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É UMA “praga” antiga. Porém, negligenciada, pouco conhecida e pouco divulgada. Trata-se da “striga asiática”, conhecida nos meandros da ciência e da tradição secular, como “pequeno feiticeiro do milho” a quem os entendidos na matéria atribuem os insucessos que se verificam ano após ano na agricultura ao nível da província de Manica e do país em geral.

Trata-se de uma infestante parasitária originária dos continentes africano e asiático que os cientistas concordam que ela constitui um dos importantes constrangimentos à produção e produtividade agrícolas, devido aos impactos negativos que causa à agricultura, afectando sobretudo cereais, com particular incidência para o milho e o arroz.

Na sua actuação, segundo confirmam os técnicos versados em agricultura, ela remove os fotoassimilados da planta hospedeira, desacelerando o seu crescimento. Devido a este seu modo de acção, ela parasita as culturas, antes de emergirem do solo, considerando-se assim uma infestante de difícil controlo através das técnicas comummente utilizadas, principalmente nos países em desenvolvimento, levando a baixa eficácia dos esforços que tem vindo a ser efectuados visando o seu combate e detenção da sua disseminação e prevalência.

O “Notícias” que há dias trabalhou no distrito de Báruè viu, ouviu e foi informado da “striga asiática” e dos seus malefícios na agricultura. Ela tem sido uma das principais causas do insucesso agrário não só na província de Manica, mas igualmente em todo o país. Na província de Manica, os camponeses, a conhecem mas quando aparece nas suas machambas, consideram ser “sinal da pobreza dos solos, ou seja, que os solos estão cansados” e não como parasita, segundo a ciência.

Como forma de evitar o seu “feitiço” abandonam as machambas, migram para outras regiões, onde destroncam árvores e abrem novos campos agrícolas. Embora sem conhecimentos sistematizados, os camponeses conhecem a acção devastadora desta parasita. Pela sua experiência secular, conhecem-na como o “feiticeiro do milho”, mas não sabem ao certo como é que actua. 

Quem despertou a curiosidade tanto da nossa Reportagem, como dos camponeses de Honde, foi o nicaraguense Carlos Sanches, engenheiro agrónomo ao serviço do projecto RAMA-BC, o qual informou no decurso do dia de campo deste projecto, os mecanismos de parasitismo desta planta perigosa, mas que o sector agrário em Moçambique pouco a considera nas suas estratégias de combate às pragas e parasitas na agricultura.

Carlos Sanches lembrou serem “principais técnicas para o maneio desta infestante parasitária, o controlo químico e cultural, através da monda, manipulação do microambiente, irrigação, aplicação de fertilizantes nitrogenados, rotação das culturas, consorciação com espécies não hospedeiras como feijões e promoção de germinação suicida”.

Falando na machamba modelo do produtor familiar Jone Catique Levessene, Sanches reconheceu “que nem sempre essas condições estão a disposição dos camponeses dos países em desenvolvimento, onde a sua acção representa um enorme constrangimento aos indicadores de produção e produtividade”.

Já em Chimoio, o “Noticias” procurou obter a versão da Agricultura sobre esta infestante. O engenheiro José Manuel Silvestre, Chefe do Departamento da Extensão, na Direcção Provincial da Agricultura e Segurança Alimentar, asseverou que apesar de não ter ainda sido avaliadas em termos numéricos, as consequências desta planta, ela tem representado um grande revés à produção e produtividade dos camponeses, contribuindo para os fracos rendimentos que se registam nalguns campos agrícolas ao nível da província.

Indicou que a infestante ocorre em quase todos os distritos da província, apontando como os mais afectados, Manica, Báruè, Sussundenga, Mossurize, Gondola, Macate e Vanduzi, por sinal, os mais produtivos e que constituem a base da segurança alimentar e nutricional das populações da província.

Sem avançar os passos que devem ser seguidos com vista a reduzir o impacto desta infestante e torná-la conhecida como um dos elementos que prejudica a agricultura na província, Silvestre defendeu ser necessário e oportuno começar-se a prestar atenção nesta “praga” que de ano para ano tem estado a causar perdas significativas, porém, não registadas, em termos de rendimentos no seio dos camponeses, sobretudo aqueles que ainda não conhecem, mesmo pela informação tradicional e secular, os seus impactos.

 

origem e efeitos da “feiticeira asiática”

A “striga asiática” também conhecida como “feiticeira asiática” é uma planta aparentemente inofensiva que aparece nas machambas dos produtores como flor. Com folhas e ramos verdes e flores avermelhadas, aparentando “rosas” (ver a foto), a “striga asiática” pode ser vista nas machambas dos produtores em vários pontos da província.

Segundo Sanches, a “striga asiática” é uma planta hemiparasiática da família “broomrape”, originária da Ásia e África subsaariana. Foi introduzida em outras partes do mundo, incluindo Austrália e Estados Unidos da América, sendo forte parasita de milho, arroz, sorgo e cana-de-açúcar, causando muitas vezes, reduções significativas de rendimento.

Em Moçambique, não há dados, mas nos Estados Unidos da América sabe-se que esta “feiticeira” foi descoberta em 1955. É considerada uma praga agrícola invasiva.

Entretanto, nessa altura, uma vigorosa campanha da sua erradicação reduziu a área afectada em 99 por cento para cerca de 3.400 acres, equivalentes a 450 mil hectares, segundo Sanches.

VICTOR MACHIRICA

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