo, a ideia de apostar na música foi amadurecendo, até porque ainda na adolescência, aos 17 anos, foi activista cultural na Escola Secundária Francisco Manyanga, onde frequentou o nível secundário.

É nessa altura, apesar da resistência dos seus pais, mas com apoio do seu irmão mais velho, já falecido, que conhece o produtor de espetáculos Alex Barbosa que, coincidentemente, precisava de uma voz feminina, nova, para preformar nas exibições “Foguetão”.

Daí foram as actuações regulares na discoteca “Sheik”, “Búzio” e “Zambi”, as mais badaladas da cidade de Maputo, na altura.

O país mergulhado numa guerra de desestabilização entre 1982 e 1983, embarcou numa corajosa digressão, integrando o Grupo Hokolokwé, que escalou todas as capitais provinciais, à excepção do Niassa.

A sua voz conquistava a audiência e ganhava respeito nos meios artísticos. Não tardou a ser convidada para fazer parte do Grupo RM. Este agrupamento representa um dos pontos mais altos da internacionalização da música moçambicana.

No final da década 80, como prova da sua ascensão a nível mundial, partilhou, na capital brasileira, Brasília, o palco com a lenda da música popular brasileira, Gilberto Gil.

Sua vida centrava-se na música nessa época, como o é até hoje. Composta por Chico António, grava “Aliranzo” e sua composição original “Nweti”, que se tornaram clássicos da música popular moçambicana.

As suas prateleiras começam a ganhar outros adornos depois desses sucessos, com as menções no “Ngoma Moçambique”. Mas foi o dueto com Chico António, “Baila Maria”, que mereceu premiação internacional, pela Rádio France Internationale (RFI).

Encantada com a voz de Mingas, Miriam Makeba a convida para uma digressão pela Europa e América. Morou com ela na África do Sul por três anos, 1995-1998. Nas actuações, Makeba cedia-lhe espaço para interpretar suas músicas.

Esta diva ainda passou pelo cinema, no documentário “A Guerra de Todos Nós” e “O Jardim do Outro Homem”, ambos do realizador Sol de Carvalho.

Mesmo com este percurso, carregando dois álbuns (“Vuka África” e “Vhumela”), para além de um DVD ao vivo e colaborações com Hugh Massikela e outros, ela ainda se pergunta “Quem sou eu?”

Leonel Matusse Jr.

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