CASAMENTOS prematuros e forçados que se registam um pouco por toda a província do Niassa juntaram recentemente na mesma mesa, no distrito de Chimbunila, mestres de ritos de iniciação e outras personalidades ligadas ao processo educacional para discutir formas de reduzir a desistência escolar dos jovens em resultado do fenómeno.

Trata-se de uma iniciativa promovida pelo projecto Girls Inspire, da Associação Progresso, com o objectivo de harmonizar a educação da rapariga, no âmbito da formação aberta e à distância na província do Niassa.

O enfoque da iniciativa são os distritos de Chimbunila, Mandimba e Cuamba, os mais afectados pelo problema.

De acordo com os mestres, também conhecidos por “anagadiba” e “anacanga”, na língua ci-yao, os ritos de iniciação não podem ser vistos como a principal causa dos casamentos prematuros.

Defenderam que esta prática secular e cultural é parte da solução do problema, uma vez que, durante os ritos, os jovens aprendem a respeitar os mais velhos e como se posicionar perante a sociedade no geral.

“O problema dos casamentos prematuros e forçados reside na globalização, e não nos ritos de iniciação”, defenderam.

Alegam que os ritos de iniciação vêm desde os tempos remotos e, nessa altura, não se registavam casamentos prematuros nem gravidezes indesejadas.

Acusaram os órgãos de comunicação social de serem parte dos actuais problemas ao difundirem conteúdos que fazem com que haja mudanças negativas no comportamento dos jovens, com muitos prejuízos para as raparigas, que constituem a parte mais lesada.

Alguns intervenientes, nomeadamente Suze Adamo, Silage Aide e Adamadaule Calonga, sugeriram o reajustamento do calendário escolar para colmatar o absentismo, solicitando um mês de férias entre Junho e Agosto para a prática dos ritos de iniciação, em vez do final do ano, altura em que as comunidades se envolvem na produção agrícola.

Refira-se que sempre que se levanta o problema da realização de ritos de iniciação durante o período lectivo os líderes comunitários, principalmente, justificam que a prática deve ser realizada durante a colheita, altura em que há abundância de alimentos, para garantir que os jovens sejam recebidos em ambiente de festa.

Durante a mesa-redonda, o gestor provincial do projecto Educação da Associação Progresso de Niassa, Rajabo Cimalawonga, explicou que o debate visa encontrar consenso entre as comunidades e o sector de Educação e Desenvolvimento Humano.

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23.05.2017   Banco de Moçambique

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