Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

A alegoria da caverna de Platão é esclarecedora quanto à necessidade que o Homem tem de alcançar a luz. Não era, obviamente, a do sol, mas sim a do saber, do conhecimento que possibilita ver o mundo com olhos esclarecidos.

Desde o surgimento da escrita que a mesma foi se desenvolvendo e se apoiando em múltiplas plataformas e suportes, tendo sido o livro, por longos anos, a sua mais respeitada residência.

O que hoje já não é tão absoluto. Há espaços virtuais que a conservam com, nalguns casos, maior segurança.

Com efeito, as possibilidades de leitura, nesse contexto, tornam-se maiores, à medida em que há mais dispositivos. Se ontem a queixa era o preço do papel e do transporte do livro físico, essa questão hoje está ultrapassada. A internet está aí.

Deste modo, acreditamos haver fundamentos para justificar que algumas coisas ficaram, relativamente, facilitadas. Mas facilidade por facilidade, só de facto é, caso seja aproveitada. O que nos parece que seria possível com uma política especifica para a questão.

Ora vejamos, a relação com a leitura, quando bem construída, transcende ao que está escrito. Na verdade, o efeito desse exercício é uma interpretação esclarecida da realidade e uma visão para além do horizonte na concepção dos problemas.

É como dizia a mãe de Eduardo Mondlane, o arquitecto da unidade nacional e fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO): “Meu filho, segue o feitiço dos brancos”. O mesmo que dizer vai à escola. Ele foi lá e tornou-se o arquitecto da nação.

Mais do que ter comandado o exército de guerrilheiros moçambicanos que, com parcos recursos e num tempo difícil, logrou combater com destemida bravura até conquistar a independência do país, Eduardo Mondlane é um exemplo de superação. Nascido num meio rural, a sua entrega aos livros levou-lhe aos Estados Unidos onde foi doutorar-se em Sociologia e possibilitou-lhe ver com olhos de ver. E mais, Mondlane, filho de Mandlakazine, na aldeia de Nwadjahane e nascido a 20 de Junho de 1920, logrou ser funcionário das Nações Unidas.

Nos últimos anos, assumamos, é uma lástima as respostas às perguntas que se fazem aos alunos nas ruas sobre quaisquer assuntos. E isso reside na falta de leitura. Num regime em que a leitura é o centro do ensino e da sociedade no geral, o professor não passa de mero mediador.

Se quisermos, de facto, combater a pobreza, é preciso que assumamos que devemos educar a sociedade. Vamos pôr as nossas crianças a lerem. Até porque hoje em dia, a literatura infanto-juvenil já está disponível.

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José Craveirinha, o nosso poeta maior, escreveu:

“O céu

É uma m´benga

Onde todos os braços das mamanas

Repisam os bagos de estrelas.

Amigos:

As palavras mesmo estranhas

Se têm música verdadeira

só precisam de quem as toque

ao mesmo ritmo para serem

todas irmãs”.

 

É isso! Quando os escritores se encontram celebram as artes, os livros. Falam da vida e do amor pela pátria. E o mote é a palavra. Juntos, os escritores – estes escultores e cultores da palavra – celebram o pensamento. É o momento de exorcizar os espíritos encarnados e saborear a liberdade. Gargalhadas não faltam. Há sussurros e sorrisos. Cochichos. São momentos únicos. E é o que se vê neste quadro tecido e oferecido pelo nosso colega de imagem, Isaías Sitoe, num deleite havido durante três dias (terça, quarta e quinta-feira) no Deal – Espaço Criativo, na capital do país. O pretexto era a segunda edição do “Colóquio de Literatura – Resiliência 2”. Que juntou todos os amantes da palavra, dos livros e do debate. Para falar. Ora vejamos quem aqui está:

FOTO-1 (Melita Matsinhe, Sónia Sultuane e Sara Jona)

FOTO-2 (Ungulani Ba Ka Khosa e o escritor brasileiro Luiz Ruffato)

FOTO-3 (Mia Couto e Luiz Ruffato)

FOTO-4 (Marcelo Panguana e Mbate Pedro)

FOTO-5 (Marcelo Panguana e Lucílio Manjate)

FOTO-6 (Rogério Manjate e Gilberto Matusse)

 

Mas, Craveirinha não pára por aqui e continua:

 

“E eis que num espasmo

De harmonia como todas as coisas

Palavras rongas e algarvias ganguissam

Neste satanhoco papel

E recombinam o poema”.

 

É isso aí: celebramos a palavra e o pensamento.

 

____________________________________

m´benga– pote de barro

mamanas– mulheres

rongaou xironga– língua mais meridional do grupo linguístico bantu tsonga.

gangussam– namoram

satanhoco – uma coisa que não presta

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