Domingo, 21 Julho, 2024
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Resgatadas 22 menores de uniões prematuras

Por Jornal Notícias
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VINTE e duas raparigas, menores de idade, que viviam em situação de uniões prematuras, foram resgatadas, nos primeiros três meses do presente ano, pela Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social em Sofala, tendo sido já reintegradas no seio familiar ou em projectos de empoderamento em diferentes áreas e nas escolas.

O resgate das menores, que fazem parte de um universo de 99 casos notificados na cidade da Beira, Dondo e Maringue, foi possível com a ajuda de parceiros de cooperação, que têm apoiado a Direcção Provincial de Género, Criança e Acção Social nesta iniciativa.

A informação foi partilhada durante a Reunião de Reflexão de Uniões Prematuras que decorreu, recentemente, na cidade da Beira e  juntou diversos actores sociais, públicos e profissionais que lidam com esta temática, visando a coordenação das suas actividades, reconhecido que algumas organizações agem de forma isolada.

A directora provincial de Saúde, Neusa Joel, falando em representação da esposa do Governador de Sofala, Emília Bulha, disse que as uniões prematuras, por envolverem crianças, adolescentes, principalmente às raparigas, constituem uma grave violação dos direitos humanos, que não devem deixar ninguém indiferente.

Indicou que os dados estatísticos disponíveis mostram que 48 por cento das mulheres, de entre 20 e 24 anos de idade, casaram-se antes de atingir os 18 anos, e 13 por cento antes de chegar à faixa etária dos 15.

“É perspectiva do Governo que, neste milénio, as uniões prematuras, gravidezes precoces, abuso sexual, negligência e trabalho infantil deixem de ser linguagens comuns para as crianças”, disse Neusa Joel.

 Para o efeito, acrescentou, é preciso que a sociedade no seu todo, mas os pais e encarregados de educação, de forma muito particular, entendam que o lugar da criança é junto da família, que a deve proteger, educar e mais tarde, com a autonomia que resulta do crescimento e por vontade própria, ela decida os caminhos que pretende seguir.

“Não há razões para um pai entregar a sua filha menor de idade para viver, muitas vezes, com homens da idade do próprio progenitor ou até mais velhos”, disse a directora provincial de Saúde, Neusa Joel.

Intervindo na ocasião, em representação do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Dezi Mahotas, assegurou que a instituição vai continuar a apoiar o Governo neste processo de eliminação de uniões prematuras nos vários distritos do país, onde esta prática continua de forma reiterada, particularmente em Sofala.

Disse ainda que as uniões prematuras expõem, às raparigas, a riscos que comprometem o seu futuro, apontando, de entre eles, a desistência escolar, violência doméstica, problemas nutricionais, doenças infeciosas incluindo fístulas obstétricas, mortalidade materna e infantil, pelo que a eliminação desta prática, considerada altamente nociva, é também parte integrante dos objectivos de desenvolvimento sustentável.

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