O MOVIMENTO palestino Hamas acusou ontem Israel de utilizar a fome como arma de guerra por estar a bloquear a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza desde 2 de Março.
As declarações do ministro da Defesa israelita, Israel Katz, que na quarta-feira excluiu a possibilidade de voltar a permitir a entrada de ajuda em Gaza, constituem “uma nova admissão pública de um crime de guerra”, declarou o Hamas num comunicado.
“Isto inclui o uso flagrante da fome como arma e a privação das necessidades básicas da vida – alimentos, medicamentos, água e combustível – para civis inocentes pela sétima semana consecutiva”, acrescentou no comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Israel bloqueia a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza desde Março, acusando o Hamas de a desviar, o que é negado pelo movimento islamita.
“Nenhuma ajuda humanitária entrará em Gaza”, declarou Katz.
O Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA) afirmou esta semana que a Faixa de Gaza vive “provavelmente a pior” situação humanitária desde o início do conflito, há 18 meses.
O Exército israelita anunciou, na Quarta-feira, ter transformado cerca de 30 por cento da Faixa de Gaza num “perímetro de segurança”, uma zona-tampão onde a população Palestina não pode viver.
Cerca de 500 mil palestinos foram obrigados a deslocar-se de Gaza desde o fim do cessar-fogo e o recomeço das operações militares israelitas, indicou uma porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres.
O perímetro de segurança, que Israel alargou durante a guerra – além de destruir todos os edifícios e infra-estruturas aí existentes -, faz fronteira com todo o enclave palestino, mas ocupa também duas zonas militares – o corredor de Netzarim, no centro, e o eixo de Morag – e agora também toda a zona sul de Rafah.
Israel controla todos os pontos de acesso fronteiriço ao território palestino e não permite a entrada de qualquer tipo de provisões na Faixa de Gaza, o que organizações não-governamentais como a israelita Ghisa classificam como “crime de guerra”.
Foto: Belal Khaled / Anadolu via Getty Images file


