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ENCONTRAM-SE patentes desde ontem, no Museu Nacional de Etnologia, na cidade de Nampula, diferentes obras gráficas que retratam a história da prostituição e abuso sexual de mulheres e raparigas durante o tempo colonial nas principias cidades do norte do país, protagonizada principalmente pelos soldados do regime português enfrentados pela então guerrilha da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).

A exposição de banda desenhada é da autoria do conceituado artista gráfico Justino Cardoso, que salientou em conversa com a nossa Reportagem que a mesma vai interessar a muita gente durante o tempo em que estiver patente, pois é a primeira vez que se expõe sobre a prostituição praticada no tempo da colonização em que muitas mulheres moçambicanas foram abusadas e humilhadas sexualmente.

Na realidade, no primeiro dia da exposição a nossa Reportagem constatou no local muita gente a visitar, sobretudo da camada feminina jovem que o autor não se poupou em dar explicações sobre o significado de todas as imagens gráficas patentes naquele museu.    

Num outro desenvolvimento Justino Cardoso, afirmou que o que acontece é que hoje os efeitos da prostituição praticada principalmente pelos soldados portugueses no norte de Moçambique. Conforme explicou, a prostituição acontecia principalmente nas vilas e cidades que concentravam muitos soldados portugueses, casos de Nampula, Nova Freixo (Cuamba), Montepuez, Mueda, Lumbo, Porta Amélia (Pemba), Vila Cabral (Lichinga) e Namapa.

De acordo com o nosso entrevistado, de todas elas, à cidade de Nampula, mais precisamente o Restaurante Gato Preto, localizado no bairro de Namputequeliua, era o “quartel-general” ou tinha fama de ser o centro da prostituição dos soldados portugueses no norte de Moçambique, principalmente os que vinham das frentes de combate.

“Eles quando chegassem naquele restaurante sentiam-se aliviados por terem escapado à morte nos combates que travavam com os guerrilheiros da FRELIMO, em Mueda, por isso, para que eles estivessem naquele sítio constituía um momento ímpar para fazerem orgias com as mulheres moçambicanas naquele local”, frisou Justino Cardoso.

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE

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