O governo desafia o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM) a contribuir com soluções para responder à subida da prevalência do HIV/SIDA no país.

As novas estimativas da taxa de prevalência do HIV no país mostram um aumento para 13,2 por cento entre a população adulta, de 15 aos 49 anos de idade, contra a cifra anterior, que rondava 11,5 por cento, na sequência do estudo feito em 2009, segundo o Inquérito de Indicadores de Imunização, Malária e HIV/SIDA em Moçambique (IMASIDA).
O CISM é uma instituição de pesquisa criada para impulsionar e investigar, de forma biomédica, em áreas prioritárias de saúde e tem contribuído para a melhoria do conhecimento de doenças em Moçambique e outros países da África Subsahariana.
Além das actividades mais conhecidas no âmbito do desenvolvimento de ferramentas de tratamento e prevenção da malária, o centro tem vindo, nos últimos anos, a pesquisar outras doenças, como infecções respiratórias, diarreias e HIV/SIDA.
É neste contexto que o governo solicita o contributo do CISM para responder a um problema que se vê cada vez mais complicado para a saúde pública: a elevação da prevalência do HIV/SIDA.
“A subida da prevalência do HIV/SIDA para 13,2 por cento constitui enorme desafio para o governo moçambicano. Neste contexto, esperamos que os resultados das actividades de pesquisa em HIV levadas a cabo pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça e outras instituições contribuam para a prevenção, diagnóstico e manejo clínico de HIV/SIDA”, referiu Zacarias Zindonga, Secretário Permanente do Ministério da Saúde (MISAU).
Zindonga falava em nome da ministra que superintende o sector, Nazira Abdula, na abertura da 10ª edição da palestra anual em saúde global da Fundação Manhiça, entidade que gere o CISM. O evento, realizado em Maputo, capital do país, foi organizado sob o lema “Pesquisa em HIV/SIDA: partilhando evidências da África Austral”.
A Fundação Manhiça é uma organização criada pelos governos de Moçambique e Espanha, sem fins lucrativos, há 11 anos, para impulsionar a pesquisa biomédica e geração de conhecimento científico em saúde.
Segundo a AIM, a Fundação e o CISM já se tornaram actores importantes no campo da pesquisa em saúde, dentro e fora do país. Ao longo dos anos, o CISM tornou-se um centro reconhecido, cientificamente, ao nível internacional e com um elevado grau de credibilidade e visibilidade, cuja estratégia de desenvolvimento na busca de soluções para as principais doenças transmissíveis que afectam o país está a trazer frutos.
Para o presidente da Fundação Manhiça, Leonardo Simão, a organização aspira ser um actor relevante na geração e divulgação de conhecimentos sobre os grandes desafios em saúde pública, tanto à escala nacional como internacional. Explicou ser, neste contexto que, anualmente, a Fundação organiza palestras, globalmente, desde 2009.
“A palestra converteu-se no evento público anual mais importante da Fundação Manhiça e num fórum no qual destacados especialistas e defensores da saúde pública apresentam temas-chave de saúde global para a sociedade moçambicana”, refere.
Há décadas, desde o surgimento do primeiro caso de HIV, que a resposta de saúde pública tem sido marcada por fortes compromissos globais, incluindo vastas campanhas educacionais e desenvolvimento de tratamento anti-retroviral.
Com estratégias de prevenção e tratamento multifacetados e baseados em evidências agora disponíveis, nações de todo o mundo uniram-se para estabelecer metas, que visam o fim da epidemia de HIV, potencialmente, até 2030.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que 70 por cento das pessoas que vivem com o HIV residem na África Subsahariana, onde os recursos para os cuidados de saúde são desproporcionalmente limitados. A África Austral, em particular, continua a apresentar taxas mais elevadas de prevalência e incidência do HIV no mundo.

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