TRINTA e cinco mulheres de um total de 49 inscritas em toda a província de Inhambane foram semana passada tratadas com sucesso a doença das fístulas obstétricas no Hospital Rural de Vilankulo, na quarta campanha de género desde que o tratamento se expandiu a esta província.
Das pacientes inscritas, seis foram transferidas para o Hospital Central de Maputo por motivos de fístulas complexas, quatro tinham incontinência urinária e uma outra precisava de exames aturados para ser submetida ao tratamento.
A chefe dos serviços materno-infantil na Direcção Provincial de Saúde em Inhambane, Isabel Langa, explicou em Vilankulo que para a realização de campanhas de tratamento daquela doença, as doentes são inscritas em todos distritos e concentradas nos hospitais rurais regionais, nomeadamente Quissico, Massinga e Vilankulo, de onde são transportadas para a unidade sanitária escalada para o tratamento.
A responsável da SMI disse que uma das regras para evitar a ocorrência das fístulas, doença que atinge as mulheres como consequência de um parto complicado, é o planeamento familiar de forma a fazer espaçamento necessário para fazer filho e apostar no parto seguro junto das unidades sanitárias.
Isabel Langa lançou um apelo a toda comunidade, em especial as mulheres que sofrem desta doença, para se dirigirem às unidades sanitárias para fazer consultas médicas para serem submetidas ao tratamento, porque, segundo disse, esta doença tem solução.
Fístulas obstétricas constituem uma das complicações da gravidez e parto como resultado do rompimento da bexiga quando o bebé exerce uma pressão por muito na passagem. A doença manifesta-se pela perda descontrolada e permanente da urina, colocando as mulheres numa situação de profunda vergonha. Nessa condição, as mulheres são abandonadas pelos maridos ou descriminadas pela família e pelas comunidades.
As fístulas obstétricas, segundo a explicação da nossa fonte, verificam-se com frequência nos adolescentes e jovens como consequência, em alguns casos, de casamentos prematuros, baixa escolaridade e sem condições financeiras agravadas com o facto de viverem nas zonas rurais distantes das unidades sanitárias.
“Uma fístula não tratada pode se transformar num problema de saúde crónico, incluindo o aparecimento de úlceras, problemas renais e a danificação dos nervos das pernas até à impossibilidade de levar a vida e o trabalho normal”, explicou Isabel Langa.
Na campanha realizada semana passada no Hospital Rural de Vilankulo foi igualmente capacitado um grupo de profissionais de Saúde para passar a este tratamento noutros hospitais rurais.


