MOÇAMBIQUE é o país melhor posicionado ao nível dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Segurança Cibernética Global (GCI), produzido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

A informação foi partilhada ontem, em Maputo, por Victor Guerra, da Associação Moçambicana de Profissionais e Empresas do Ramo das TIC (AMPETIC), que falava numa conferência sobre segurança no ciberespaço. 

Guerra avançou que os países têm dado passos significativos em termos regulação do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), citando, a título de exemplo, a elaboração Política para a Sociedade de Informação e a Lei das Transacções Electrónicas, entre outros instrumentos legais criados para o efeito.  

O interlocutor destacou também como outros factores que colocam o país na situação privilegiada a criação de Centros de Resposta a Incidentes de Segurança (CSIRT), estabelecimento de praças digitais, implementação do número único de identificação civil (NUIC) e a realização de conferências nacionais de segurança cibernética (MOZCYBER).

O painelista, que falava para uma plateia composta maioritariamente por estudantes dos cursos de Informática e Electrotecnia da Universidade Pedagógica (UP), alertou sobre a necessidade de uma selecção criteriosa da informação que circula na Internet.      

Por sua vez, Jocelyn Woolbright, formada em Relações Internacionais e Segurança pela Universidade Internacional de Florida, nos Estados Unidos, disse que dados divulgados no ano passado indicavam que 3.2 biliões de pessoas têm acesso à Internet em todo o mundo, que a usam para diversos fins, entre os quais ataques cibernéticos.

Segundo Woolbright, o cibercrime tem aumentado mais rapidamente em África do que em qualquer outra parte do mundo, sendo que cerca de 80 por cento dos computadores no continente estão infectados por vírus ou outros softwares maliciosos.   

A conferencista afirmou que a cibersegurança constitui uma das áreas que tem merecido especial atenção um pouco por todo o mundo, uma vez que boa parte da informação é armazenada em dispositivos electrónicos e na Internet, o que a torna vulnerável a ataques cibernéticos.  

Referiu que instituições governamentais, bancos, hospitais, entre outras entidades, guardam informação nos computadores, que muitas vezes é partilhada através da Internet, criando condições para que os hackers possam ter acesso a esses dados e os manipulem de acordo com os seus interesses.

Deu como exemplo um roubo que ocorreu em 2016, no qual piratas informáticos saquearam 81 milhões de dólares do Banco Central de Bangladesh, através da emissão de dezenas de ordens de transferência usando dados pessoais dos funcionários do banco.  

Dados apresentados pela UIT em 2017 indicavam que apenas metade dos países no mundo tem uma estratégia de segurança cibernética ou está em processo de desenvolvê-la, uma situação considerada preocupante, a avaliar pelo aumento de ataques maliciosos protagonizados com recurso às TIC.  

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Um empresário português inventou uma lente para smartphone e mostrou-a ao fabricante chinês, com a intenção de licenciar o produto e, três anos depois, a Huawei lançou um produto igual.

Em 2012, Rui Pedro Oliveira criou uma lente acoplável  a um smartphone para melhorar as capacidades fotográficas dos telemóveis, que na época tinham lentes mais limitadas. Em 2013 e 2014 pediu protecção legal nos EUA, sob a forma de patente, ao mesmo tempo que mostrava a sua invenção à Huawei, que “demonstrou muito interesse”. As patentes foram concedidas em 2016 e 2017.

A Huaweinunca mais disse nada, e em 2017 lançou um produto semelhante, o que configura uma violação  dos direitos que o empresário português detém sobre a patente da sua invenção, segundo o empresário.

O caso não está ainda  em tribunal, mas já mete advogados dos dois lados. Para pagar os serviços jurídicos nos EUA, “que são muito caros”, segundo disse,  teve de recorrer ao património próprio. Vendeu a casa onde vivia com a mulher e filha, que agora tem dez anos, situada no Porto e, por ironia, uma cidade geminada com Shenzen,  sede da Huawei.

“O que eu e os meus advogados andamos a tentar resolver há seis meses com boa-fé, a Huawei poderia resolver em seis horas, com boa vontade”, lamenta o empresário, de 45 anos e engenheiro informático de formação.

(Notícias/ Público.pt)

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