A PRÁTICA de garimpo em Lupilichi no distrito do Lago, constitui preocupação e motivo mais que suficiente para a criação urgente de um posto de controlo em Chiwindi, próximo da República com a Tanzania.
O posto, segundo André Luendo, administrador do Lago, poderá ajudar também na fiscalização, ao longo da linha fronteiriça, que se revela porosa.
Adiantou que a situação é ainda inquietante por falta deentidades capazes de gerir este problema, concretamente o serviço de Migração, tendo em conta que Chiwindi está a evoluir e o fluxo de utentes que usam esta fronteira é crescente.
Segundo a fonte, o posto de controlo poderia contribuir na redução de intensos movimentos de imigrantes ilegais que passam por esta zona, mas também serviria para a vistoria de toda a costa do Lago Niassa, até ao povoado de Cobué.
Lupilichi é uma zona rica, não somente pelo ouro que lá ocorre, como também pela abundância de recursos naturais que atraem muita gente, para além da pesca e do garimpo ilegal.
‘‘Os ilegais penetram na zona e praticam o garimpoporque nós não temos um controlo. Qualquer dia corremos o risco de acordarmos aqui surpreendidos com terrorismo. Porque onde há garimpo, com essas riquezas todas, não faltam conflitos’’, alertou o administrador.
Revelou na ocasião, que alguns garimpeiros vão até ao interior da costa do Lago Niassa, a mais de 150 quilómetros, mas sem nenhuma documentação legal, facto que deixa a administração distrital em alerta.
Embora não tenha avançado dados numéricos, Luendo enfatizou que devido a esta situação, as riquezas são exploradas de forma descontrolada, o que concorre para a perda de receitas, por parte do Estado. Aliás, há muitas empresas não legalizadas, no interior, a fazer sondagem e exploração de recursos.
‘‘O prejuízo é enorme, porque daquilo que eu vi, muitas mercadorias entram no país sem nenhuma fiscalização. Portanto, apesar de não ter estimativas, na verdade o Estado está a acumular enormes prejuízos, por isso há necessidade mesmo de fazermos um posto simplificado, o mais rápido possível’’, anotou.
Diante desta realidade, o Estado é chamado a criar condições na fronteira de Chiwindi, tendo em conta que do lado tanzaniano há infra-estruturas onde mesmo os passaportes são validados, contrariamente à parte moçambicana, cujas instalações da Migração estão no posto administrativo de Cobué distante do local em referência.
Um dos problemas que se enfrentam, nesta zona é o contrabando de produtos diversos, devido à falta de fiscalização e cada um entra ou sai do país sem observância das normas.



