Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O SURGIMENTO de fábricas que processam alimentos em Moçambique contribui para o crescimento económico e, consequentemente, para a redução da insegurança alimentar  e nutricional, defende a directora da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), Kátia dos Santos Dias.

Paralelamente, o processamento de alimentos localmente produzidos tem o potencial de estimular a produção agrícola nacional e aumentar a criação de postos de trabalho, contribuindo para a disponibilidade e acesso a alimentos potencialmente nutritivos, com mais qualidade e a custo mais baixo, para a população com baixo poder de compra.

“Moçambique tem um grande potencial no agro-processamento. Grande parte da produção de alimentos no nosso país ainda não adiciona valor, o que reduz o seu apelo comercial. Acrescente-se que os mesmos alimentos não chegam às populações mais distantes dos centros de produção ou, se chegam, poderão ter a qualidade comprometida e ou são mais caros”, disse.

Apesar de promover e apoiar financeiramente iniciativas viradas para a área de nutrição, a nossa interlocutora esclarece que a entidade que dirige não tem mandato para realizar acções inspectivas em Moçambique. Existem, a nível nacional, autoridades competentes e certificadas para realizar a monitoria de mercados e inspecção das fábricas.

Através do Mercado de Alimentos Nutritivos, com fundos da USAID, um projecto implementado pela GAIN  apoia as empresas moçambicanas no aumento da produção e na oferta de alimentos nutritivos. Todavia, tudo o que está ligado à qualidade cabe aos empreendedores.

“Todas as questões ligadas à garantia da qualidade e segurança dos alimentos produzidos pelas empresas apoiadas pela GAIN são da responsabilidade destas empresas”, disse.

FRUTOS SILVESTRES NA PRODUÇÃO DE COMPOTAS 

Inspirada no projecto “Empreendedoras no Feminino”, uma iniciativa basicamente agrária, desenvolvida no Corredor da Beira, apostou no processamento de frutas naturais e, paulatinamente, vai tentando penetrar nos mercados internacionais para expor as suas potencialidades. Trata-se de Leopoldina Dias, que há cerca de dois anos se dedica a este ramo de actividade na cidade de Maputo.

Com um conhecimento sólido no que toca à conservação do seu produto, fala de um segredo muito importante para o sucesso da sua actividade: participar directamente em todos os processos de produção, com vista a manter e certificar os níveis de qualidade do produto.

“Eu tenho colaboradoras com o nível médio e certos conhecimentos básicos de fenómenos químicos. Não desconfio delas mas, devido à delicadeza do trabalho que fazemos, em que a mínima falha pode comprometer a qualidade e a marca, faço questão de acompanhar todos os momentos do processamento, da embalagem e do tratamento dos frascos”, disse.

Alguns produtos processados na praça são conservados em embalagens plásticas, mas a nossa interlocutora afirma que o mesmo não acontece com os seus produtos por serem naturais.

Deste modo, adianta, eles só podem ser embalados em frascos de vidro, que são onerosos. Os principais ingredientes são basicamente a fruta da época e o açúcar castanho. As florestas nacionais são a principal fonte de matéria-prima, de onde provêm os frutos silvestres colectados pelos camponeses.

Dias explica que apesar de ter um mercado selectivo, e por conseguinte pequeno, que é a classe média alta, sente-se motivada pelo facto de, em Moçambique, muitas pessoas começarem a ter propensão para consumir produtos naturais.

Em contrapartida, enfrenta um desafio que é imposto pela redução da matéria-prima, em virtude da seca que nos últimos dois anos assola o país em que mesmo as florestas não escaparam ao fenómeno, o que se reflecte na produção final.

A par disso, segundo Leopoldina Dias, há no contexto da seca um certo oportunismo,  porque, uma vez que os frutos silvestres não são geralmente comercializados, quando aparece alguém que necessite de grandes quantidades, como cem quilogramas, por exemplo, os colectores aplicam preços proibitivos no lugar de os reduzir.

Lamenta o facto de o seu produto não poder ser consumido por diabéticos, uma vez que um dos principais ingredientes é o açúcar. Mas porque com adoçantes existe a probabilidade de adulterar o produto, prefere manter a sua linha, que não é menos importante para um segmento de consumidores.

O aspecto da embalagem é fundamental para atrair os consumidores. Conta a nossa fonte que, inicialmente, usava frascos de mayonese. Apesar de serem tratados, confundiam os clientes porque os recipiente continham compota de marca tsokotsa, e na tampa aparecia a escrita correspondente ao produto original.

“Foi para evitar tal confusão e para responder às exigências dos clientes que passámos a cobrir as tampas com uma decoração também muito nossa”, explicou.

À semelhança de outras pequenas empresas, Leopoldina Dias ensinou e garante emprego a duas colaboradoras que a apoiam no fabrico caseiro das compotas, desde a limpeza e desinfecção dos frascos à confecção do produto final e decoração da embalagem.

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