TRÊS organizações da sociedade civil, nomadamente Nweti, CPI e CESC, dizem estar preocupadas com a falta de água nas unidades sanitárias, sobretudo nas que possuem maternidades, particularmente na província de Cabo Delgado, situação que está a concorrer para a fraca provisão dos serviços sanitários.
De acordo com Violeta Candeia, coordenadora do Nweti, a falta de água nas maternidades é deveras preocupante e fez com que as três organizações lançassem, na semana passada, uma campanha com o intuito de chamar atenção a quem de direito, sobretudo o Governo, para resolver o problema.
Denominada “Uma unidade sanitária, uma fonte de água”, a campanha vai ser implementada no âmbito do projecto “Mais Vida”, que pretende sensibilizar e chamar atenção a quem de direito para criar mecanismos de prover água às unidades sanitárias, com destaque para aquelas que possuem maternidades, porque condições existem para o efeito.
Referiu que numa maternidade sem água é complicado para uma mulher dar à luz em condições saudáveis. Acrescentou que é urgente que as instituições, tanto do Estado como não, a partir do próprio sector de Saúde e organizações da sociedade civil, reflictam sobre este assunto o mais rápido possível.
Afirmou que sem água é difícil manter higiene dos utentes e das próprias unidades sanitárias. No âmbito da monitoria da qualidade de serviços sanitários prestados aos utentes, as três organizações ficaram sensibilizadas com o problema da escassez daquele precioso líquido nos hospitais, sobretudo das zonas rurais.
Fez saber que, no trabalho realizado em algumas unidades sanitárias, as três organizações constataram que certos hospitais têm tido água apenas em tempo de chuva, enquanto outras nem sequer possuem fontes deste líquido e muito menos tanques para o aproveitamento da água das chuvas.
“Se há condições financeiras para construir uma unidade sanitária que inclui maternidade, significa que também há condições para prover água nesse Posto de Saúde. Acreditando nesta capacidade, queremos lembrar que, ao construir hospitais, abram-se também fontes de água para ser usada pelos utentes, e penso que é fácil” – considerou Candeia.
Por outro lado, defendeu que, não existindo novos investimentos para as unidades sanitárias através do Governo central, deve-se encontrar um meio-termo. “Os governos distritais podem usar os seus orçamentos para resolver este problema porque parece que se corre para construir postos de Saúde, mas pondo-se de lado a questão da água”, disse.
Numa primeira fase, de acordo com a fonte, as três organizações vão advogar para provisão de água em pelo menos 30 unidades sanitárias de seis distritos, nomeadamente Ancuabe, Quissanga, Montepuez, Macomia, Muidumbe e Nangade, regiões que, neste momento, são abrangidas pelo projecto.
JONAS WAZIR
