O CORTE ilegal de madeira dentro e nos arredores da Reserva Nacional de Gilé, na província da Zambézia, está praticamente controlado, mercê da implementação e monitoria de uma campanha de advocacia designada Governação Florestal: uma urgência do momento.
A população e as autoridades comunitárias bem como os parceiros entrevistados pela nossa Reportagem nesta área de conservação, confirmam que de Janeiro a esta parte os operadores furtivos e camiões dedicados ao transporte ilegal de madeira, deixaram de frequentar a região em resultado do aperto das medidas de controlo e fiscalização.
A rainha Catarina Manasse, do regulado de Mulela, no distrito de Pebane, disse que as comunidades locais estão bastante envolvidas no controlo, fiscalização e denúncia às autoridades, atitude que contribuiu, sobremaneira, para desencorajar o corte e exploração insustentável da madeira.
Catarina Manasse explicou que as comunidades estão a ganhar consciência de que a Reserva Nacional de Gilé é uma área de conservação e nela não se pode cortar madeira e que, nas áreas indicadas, com destaque para a zona tampão, há necessidade de se fazer uma exploração sustentável.
“Qualquer movimento estranho de viaturas levanta suspeitas e nós ficamos em alerta”, disse Catarina Manasse.
Jesus Uajonda, director da Escola Primária de Cruzeiro em Mocuba, também confirmou o abrandamento de acções de madeireiros ilegais. Segundo disse, o controlo de corte de madeira melhorou muito comparativamente ao biénio 2015-2016, caracterizada pelo saque das florestas.
Recuando no tempo, conta que antes era possível se ver camiões de alta tonelagem a transportar madeira cortada ilegalmente em toda a área da Reserva Nacional de Gilé. Segundo explica, isso acontecia a qualquer hora, seja à noite ou de dia, ante o olhar de todos.
A mesma opinião é partilhada pelo chefe do posto administrativo de Mulela, Mário Agostinho Neves, que afirma que a situação está controlada, mas exige uma monitoria permanente que deve envolver o governo, autoridades comunitárias, comunidades e os media.
Para ele, o abrandamento não deve ser motivo de relaxamento uma vez que, os prevaricadores possam estar a delinear estratégia para contrariar o sossego que reina na região.
A Reserva Nacional de Gilé foi restaurada a seguir ao fim da guerra civil, depois de muitas perdas com o saque de madeira preciosa, nomeadamente, umbila e pau-ferro e ao abate de muitos animais.
Depois da sua reabilitação, a população de umbila e pau-ferro aumentou, o que levou os operadores furtivos a investir as suas incursões sobre esta área de conservação, cortando ilegalmente espécies protegidas pela lei.
De 2015 a 2016, a situação era descrita como chacina mas mercê da reforma na legislação florestal e a implementação e monitoria a Campanha de Advocacia: governação florestal uma urgência de momento promovida pela Rede de Organizações para Ambiente e Desenvolvimento Comunitário e Sustentável da Zambézia (RADEZA) com o financiamento Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Moçambique), foi possível estancar os desmandos.
No contexto da monitoria da campanha, a Reportagem do “Notícias” escalou sucessivamente os distritos de Mocuba, Mocubela e Pebane para observar in loco os progressos registados na campanha de advocacia. Na área da Reserva encontramos mais de 2500 toros de madeira e setenta viaturas e outros equipamentos apreendidos nos últimos dois anos que neste momento estão em estado de degradação, depois dos casos terem já sido encaminhados para o tribunal.
Para restaurar a Reserva Nacional do Gilé, com uma área de mais de 4.500 quilómetros quadrados a Fundação Internacional para a Gestão da Fauna (IGF), uma ONG francesa, investiu nos últimos dez anos mais de 800 milhões de euros.
Jocas Achar


