Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

AS bandas Ghorwane e Kapa Dêch, os músicos Jimmy Dludlu e Stewart Sukuma são as figuras de cartaz de um festival de música programado para o dia 28 de Setembro, na capital moçambicana.

Denominado “A Luta Continua”, o show terá ainda em palco, a ser montado no Centro de Conferências Joaquim Chissano, Isabel Novella, Deltino Guerreiro, Justino Ubaka e Lorena Nhate.

A realização deste festival é uma iniciativa da ZEP Estúdios, em parceria com a Moz Gin&Friends, que visa impulsionar a música moçambicana e seus fazedores, mas também para evocar a continuidade da luta pela soberania cultural.

Os organizadores da primeira edição da “Luta Continua” pretendem ainda ajudar a colocar Maputo na rota internacional da música, com um show onde se mesclam ritmos como marrabenta, jazz, afro-jazz, pandza ou world music.

Esta iniciativa junta gerações de músicos do mais alto nível e outros mais jovens, mas que constituem um valor, porque têm potencial e que estarão juntos para espalhar o perfume da sua música aos amantes desta vertente artística.

Nesta edição, a produção do evento optou por juntar num só palco a nata do afrojazz e buscou a juventude para complementar este espectáculo, que se pretende seja início de uma cadeia de shows que vão dar brilho à cidade das acácias.

Gilberto Manuel Pumule Júnior, mais conhecido por Lapaman Pumule, da produção, explicou que o projecto tem como lema “Pela Arte e Desenvolvimento do nosso País, juntos somos mais sólidos”. O mesmo pretende mostrar que os artistas moçambicanos que brilham em palcos internacionais também podem ser aclamados internamente.

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O OCEANO Índico foi a porta pela qual as civilizações do oriente médio e, da Península Ibérica, sobretudo os portugueses, chegaram ao espaço que hoje é este país: Moçambique. A literatura, poesia, em particular, apropria-se do mesmo como lugar de reflexão.

 

 

De modo, a descortinar os códigos e as nuances envolvidas nessa referência imagética, Francisco Noa, crítico literário, escritor, académico e reitor da Universidade Lúrio, pesquisa essa temática.

 

 

Foi a partir de fragmentos desse estudo que, numa mesa moderada pelo jornalista deste matutino, Leonel Matusse Jr., subordinada ao tema “Noémia, Knopfli, White, Lica e Sangare: a sedução do mar e da vida”, o intelectual dirigiu-se aos formandos do trigésimo curso de Literatura da Língua Portuguesa.

 

 

O evento que teve lugar no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, há dias, encerrou o mais antigo programa daquela instituição que tem, anualmente, trazido vários escritores lusitanos para discutir literatura.

 

 

De acordo com Francisco Noa, o mar é uma presença pouco explorada nos estudos que se fazem sobre os imaginários do fazer literário, sobretudo poético, do país, não obstante presente desde antes de 25 de Junho de 75.

 

 

“O mar tal como o tempo, a morte, a solidão, o amor, a traição acaba por fazer parte dos grandes núcleos temáticos da cultura e da arte”, disse o académico.

 

 

Francisco Noa, 56 anos, explica que o mar, a literatura, em geral, traduz um profundo compromisso com a vida, mesmo que em momentos de confrontos com imagens de angústias, dor, tensões, incerteza e tristeza.

 

 

É por diversas razões que o mar faz parte das escritas dos poetas moçambicanos e em relação aos mesmos poetas por ele escolhemos hoje, que fazem parte de um núcleo particular da literatura moçambicana que tematiza o mar (Virgílio de Lemos, Luís Carlos Patraquim, Júlio Carrilho, Guita Jr, Aldino Timóteo), “eles instituem um determinado imaginário (marítimo) que assenta na representação do mar como tema e recurso criativo e caracteriza-se por uma efervescente e apelativa diversidade”, explicou.

 

 

Noa traz um monte de exemplos do mar como tema e recurso criativo de diferentes escritores, destacando Noémia de Sousa em “Poema Da Infância Distante”onde o mar representa o ciclo das transformações do sujeito e da vida.

 

 

O escritor vai buscar outro título: “Sentir Tudo De Todas As Maneiras Através Do Mar” do Sangare Okapi, onde existe uma forma exuberante como a poesia se relaciona com o mar, “Isto é, o mar em Okapi é uma vertigem que desafia os limites de todos os sentidos”, explicou.

 

 

 

 

 

Uma comunicação poética

 

 

UM outro painel juntou à mesa mais  dois nomes  Hirondina Joshua e Jaime Munguambe, que debateram “interacção por meio da poesia”.

 

 

Na sua intervenção a poetisa Hirondina Joshua, afirma que comunicar através da poesia é algo fácil, mas também difícil.

 

 

Torna-se fácil quando usamos o exercício experimental. Pois experimentar é segundo a poetisa “explorar novos conceitos e representações do mundo, rompendo com as convenções estabelecidas na tradição artística e literária”.

 

 

Realça ainda que o experimentalismo sempre esteve presente nas artes, não existe nenhum trabalho artístico que não seja experimental.

 

 

Por outro lado, Hirondina aconselha o seguinte “no fazer poético apela-se o não uso de expressões técnicas, justificam que elas tornam o texto rígido e pouco artístico”.

 

 

Jaime Munguambe, por sua vez, realça que a poesia mais do que o incentivo à formação cultural é o resgate da arte declamatória, o celeiro da poesia e contribui para a formação das pessoas.

 

 

“Comunicar por meio de poesia é muito mais do que verbalizar, é expressar-se com o corpo e também com o coração”.

 

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O PRESIDENTE da República, Filipe Nyusi, assegurou que a restauração da Fortaleza São Sebastião, que passou a ser o Centro de Arqueologia, Investigação e de Recursos da Ilha de Moçambique, inaugurado no âmbito das celebrações dos 200 anos daquela que foi a primeira capital do país, representa uma herança para as gerações vindouras.

 

 

O local, de acordo com o estadista, passa a ser lugar de partilha de conhecimentos, que culmina com a valorização e recuperação daquela infra-estrutura que consubstancia um grande e inolvidável esforço desenvolvido pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e alguns parceiros de cooperação.

 

 

O centro em referência, de acordo com o Presidente Filipe Nyusi, assume-se como uma marca onde convergem a qualidade arquitectónica e recuperação, preservação da memória da identidade da Fortaleza de São Sebastião, tudo com objectivo de estimular a prática da pesquisa do património arqueológico, ao mesmo tempo que é um ponto do turismo cultural incontornável.

 

 

Para Filipe Nyusi, com este acto, a Universidade Eduardo Mondlane associa-se, de forma ímpar e inesquecível, às celebrações dos 200 anos da Ilha de Moçambique, tendo na ocasião manifestado as suas felicitações pela sapiente decisão que tomou ao avançar por esta empreitada ambiciosa e absolutamente necessária para a preservação do património arqueológico cultural.

 

 

“Associado para a preservação deste património terrestre e aquático de incalculável valor, existe a determinação deste pedaço de terra a apropriar-se deste processo como primeiro e último beneficiário, num trabalho de pesquisa científica, levantamento e curadoria de estações arqueológicas que se juntam complementadas pela disseminação arqueológica”, disse Nyusi.

 

 

Saudou, na ocasião, o apoio que está ser dado pelo governo americano e outros países através de um decisivo impulso para a construção e apetrechamento deste centro de pesquisa.

 

 

Esta estrutura é a primeira do género no país e uma das poucas existentes no continente africano, que se dedicará essencialmente à pesquisa e arquivo documental sobre caravanas e rotas de escravos.

 

 

A iniciativa é financiada pelo Governo dos Estados Unidos da América, através do Fundo do Embaixador para a Preservação do Património Cultural.

 

 

De Moçambique e de outras partes de África, partiram milhares de escravos para vários destinos, incluindo para o continente americano. O tráfico, o comércio de escravos terminou num passado já muito distante, mas as evidências e os testemunhos materiais desse período triste da história da humanidade existem até hoje.

 

 

O património corria o risco de desaparecer se não tivessem sido tomadas medidas de sua protecção.

 

 

Foi pensando nisso que se decidiu lançar a iniciativa, Slave Wreck Project, através da qual investigadores procuram descobrir e estudar a rota de escravos e navios negreiros naufragados.

 

 

Ricardo Teixeira Duarte, professor da Universidade Eduardo Mondlane, é o director do projecto Preservação e Protecção do Património Cultural Submerso e Terrestre Ameaçado do Comércio Global de Escravos na Ilha de Moçambique.

 

 

A iniciativa é tutelada pelo Ministério da Cultura e Turismo e conta com forte envolvimento do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.

 

 

O património arqueológico em redor da Ilha de Moçambique está a ser estudado.

 

 

Localizada a cerca de 200 quilómetros de Nampula, a capital provincial, a Ilha de Moçambique é considerada património cultural da humanidade pela UNESCO.

 

 

É precisamente lá que os promotores do projecto querem instalar um centro de arqueologia, o primeiro do género em Moçambique.

 

 

LUÍS NORBERTO

 

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CRESCE o investimento na produção de um pensamento filosófico centrado em África, facto que vai possibilitar o resgate das raízes e maior valorização das teorias elaboradas dentro do continente.

Como prova disso, a Universidade Pedagógica (UP) introduziu o segundo ciclo de doutoramentos em Filosofia, sendo que, grande parte dos projectos de teses são centradas no pensamento africano. O número de obras e teses de nacionais, que tem como tema central o continente negro, também está aumentar.

Segundo o filósofo José Castiano, esta tendência vem para quebrar o paradigma vigente, caracterizado pelo foco na filosofia eurocêntrica.

Entretanto, para o académico, é necessário um trabalho de base para maximizar esta tendência.

Falando à margem do “Colóquio Internacional Sobre os 20 anos da reintrodução da filosofia em Moçambique”, que arrancou ontem e encerra hoje, o académico apontou que o país deu grandes passos na formação de professores e estudantes.

Indicou que estes avanços ajudam o país a fazer uma reflexão mais aprofundada sobre questões curriculares e a qualidade de ensino deste campo de conhecimento.

O académico vincou ainda que Moçambique está em vantagem em relação a muitos países que ainda não introduziram a filosofia no ensino secundário, sendo que a mesma está relegada apenas ao ensino superior.

Castiano defendeu que a maior consolidação da filosofia vai influenciar positivamente na participação, nos valores e na qualidade do debate político.

No colóquio internacional, o filósofo guineense Filomenes Lópes defendeu que há necessidade dos países do continente defenderem a filosofia africana independente da língua oficial proferida. Assim, as nações lusófonas, francófonas e anglófonas, devem procurar lutar pela globalização da filosofia africana.

O dia de hoje está reservado a apresentação dos projectos dos doutorandos em filosofias e oficinas em grupo.

 

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LEVAR o teatro para as ruas do bairro de Magoanine “B” é uma forma de oferecê-lo a quem não tem acesso às salas do centro da cidade por diversas limitações e, igualmente, por falta de um sistema de educação que mostre o valor dessa arte no seu desenvolvimento intelectual.

Foi o que, de quinta-feira a sábado, da semana passada, fez a primeira edição do Festival Magogo, realizado pela casa de acolhimento Ndagwini, ao “passear”, das 18:00 às 20:00 horas por algumas ruas dos bairros periféricos da cidade de Maputo.

Com dança e teatro à mistura, o objectivo era interpelar os moradores na volta dos seus afazeres diários, entre trabalho e escola. No sábado, dia do encerramento, assumindo que as pessoas estavam na zona, o programa foi das 15:00 às 18:00 horas.

Foram cerca de nove os grupos de teatro e dança amadores que deram corpo à iniciativa que, de acordo com a italiana Irene Bellamio, dando voz a “Ndagwini”, juntou, em média, por dia 100 pessoas.

“O nosso objectivo é trazer as artes aos bairros, que, normalmente, só acontecem na cidade e as pessoas daqui não têm acesso”, disse, a defender a necessidade de “criar-se esse hábito”.

Conforme explicou, trata-se de uma primeira experiência que funcionou como piloto, de modo, a no próximo ano, uma vez que se pretende que seja anual, realizar-se com menos hesitações e de melhor formar. Talvez em um dia apenas.

Durante os três dias do festival, Irene disse ter observado que as pessoas gostam de teatro, o que facilita, entende, a percepção e apreensão das mensagens que as peças pretendem transmitir.

O pano de fundo do evento, explicou, é alargar o alcance da “Ndagwini”, que é uma casa, na qual um casal acolhe crianças em situação de vulnerabilidade, dando-lhes alimentação, educação e acompanhamento escolar, financiando os estudos e dando explicação das mais diversas disciplinas.

“Algumas crianças moram lá e outras, com familiares. Eles vão lá para ter as aulas, as refeições e qualquer outro tipo de apoio que temos a nossa disposição em função das limitações financeiras que temos porque o financiamento não é fixo”, disse.

A referida organização sustenta-se com o apoio de algumas famílias italianas e amigos que vão enviando o que podem, havendo meses, em que tal não é possível e a alternativa, disse a italiana, é “phandar”- termo adaptado de phanda que significa desenrascar em changana.

Crentes de que as artes participam do processo de formação de um indivíduo, este projecto pretende moldar a consciência crítica e reflexiva dos moradores dos bairros suburbanos, sobretudo, nas crianças, por ainda terem a mente aberta para aprender novas formas de pensar.

Face às dificuldades financeiras que estiveram por trás da organização, o Festival Magogo contou com o apoio de alguns moradores que cederam as suas casas para que os actores e bailarinos pudessem mudar as suas roupas e guardar os seus pertences durante as performances. “Não chegamos a vinte mil meticais para organizar”.

Irene Bellamio disse que a inspiração para a realização do festival veio de um similar, realizado ano passado no bairro de Mavalane pela Companhia de Artes Makwerho, que por sua vez apoiou na produção de Magogo.

A transformação leva o seu tempo

ERNESTO Langa, em representação da organização mavalaliana, considerou interessante a experiência de Magoanine, na medida em que contribui para a tentativa de desenvolvimento do teatro de rua.

A cedência de alguns membros para a produção foi no espirito de dar aso a uma actividade que acredita ser um dos caminhos para a inclusão no acesso às artes que, segundo disse, falta nas periferias de Maputo.

“O que nos motivou a apostar no teatro de rua foi a falta de espaços nos bairros para fazer teatro e, como sabemos, com o nosso sistema de transporte, a distância e a falta de hábito, os moradores da periferia não vão ao teatro”, esclareceu Ernesto Langa.

Conforme explicou, o impacto de iniciativas do género é imediato, pois, atinge e envolve um público que – disse – é honesto e absorve os conteúdos das peças de forma natural. É neste sentido que justificou que o verdadeiro retorno que os satisfaz é a mudança social que podem provocar com o teatro.

“O retorno financeiro, sabemos, ainda está longe, pois depende de vários factores que passam pela estruturação de um pensamento mais aberto e interventivo por parte do Ministério da Cultura e Turismo e demais autoridades”, disse.

Prosseguiu considerando que, para tal, ainda vai se levar o seu tempo, como ocorre,  com os processos de transformação de uma forma de estar e de pensar a realidade.

É urgente levar

as artes para a periferia

GENEROSO António Sitoe, secretário do bairro, disse que iniciativas desta natureza do Festival Magogo são bem-vindas, na medida em que contribui na educação dos moradores e destaca valores de boa convivência em sociedade.

“Estas iniciativas são importantes e incentivamos a sua realização. A nossa expectativa é que se multipliquem”, disse o secretário do bairro.

É de interesse, prosseguiu, que o bairro de Magoanine 'B” entre na rota de projectos associados às artes e de outra natureza, pois, o desafio é transformar os subúrbios em meios urbanos.

As peças de teatro e as danças que foram apresentadas durante os três dias retrataram diversas formas de ver e estar na sociedade, bem como sugeriu a alteração de alguns tipos de conduta.

O denominador comum das representações foi a apropriação do folclore, entre o cancioneiro, contos míticos e demais saberes populares para incorporação nas peças. Tal atitude demonstra uma consciência cada vez mais madura face à necessidade de valorização da identidade.

Uma vez que as artes são, em parte, um espaço onde se pode descortinar o imaginário de um grupo social, as representações demonstraram questionamentos sobre a natureza de algumas tradições que para as dinâmicas dos tempos actuais podem já estar obsoletos.

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