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Categoria: Recreio e Divulgação
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O livro clássico da literatura moçambicana Terra Sonâmbula estará brevemente disponível em mandarim, língua falada por 1,4 bilião de pessoas na China, após entendimento nesse sentido entre o autor, Mia Couto, e várias entidades responsáveis pelo trabalho de publicação.
No mesmo bornal estão também contempladas as obras do prolífero escritor moçambicano A Confissão da Leoa e Jerusalém, que vão trazer, aos chineses amantes da literatura, uma amostra da realidade sócio-cultural de Moçambique, através da ficção literária.

Na sua recente visita à China, que foi também a primeira ao país asiático, para discutir os vários aspectos relativos ao processo de publicação dos livros, Mia Couto manteve um breve contacto com a AIM, em que deixou ficar as impressões sobre a ligação entre Moçambique e a China mas, desta feita, através do universo literário.

“Acho que a literatura é um bom princípio para mostrar que Moçambique é mais do que esse estereótipo, essa construção que a gente faz sobre o outro. A literatura fala de pessoas concretas, da diversidade que há em Moçambique, porque nós somos um país. Claro que não se compara com o tamanho da China, mas sendo um país que é muito longo, alberga várias etnias, várias culturas, várias línguas e Moçambique é tudo isso”, disse Mia Couto.

A literatura, na óptica do escritor, vai muito mais fundo, na medida em que conta histórias de pessoas, para além de constituir uma maneira de ter uma visão mais íntima de um lugar.

Mia Couto, com um arcaboiço de 34 obras literárias publicadas, afirmou que ver o livro Terra Sonâmbula traduzido para a língua chinesa é quase um sonho, porque nunca imaginara que a sua obra pudesse ter interesse na China e, esse interesse, fosse suficiente para publicar em livro.

A escolha das obras, segundo o autor, foi da editora em parceria com o agente literário, que quiseram estabelecer uma simbiose entre os romances mais actuais, neste caso Jerusalém (2009) e A Confissão da Leoa (2012), mas sem deixar de fora o clássico Terra Sonâmbula, com 224 páginas, publicado em 1992 e reeditado em 2006.

O livro Terra Sonâmbula está nesta colectânea porque, segundo afirmou o autor, constitui um marco no seu percurso literário, porquanto é o mais traduzido e mais premiado, daí o interesse da parte chinesa que o romance sirva de pilar neste intercâmbio.

Mia Couto disse, por outro lado, que já estão em processo de tradução para a subsequente publicação a trilogia sobre Ngungunhana, imperador que governou a região sul do país até ao fim do século XIX, e será também publicada uma história para crianças, em livro ainda por editar.

(Notícias/AIM)