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Categoria: Ciência, Tecnologia e Ambiente
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O envolvimentoem grande escala do empresariado nacional, o expressivo número de investigadores nacionais e estrangeiros foram a nota positiva mencionada pelos promotores do segundo seminário internacional de investigação, que recentemente teve lugar em Maputo.

Falando ao cair do pano do maior evento no campo da investigação, Vitória Langa de Jesus, directora executiva do Fundo Nacional de Investigação (FNI), disse ao “Notícias” que o evento superou as expectativas não só pelo número de participantes como também pelo impacto positivo resultante do evento.

Por exemplo, explica, a presença do empresariado internacional, abriu espaço para que a montra de investigação fosse mais ampla, assim como permitiu despertar interesse dos investidores pelo conhecimento gerado a partir da investigação feita por moçambicanos e não só.

“Para além dos que vinham exibir os resultados dos seus trabalhos, tivemos participantes interessados em fazer uso dos mesmos, nas suas empresas, o que é muito bom e tivemos igualmente aqueles que participaram com intenção de melhorar ainda mais as suas pesquisas”, exemplificou.

A abertura de pesquisadores e investidores estrangeiros no desenvolvimento de projectos com o empresariado local e a possibilidade de financiamento a partir de agências é tido pela entrevistada como outro ganho relevante.

A fonte fala do estabelecimento de parcerias que se consubstanciaram em memorandos de entendimento e abertura de novas janelas de colaboração com países como Brasil, Espanha, Burquina Faso, bem como o fortalecimento de relações que já vinham acontecendo com a África do Sul, Zâmbia e Namíbia.

Outro aspecto de que o FNI se pode orgulhar no processo da promoção do investimento em Moçambique é o facto de o conhecimento gerado a partir da investigação feita no país, por moçambicanos, estar a ser reconhecido na Europa e em países como Alemanha, reconhecido pelo alto rigor na avaliação da qualidade das pesquisas.

“O facto de estarmos a ganhar credibilidade e reconhecimento numa universidade de grande gabarito na Alemanha, por exemplo, é motivo de muita satisfação. Tivemos recentemente uma avaliação em que quatro pesquisas nossas foram aprovadas numa universidade alemã tida como de topo na investigação”, exemplifica.

Apesar dos avanços, Vitória Langa de Jesus fala de desafios que se impõem neste campo, com particular destaque para o empresariado nacional que ainda faz pouco uso do conhecimento produzido pela ciência, bem como a sua fraca adesão ao financiamento de projectos que vão sendo desenvolvidos pela investigação.

O desafio é igualmente estendido a outras instituições que podem atingir um crescimento qualitativo usando o conhecimento científico para melhorarem a sua produção e produtividade.

Papel do Fundo na promoção da investigação

O FNI é uma instituição pública de âmbito nacional, tutelada pelo ministro que superintende a área da Ciência e Tecnologia. Foi criada com o objectivo de promover a investigação científica, através do financiamento e fomento da execução de programas, projectos e outras acções no domínio da investigação científica e inovação tecnológica, segundo as prioridades estratégicas do Governo.

A intenção de organizar eventos internacionais é uma forma de procurar um espaço com a finalidade de desenvolver um sistema integrado de produção e gestão do conhecimento virado para as necessidades nacionais de cada país e da região de forma a impulsionar o desenvolvimento sustentável dos integrantes.

Para promover a pesquisa científica e inovação tecnológica, o FNI tem realizado em todos os anos, as Jornadas Científicas e Tecnológicas de Moçambique, os cursos de metodologias e elaboração de propostas de projectos de investigação, os cursos de agregados de inovação, seminários nacionais para a divulgação de resultados dos projectos financiados pela instituição, os cursos de gestão financeira eprocurment aos beneficiários dos seus fundos. 

Esta instituição tem vindo a financiar projectos de investigação científica, de inovação e transferência de tecnologia, projectos estratégicos do governo, agregados de inovação, trabalhos de investigação para a obtenção do grau académico de Mestre e Doutor; a produção e publicação de artigos e livros científicos, incluindo a participação de investigadores moçambicanos em eventos científicos nacionais e/ou internacionais. 

O que dizem os parceiros

O CHEFE da cooperação da Embaixada da Suécia, Micael Elossi Elfsson, disse na esteira do segundo seminário internacional que a ambição do seu país é superar os desafios estratégicos no que concerne à área de investigação através da criação de condições para melhoria de vida dos mais desfavorecidos.

“Tenho convicção de que as discussões e a partilha de resultados saídos deste intercâmbio de profissionais de diversos campos do saber, enquadra-se neste contexto”, disse Elfsson.

Lamentou o que classificou de quadro perturbador da sub-representação dos países em desenvolvimento. Para ele, a lacuna que se verifica entre a demanda e o fornecimento de conhecimento científico, relacionado com problemas e necessidades específicas de cada país deve ser parcialmente sanada com o auxílio do conhecimento produzido internacionalmente.

“A Suécia entende que os países em desenvolvimento devem ter recursos para possuir e conduzir pesquisas por conta própria e ajustadas às suas necessidades”, sublinhou.

Por seu turno, o representante do Banco Mundial, Mark Lundell, referiu que a contribuição que os investimentos em ciência e tecnologia podem trazer para o desenvolvimento de países é já uma realidade comprovada e, por isso, tem merecido a atenção da sua organização, sob forma de apoios no continente africano, de um modo geral, e em Moçambique, particularmente.

“Paísescomo Moçambique precisam de expandir a produção do conhecimento científico de forma a aumentar o valor agregado e a produtividade em sectores-chave da economia. Esperamos que as parcerias criadas através de eventos como estes resultem em redes de conhecimento científico mais fortes, com o objectivo de apoiar agendas relevantes de pesquisa no país e entre países.