O GOVERNO de Tete vai proceder amanhã ao lançamento de uma campanha visando a diminuição das altas taxas de prevalência da desnutrição crónica, sobretudo em crianças menores de cinco anos de idade.
O Director Provincial de Agricultura e Segurança Alimentar, José Pereira Mendonça, disse ontem que a província é uma das que apresenta uma taxa acima da média nacional, com 44.2 por cento, conforme os resultados do Inquérito Demográfico e de Saúde.
A decorrer sob o lema “Nutrição é Desenvolvimento, Um compromisso de Todos”, a campanha visa mobilizar todo o cidadão a investir mais e melhor na nutrição no seio familiar, conforme explicou a nossa fonte.
A propósito, instou a classe empresarial na província a empenhar-se e a providenciar apoio em produtos alimentares às comunidades e proporcionar mecanismos no sentido de melhorar a produção de produtos de alto teor nutritivo.
“A comercialização de vegetais e alguns tubérculos pode significar um impulso valioso para as comunidades se empenharem na sua produção e assim melhorarem a dieta alimentar nas famílias” - apontou Mendonça.
Informou que os Serviços Distritais de Actividades Económicas, através de uma rede de extensionistas agrários, estão a levar a mensagem da necessidade de se imprimir uma dinâmica na produção agrária para a elevação contínua dos níveis de rendimento de produção e produtividade.
“Temos a consciência de que os camponeses, juntando-se e formando associações, os seus rendimentos serão maiores, com uma produção e produtividade de qualidade, onde a colheita será suficiente para a segurança alimentar das famílias” - concluiu.
Entretanto, os camponeses e produtores do sector familiar, acompanhados dos seus parceiros, estão com as atenções viradas na produção de comida, condição principal para a garantia da segurança alimentar, nutricional e geração de receitas para o seu bem-estar social.
Apesar de várias adversidades do regime de produção de sequeiro e devido a carência da chuva, como tem acontecido nas últimas três campanhas agrícolas, há distritos da província que não atingiram níveis satisfatórios da sua produção, segundo apontou o presidente da União Provincial dos Camponeses em Tete, Lusitano Evaristo.
“A nossa agricultura é de regime sequeiro e quando não chove devidamente como está a verificar-se em alguns distritos da região sul da província nas últimas campanhas agrícolas, os camponeses não têm rendimentos na colheita” - apontou aquele responsável.
Assim, a União Provincial dos Camponeses está a sensibilizar os produtores do sector familiar a usarem as capacidades existentes na região como as zonas baixas e ribeirinhas dos rios para a produção da segunda época, o que, em certa medida, tem aliviado o sofrimento das comunidades em termos de abastecimento em produtos alimentares agrícolas.
“Estamos a introduzir novas tecnologias para a produção agrícola no seio dos camponeses para obtenção de melhores rendimentos por hectare, assim como a abertura de feiras de mercados rurais” - acrescentou Lusitano Evaristo.
BERNARDO CARLOS
