GARANTIR a vitalidade da língua xironga e contribuir para a sua sistematização científica são os principais objectivos do professor universitário Armando Magaia ao lançar, na terça-feira, uma gramática descritiva deste idioma originário da província e cidade de Maputo.
Intitulada “Gramatka Dza Xizronga”, a obra é a primeira do género a ser produzida por um moçambicano, que investigou sobre os diferentes traços do idioma num período superior a dez anos.
A gramática integra diferentes competências linguísticas como a fonética e fonologia, ortografia e morfologia, compilada a partir de investigações de campo dirigidas pelo autor nas comunidades falantes desta língua.
O lançamento teve lugar no Campus da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e contou com a participação de estudantes, assim como académicos e políticos nacionais.
Segundo a linguista Julieta Langa, responsável por apresentar a obra, a gramática é um incentivo para a valorização das línguas moçambicanas através da atribuição de uma base científica e sistematizada.
“Expressa a importância da investigação em torno dos idiomas nacionais para que sejam partilhados entre a comunidade académica e a sociedade em geral, facilitando o seu uso e garantindo, assim, a sua existência nas próximas gerações”, sustentou.
O autor da obra, Armando Magaia, produziu a gramática após ler um relatório sobre a extinção das línguas nos próximos 50 anos, o xironga consta da lista das susceptíveis ao desaparecimento num futuro próximo.
“Apesar de ser docente de Inglês nos cursos de Língua da UEM, o xironga sempre ocupará um lugar especial, por ter sido o meu primeiro idioma. No entanto, produzir a gramática é uma forma de desacelerar a sua extinção”, afirmou.
Armando Magaia é doutorado em Línguas, Linguística e Literatura da Universidade da África do Sul (UNISA) e tem ensinado Inglês, Habilidades de Estudo, Tradução e Interpretação na Universidade Eduardo Mondlane desde 2006.



