Pouco mais de 1 milhão de famílias camponesas estão envolvidas na produção de feijão-bóer, uma cultura de rendimento em franca expansão no centro e norte do país.

De acordo com dados fornecidos por Benedito Cunguana, pesquisador do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, o número de produtores, situado em 695.286 em 2002. quase que duplicou, o mesmo acontecendo com a área cultivada, que de 68.814 hectares passou para 248.929.

Outros dados dão conta que a evolução da produção acabou catapultando o país para a posição de quinto maior produtor, atrás da Índia, Myanmar, Malawi e Tanzania e terceiro exportador com uma produção global que supera as cem mil toneladas anuais.

Segundo Rosário Marapusse, economista do projecto da USAID para o Desenvolvimento Económico Empresarial, o feijão-bóer ocupa cerca de 250 mil hectares equiparando-se ao amendoim e arroz.

Segundo a fonte, a cultura tem registado considerável crescimento de 8 por cento ao ano, o que a torna tão importante como o milho e a mandioca.

Devido ao preço atractivo (a tonelada chegou a custar 1000 dólares ao produtor na última safra), há cada vez mais famílias envolvidas, facto que contribui para o incremento das áreas de cultivo por família.

O principal importador do feijão-bóer é a Índia, que só no ano passado consumiu 60.000 toneladas, o equivalente a 40 milhões de dólares/ano.

Devido ao facto de estar disponível apenas uma fábrica de processamento no Guruè, a maior parte da produção (95 por cento) é exportada não processada.

Marapusse defende a necessidade de introdução de incentivos para a produção desta cultura que constitui uma das principais fontes de renda no meio rural, em particular na província da Zambézia, que é a maior produtora do país.

Os incentivos incluem a redução dos custos de transporte e logística, investimentos em infra-estruturas de acesso aos mercados e promoção de investimento na produção de semente melhorada.

De acordo com a fonte, com a semente melhorada a colheita sobe de duas para seis toneladas por hectares de feijão-bóer, o que irá contribuir para a melhoria do rendimento da agricultura e de rendimentos das famílias camponesas.

Estes dados foram tornados públicos esta semana no contexto da auscultação pública sobre a protecção da indústria de processamento de feijão-bóer, levada a cabo pela Federação Nacional das Associações Agrárias de Moçambique (FENAGRI).

A introdução da variedade 0040 do feijão-bóer desenvolvida pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), no âmbito de um projecto financiado pela Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA) em pouco mais de um milhão de dólares norte-americanos, acabou sendo o principal incentivador do crescimento dos rendimentos que se verifica actualmente.

Assim, na época chuvosa os camponeses produzem as suas culturas tradicionais, como arroz, batata-doce, mapira, milho, entre outras e na época seca desenvolvem o cultivo do feijão-bóer.

Além de contribuir para a melhoria da qualidade dos solos esta nova variedade de feijão tem maiores rendimentos: cinco a seis toneladas por hectare, contra uma a duas toneladas conseguidas com a variedade local que já estava degenerada.

Além disso a antiga variedade local não tinha um mercado amplo devido a problemas de qualidade relacionados com o aspecto físico e sabor enquanto a 0040 tem mercado na Ásia e pode também ser comercializada localmente.

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