OS artistas precisam ter consciência das referências e significados que a sociedade tem em comum de modo a construírem obras nas quais estejam presentes elementos da identidade moçambicana.

Matilde Muocha, pesquisadora e docente universitária, transmitiu essa visão na manhã de ontem na Escola de Comunicação e Arte (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Falando a estudantes, docentes e artistas na mesa que encerrou os debates do “Azgo Dialogar”, no âmbito do Festival Azgo, a oradora disse que “precisamos de criar um repositório do nosso cancioneiro, que irá alimentar a criação diária”.

A académica conduzia a sua intervenção no sentido dos produtores de arte trabalharem na base de referências do folclore, que tenham algum significado para os moçambicanos.

A pesquisadora referia-se, por exemplo, a sonoridades, instrumentos e outras linguagens que tenham sido usados pelos antepassados. A visão é tê-los como esteira e não necessariamente o fim em si. Os tempos evoluem.

Numa postura crítica, considerou que parte do que se tem visto na praça, no que diz respeito à arte, é vazio por falta de modelos. “Antes de fazer a obra, o artista tem de perceber o seu lugar no mundo”, disse, a defender que “se formos originais, teremos mais possibilidades” de singrar no mundo.

Com efeito, para o alcance dessa meta, Matilde Muocha sugeriu que é preciso que os moçambicanos libertem-se dos complexos de inferioridade herdados dos discursos e estrutura social do colonialismo português.

“Ainda não conseguimos nos libertar, ainda não assumimos o nosso ‘nós’”, afirmou a interlocutora, para quem este é um exercício de cidadania que deve ser permanente para criar uma base mais sólida no indivíduo.

A oradora diz que a negação do “eu” distancia os moçambicanos da sua essência, pois, impossibilita que os mesmos se apropriem de si próprios, marginalizando identidades que tenham na africanidade a sua base.

Para tal, sugere, é preciso que o artista faça uma imersão no passado. E, nesse percurso, há que começar do período anterior à invasão colonial.  

Num sentido mais amplo, defendeu a necessidade de se permitir que esta classe e toda a sociedade conheçam outras narrativas históricas para além da oficial.

“Para além de Ngungunhane, há outros heróis de resistência primária à invasão colonial noutros pontos do país que precisamos conhecer e isso irá ajudar a construirmos uma coesão social baseada no respeito mútuo, que o conhecimento sobre o outro proporciona”, defendeu.

Céptica, Matilde Muocha entende que, enquanto tal não ocorrer o ambicioso projecto de Indústrias Culturais e Economias Criativas, o país corre o risco de não se materializar.

“Tenho dúvidas sobre essa indústria. Num contexto em que não há apropriação em que prevalece a auto-negação, me parece difícil dela funcionar”, concluiu.

Na mesa anterior, o compositor e intérprete Stewart Sukuma discutiu sobre “Música e Cidadania: Movimento Cívico de Divulgação Eleitoral”.

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AS Indústrias Culturais e Economias Criativas (ICEC) no país são um “edifício” ainda em construção, sendo por isso necessário o envolvimento engajado de todos os intervenientes do sector. Leia mais.

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O escritor moçambicano Mauro Brito lança, na próxima terça-feira (21), a sua segunda obra infanto-juvenil, na cidade de Maputo.

Trata-se da colectânea de poesia intitulada “O Luminoso Voo das Palavras”, que terá a apresentação da escritora e pianista Melita Matsinhe.

A cerimónia de lançamento, que está marcada para 16 horas, na Biblioteca do Camões – Centro Cultural Português, será parte das actividades literárias e de pintura de capas de cartão dirigidas às crianças e jovens pela Kuvaninga cartão d´arte. Juntam-se ao evento, a declamação de poesia e música acústica.

Depois de há dois anos ter publicado “Passos de Magia ao Sol”, pela Escola Portuguesa de Moçambique e com ilustrações de Bárbara Marques, sai agora pela Kuvaninga um livro que para o autor é pretexto de conversa com o tempo, “no sentido de a palavra sempre ser renovada em função do que pretendemos transmitir e pode ser uma arma para vencer a ignorância, a insegurança e a solidão” refere.

Descortinando o título do livro, Brito entende algo luminoso como algo construtivo, que desperta o sentido da palavra, enquanto algo bom e brilhante, “porque a palavra é algo que nos liga há muito desde a nossa existência, apresentada de várias formas” e a medida que vamos, através dela, crescendo, descobrimos outras nuances da vida, da sobrevivência e do amor. É pelo poder da palavra – o poder decorativo, meditativo, poder de transmitir emoções e sentimentos e o poder de (poder) atravessar o tempo e o espaço – que encontramos neste livro a pertinência deste título.

No olhar de Dionísio Bahule, prefaciador da obra, Brito “não se isola dos problemas doutros homens. Fica atento; aprecia; sente e convida a todos a olharem pela Poesia os problemas que nos rodeiam”, indica um comunicado.

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“Detalhes de uma vida de Silêncio” é o livro de estreia do jovem escritor Heliodoro Baptista Júnior, que será lançado às 18.00 horas de hoje no auditório do BCI, em Maputo.

O livro, que conta com o prefácio do conceituado poeta Juvenal Bucuane e  chancela da Oleba Editores, é a  estreia deste jovem poeta, natural e residente na Beira, filho do consagrado poeta Heliodoro Baptista, falecido naquela cidade há uma década.

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O Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, acompanhado de diversos artistas musicais e promotores, procede hoje à apresentação de produtos angariados pela sua instituição, em parceria com  o Movimento Artístico Solidário para com as vítimas do ciclone Idai.

Composto por diversos artistas (Valdmiro José, Euridse Jeque, Michael do Rosário, Celso Notiço, Roberto Isaías, Júlia Duarte, Yzhi, Mabermuda,  Lina Gondola, Gusto, Sweet Boys, Mid One, Dom Kevin), o Movimento Artístico Solidário, coordenado pela Big Brother Entretenimento, realizou um espectáculo para marcar o início da campanha de angariação de donativos, que durou dois meses.

A campanha tinha como finalidade recolher produtos não perecíveis, desde material escolar, livros, roupa, sapatos e outros produtos, e constituiu uma ponte para que vários parceiros envolvidos de forma individual e colectiva se mobilizassem e angariassem maior número possível de materiais.

Foi assim que a Big Brother Entertainment, o Movimento Nação Solidária, Se7IMONIVEL, Associação Valdmiro José e amigos, Next level, ECS, O Coqueiro, S Media, Nuno Kizomba, Marleks Eventos, K Imagem Design, Voluntário OJM, se juntaram pela causa nobre.

Por seu turno, o Ministério da Cultura e Turismo, através de seus colaboradores e parceiros, encetou campanhas de angariação que resultaram na colecta de diversos produtos.

Feita a angariação, os envolvidos na campanha, o ministério, juntamente, com os artistas, pretendem mostrar à sociedade o que foi angariado para as vítimas do IDAI, que totaliza cerca de 1,5 tonelada de produtos diversos, que serão entregues pelos artistas aos beneficiários.

 

 

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