Domingo, 14 Julho, 2024
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CHUDE MONDLANE (1958-2024): Cantora deixa legado de luta e resistência

Por Jornal Notícias
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LUCAS MUAGA

CHUDE Mondlane foi uma cantora cheia de sonhos. Alguns realizados e outros por concretizar. Sonhava, conforme se nota na sua vasta obra discográfica, com um mundo melhor e mais unido.

Este pensamento a conduziu durante toda uma vida. Até 24 de Junho, quando morreu, vítima de doença, na vizinha África do Sul, tentava aplicar as ideias a partir do seu meio social. Por isso, uma das coisas mais destacadas no seu último adeus, no sábado, no Centro Cultural Moçambique-China, cidade de Maputo, foi o seu eterno desejo de criação de um sindicato da cultura no país.

Os intervenientes foram unânimes em dizer que ela deixa um legado de luta e resistência. A despedida à Jennifer Chude Mondlane, filha do casal Janet e Eduardo Mondlane, fundador e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) foi muito concorrida. Contou com a presença de várias figuras, com destaque para o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Filipe Nyusi e primeira-dama Isaura, rendem homenagem a Chude

Segundo a família, aquele foi o ponto de partida para uma série de despedidas, que terminarão a 20 de Julho, em Nwadjahane, distrito de Mandlakazi, província de Gaza, terra natal do pai. Familiares, amigos e admiradores enalteceram que o seu espírito e voz, que transcenderam fronteiras, permanecerão eternamente vivos.

A homenagem a Chude Mondlane iniciou com uma apresentação coral que criou um ambiente solene e introspectivo, servindo de prelúdio à oração do pastor Jocelino Mondlane, da Igreja Presbiteriana de Maputo, a qual era membro e o pai serviu como evangelista.

Seguiram-se vários outros momentos, desde depoimentos a apresentações poéticas e musicais. Um dos períodos de maiores aplausos foi o da apresentação de um curto vídeo biográfico, que trouxe à memória momentos significativos da trajetória da artista. Ela aparece numa entrevista afirmando que, desde a tenra idade, os pais reconheceram nela um talento artístico incomum. O dom, explica a obra, começaria a manifestar-se de forma mais evidente na década de 1970, consolidando-se ao longo dos anos como uma figura proeminente no cenário musical e cultural.

Cerimónia bem concorrida

Na ocasião, Eduardo Mondlane Júnior, irmão da artista, demonstrou um misto de surpresa e dor pela perda de Chude, que estava nos cuidados intensivos. “Guardaremos as lembranças e saudades… Os heróis são recordados e as lendas são para sempre”, afirmou, visivelmente emocionado.

Por seu turno, Janete, filha de Chude, partilhou memórias comoventes com a mãe, expressando a profunda gratidão que sentia por ela. “O trilho da sua vida, percorrido descalça e livre, me deu a maior das dádivas, amor, que me elevou”, disse, desejando que a sua voz se perpetue na sua música, um dos seus maiores legados.

A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLIN) referiu que Chude nunca abdicou de suas origens culturais, razão pela qual se destacou como antropóloga. Colegas da artista, como Edmundo Matsielane e Paulo Sithole, a descreveram como uma figura consistente, coerente e dedicada.

Na sua opinião, a cantora sempre mostrou-se preocupada com a promoção das artes moçambicanas. Este foi o sentimento que a levou a ser uma das co-fundadoras da Associação dos Empresários e Produtores de Eventos e Espectáculos (ADEPEE), conforme explicou o secretário-geral Paulo Sithole.

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