Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Um dos produtores mais bem-sucedidos da indústria cinematográfica, Arnon Milchan, admitiu ter sido um espião ao serviço do programa nuclear de Israel.

A história de Arnon Milchan tem tudo para ser um argumento de Hollywood, mas trata-se da mais pura realidade. O prolífico produtor de origem israelita, fundador e director da New Regency, admitiu ter participado em operações secretas ao serviço de Israel durante décadas.

Foi durante um programa televisivo israelita, na segunda-feira, que Arnon Milchan revelou ter sido um espião ao serviço do Gabinete de Relações Científicas, também chamado de Lekem, uma organização secreta ligada ao programa nuclear de Israel, que cessou funções em 1986. “Fi-lo pelo meu país e estou orgulhoso disso”, afirmou Milchan durante o programa de investigação Uvda.

Arnon Milchan é um dos mais célebres produtores de Hollywood, tendo no currículo êxitos como Pretty Woman, L.A. Confidential ou Fight Club.

As suas actividades tiveram início nos anos 1960, quando foi recrutado por Shimon Peres, que mais tarde viria a ser primeiro-ministro de Israel. Na época estavam ainda longe os dias de sucesso na indústria cinematográfica. Milchan era proprietário de uma empresa de fertilizantes e o seu papel no Lekem era o de obter informações científicas e técnicas para serem usadas em programas de defesa, segundo as explicações do próprio.

As grandes figuras da indústria não ficaram propriamente admiradas com a confissão de Milchan, chegando a afirmar que este era o “segredo menos bem guardado” de Hollywood. Com efeito, houve sempre uma suspeita de que o produtor levava uma vida paralela, que se estendia além das colinas californianas.

Um livro de investigação lançado em 2011 dava conta do papel de Arnon Milchan na Lekem como supervisor da compra de armamento e componentes para o programa nuclear israelita. O livro nunca foi autorizado por Milchan, que sempre negou qualquer participação em negócios de armas.

Sobre as suspeitas com que era confrontado, Milchan contou que, durante as entrevistas que dava, tinha de passar meia hora a explicar que não era vendedor de armas. “Em Hollywood as pessoas não gostam de trabalhar com um comerciante de armas, ideologicamente, com alguém que vive da venda de metralhadoras e de morte”, contou Milchan durante o programa israelita.

“Não sou vendedor de armas, não vendo pistolas, não vendo mísseis. Se as pessoas soubessem quantas vezes eu arrisquei a minha vida, para cá e para lá, vezes sem conta, pelo meu país”, acrescentou o produtor.

O realizador Robert Greenwald, que conhece Milchan há já vários anos, reconhece no produtor algumas das características necessárias a um bom espião. “Ele tem aquela coisa que algumas pessoas bem-sucedidas têm: consegue ler as pessoas rapidamente”, contou à BBC.

A autora do livro The CIA in Hollywood, Tricia Jenkins, nota que tanto produtores como espiões “estão no mesmo jogo”. “Criam histórias convincentes do nada, são muito bons mentirosos e muito bons contadores de histórias”, sublinhou, citada pela BBC.

Os serviços de informação israelitas ainda não reagiram à entrevista de Milchan.

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