Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

NO ano de 1983 uma instituição de ensino mostrou que era possível leccionar arte. Hoje passam 35 anos e os alunos e ex-alunos da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV) exibem, numa exposição, as suas obras de cerâmica, grafismo, têxteis, artes visuais para homenagear a entidade que os formou.

A mostra “Retrospectiva 35 anos”, patente no Auditório do BCI, na cidade de Maputo, até 29 do corrente mês, exalta o percurso da ENAV e o trabalho que a mesma realizou para o engrandecimento das artes plásticas em Moçambique.

Segundo a directora desta instituição de ensino, Ricardina Marcos, as obras expostas são belas pelas técnicas e emoções usadas para a sua concepção e pela intenção que carregam: exaltar a Escola Nacional de Artes Visuais.

Domingos Artur, em representação do Ministério da Cultura e Turismo, apontou que a mostra expressa o trabalho desenvolvido por jovens desta escola nas diferentes áreas profissionais, para a sua contribuição na promoção das artes, cultura e desenvolvimento do país.

“Pelo seu tema, pelas suas cores, traços, curvas e construções criativas, a exposição convida-nos à reflexão sobre o percurso pedagógico e artístico desta escola. A mostra deixa-nos o desafio de repensar continuamente o futuro e rumo que pretendemos conferir ao ENAV”, disse.

Disse ainda que a exposição reflecte o potencial que a cultura representa como vector de profissionalização, geração de rendimentos, emprego e autoemprego.

“Centenas de profissionais formados nesta entidade operam no mercado do trabalho, na maioria, gerindo suas próprias empresas”, acrescentou.

Victor Sala, antigo director das “Artes Visuais”, apontou que os formados nesta entidade de ensino são especiais e devem ser tratados de igual forma. A formação dos mesmos, sublinhou, é um processo complexo, pois a arte tem as suas particularidades.

Outro antigo director desta instituição é o artista plástico e curador Jorge Dias, que afirmou que grande parte dos artistas plásticos deste país é produto da ENAV.

Realçou que a escola deve ser exaltada pelo papel que desenvolve para a consolidação das artes plásticas nacionais.

A Escola Nacional das Artes Visuais é uma instituição de ensino técnico-artístico criada em 1983 com o objetivo de formar técnicos na área artístico-cultural, nas especialidades de Cerâmica, Gráficas e Têxteis.

Actualmente, conta com mais um curso de Artes Visuais e uma especialização em Formação de Professores de Educação e Ofícios.

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AS bandas Ghorwane e Kapa Dêch, os músicos Jimmy Dludlu e Stewart Sukuma são as figuras de cartaz de um festival de música programado para o dia 28 de Setembro, na capital moçambicana.

Denominado “A Luta Continua”, o show terá ainda em palco, a ser montado no Centro de Conferências Joaquim Chissano, Isabel Novella, Deltino Guerreiro, Justino Ubaka e Lorena Nhate.

A realização deste festival é uma iniciativa da ZEP Estúdios, em parceria com a Moz Gin&Friends, que visa impulsionar a música moçambicana e seus fazedores, mas também para evocar a continuidade da luta pela soberania cultural.

Os organizadores da primeira edição da “Luta Continua” pretendem ainda ajudar a colocar Maputo na rota internacional da música, com um show onde se mesclam ritmos como marrabenta, jazz, afro-jazz, pandza ou world music.

Esta iniciativa junta gerações de músicos do mais alto nível e outros mais jovens, mas que constituem um valor, porque têm potencial e que estarão juntos para espalhar o perfume da sua música aos amantes desta vertente artística.

Nesta edição, a produção do evento optou por juntar num só palco a nata do afrojazz e buscou a juventude para complementar este espectáculo, que se pretende seja início de uma cadeia de shows que vão dar brilho à cidade das acácias.

Gilberto Manuel Pumule Júnior, mais conhecido por Lapaman Pumule, da produção, explicou que o projecto tem como lema “Pela Arte e Desenvolvimento do nosso País, juntos somos mais sólidos”. O mesmo pretende mostrar que os artistas moçambicanos que brilham em palcos internacionais também podem ser aclamados internamente.

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O OCEANO Índico foi a porta pela qual as civilizações do oriente médio e, da Península Ibérica, sobretudo os portugueses, chegaram ao espaço que hoje é este país: Moçambique. A literatura, poesia, em particular, apropria-se do mesmo como lugar de reflexão.

 

 

De modo, a descortinar os códigos e as nuances envolvidas nessa referência imagética, Francisco Noa, crítico literário, escritor, académico e reitor da Universidade Lúrio, pesquisa essa temática.

 

 

Foi a partir de fragmentos desse estudo que, numa mesa moderada pelo jornalista deste matutino, Leonel Matusse Jr., subordinada ao tema “Noémia, Knopfli, White, Lica e Sangare: a sedução do mar e da vida”, o intelectual dirigiu-se aos formandos do trigésimo curso de Literatura da Língua Portuguesa.

 

 

O evento que teve lugar no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, há dias, encerrou o mais antigo programa daquela instituição que tem, anualmente, trazido vários escritores lusitanos para discutir literatura.

 

 

De acordo com Francisco Noa, o mar é uma presença pouco explorada nos estudos que se fazem sobre os imaginários do fazer literário, sobretudo poético, do país, não obstante presente desde antes de 25 de Junho de 75.

 

 

“O mar tal como o tempo, a morte, a solidão, o amor, a traição acaba por fazer parte dos grandes núcleos temáticos da cultura e da arte”, disse o académico.

 

 

Francisco Noa, 56 anos, explica que o mar, a literatura, em geral, traduz um profundo compromisso com a vida, mesmo que em momentos de confrontos com imagens de angústias, dor, tensões, incerteza e tristeza.

 

 

É por diversas razões que o mar faz parte das escritas dos poetas moçambicanos e em relação aos mesmos poetas por ele escolhemos hoje, que fazem parte de um núcleo particular da literatura moçambicana que tematiza o mar (Virgílio de Lemos, Luís Carlos Patraquim, Júlio Carrilho, Guita Jr, Aldino Timóteo), “eles instituem um determinado imaginário (marítimo) que assenta na representação do mar como tema e recurso criativo e caracteriza-se por uma efervescente e apelativa diversidade”, explicou.

 

 

Noa traz um monte de exemplos do mar como tema e recurso criativo de diferentes escritores, destacando Noémia de Sousa em “Poema Da Infância Distante”onde o mar representa o ciclo das transformações do sujeito e da vida.

 

 

O escritor vai buscar outro título: “Sentir Tudo De Todas As Maneiras Através Do Mar” do Sangare Okapi, onde existe uma forma exuberante como a poesia se relaciona com o mar, “Isto é, o mar em Okapi é uma vertigem que desafia os limites de todos os sentidos”, explicou.

 

 

 

 

 

Uma comunicação poética

 

 

UM outro painel juntou à mesa mais  dois nomes  Hirondina Joshua e Jaime Munguambe, que debateram “interacção por meio da poesia”.

 

 

Na sua intervenção a poetisa Hirondina Joshua, afirma que comunicar através da poesia é algo fácil, mas também difícil.

 

 

Torna-se fácil quando usamos o exercício experimental. Pois experimentar é segundo a poetisa “explorar novos conceitos e representações do mundo, rompendo com as convenções estabelecidas na tradição artística e literária”.

 

 

Realça ainda que o experimentalismo sempre esteve presente nas artes, não existe nenhum trabalho artístico que não seja experimental.

 

 

Por outro lado, Hirondina aconselha o seguinte “no fazer poético apela-se o não uso de expressões técnicas, justificam que elas tornam o texto rígido e pouco artístico”.

 

 

Jaime Munguambe, por sua vez, realça que a poesia mais do que o incentivo à formação cultural é o resgate da arte declamatória, o celeiro da poesia e contribui para a formação das pessoas.

 

 

“Comunicar por meio de poesia é muito mais do que verbalizar, é expressar-se com o corpo e também com o coração”.

 

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O PRESIDENTE da República, Filipe Nyusi, assegurou que a restauração da Fortaleza São Sebastião, que passou a ser o Centro de Arqueologia, Investigação e de Recursos da Ilha de Moçambique, inaugurado no âmbito das celebrações dos 200 anos daquela que foi a primeira capital do país, representa uma herança para as gerações vindouras.

 

 

O local, de acordo com o estadista, passa a ser lugar de partilha de conhecimentos, que culmina com a valorização e recuperação daquela infra-estrutura que consubstancia um grande e inolvidável esforço desenvolvido pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e alguns parceiros de cooperação.

 

 

O centro em referência, de acordo com o Presidente Filipe Nyusi, assume-se como uma marca onde convergem a qualidade arquitectónica e recuperação, preservação da memória da identidade da Fortaleza de São Sebastião, tudo com objectivo de estimular a prática da pesquisa do património arqueológico, ao mesmo tempo que é um ponto do turismo cultural incontornável.

 

 

Para Filipe Nyusi, com este acto, a Universidade Eduardo Mondlane associa-se, de forma ímpar e inesquecível, às celebrações dos 200 anos da Ilha de Moçambique, tendo na ocasião manifestado as suas felicitações pela sapiente decisão que tomou ao avançar por esta empreitada ambiciosa e absolutamente necessária para a preservação do património arqueológico cultural.

 

 

“Associado para a preservação deste património terrestre e aquático de incalculável valor, existe a determinação deste pedaço de terra a apropriar-se deste processo como primeiro e último beneficiário, num trabalho de pesquisa científica, levantamento e curadoria de estações arqueológicas que se juntam complementadas pela disseminação arqueológica”, disse Nyusi.

 

 

Saudou, na ocasião, o apoio que está ser dado pelo governo americano e outros países através de um decisivo impulso para a construção e apetrechamento deste centro de pesquisa.

 

 

Esta estrutura é a primeira do género no país e uma das poucas existentes no continente africano, que se dedicará essencialmente à pesquisa e arquivo documental sobre caravanas e rotas de escravos.

 

 

A iniciativa é financiada pelo Governo dos Estados Unidos da América, através do Fundo do Embaixador para a Preservação do Património Cultural.

 

 

De Moçambique e de outras partes de África, partiram milhares de escravos para vários destinos, incluindo para o continente americano. O tráfico, o comércio de escravos terminou num passado já muito distante, mas as evidências e os testemunhos materiais desse período triste da história da humanidade existem até hoje.

 

 

O património corria o risco de desaparecer se não tivessem sido tomadas medidas de sua protecção.

 

 

Foi pensando nisso que se decidiu lançar a iniciativa, Slave Wreck Project, através da qual investigadores procuram descobrir e estudar a rota de escravos e navios negreiros naufragados.

 

 

Ricardo Teixeira Duarte, professor da Universidade Eduardo Mondlane, é o director do projecto Preservação e Protecção do Património Cultural Submerso e Terrestre Ameaçado do Comércio Global de Escravos na Ilha de Moçambique.

 

 

A iniciativa é tutelada pelo Ministério da Cultura e Turismo e conta com forte envolvimento do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.

 

 

O património arqueológico em redor da Ilha de Moçambique está a ser estudado.

 

 

Localizada a cerca de 200 quilómetros de Nampula, a capital provincial, a Ilha de Moçambique é considerada património cultural da humanidade pela UNESCO.

 

 

É precisamente lá que os promotores do projecto querem instalar um centro de arqueologia, o primeiro do género em Moçambique.

 

 

LUÍS NORBERTO

 

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CRESCE o investimento na produção de um pensamento filosófico centrado em África, facto que vai possibilitar o resgate das raízes e maior valorização das teorias elaboradas dentro do continente.

Como prova disso, a Universidade Pedagógica (UP) introduziu o segundo ciclo de doutoramentos em Filosofia, sendo que, grande parte dos projectos de teses são centradas no pensamento africano. O número de obras e teses de nacionais, que tem como tema central o continente negro, também está aumentar.

Segundo o filósofo José Castiano, esta tendência vem para quebrar o paradigma vigente, caracterizado pelo foco na filosofia eurocêntrica.

Entretanto, para o académico, é necessário um trabalho de base para maximizar esta tendência.

Falando à margem do “Colóquio Internacional Sobre os 20 anos da reintrodução da filosofia em Moçambique”, que arrancou ontem e encerra hoje, o académico apontou que o país deu grandes passos na formação de professores e estudantes.

Indicou que estes avanços ajudam o país a fazer uma reflexão mais aprofundada sobre questões curriculares e a qualidade de ensino deste campo de conhecimento.

O académico vincou ainda que Moçambique está em vantagem em relação a muitos países que ainda não introduziram a filosofia no ensino secundário, sendo que a mesma está relegada apenas ao ensino superior.

Castiano defendeu que a maior consolidação da filosofia vai influenciar positivamente na participação, nos valores e na qualidade do debate político.

No colóquio internacional, o filósofo guineense Filomenes Lópes defendeu que há necessidade dos países do continente defenderem a filosofia africana independente da língua oficial proferida. Assim, as nações lusófonas, francófonas e anglófonas, devem procurar lutar pela globalização da filosofia africana.

O dia de hoje está reservado a apresentação dos projectos dos doutorandos em filosofias e oficinas em grupo.

 

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